Crítica | Tex Willer #1: Vivo ou Morto!

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Tex é um daqueles personagens que devido à sua enorme força, consegue resistir às mudanças do tempo, manter um bom mercado editorial e, mesmo setenta anos depois de sua primeira aparição, tem fôlego o suficiente para encabeçar uma nova série. Lançada em novembro de 2018 pela Sergio Bonelli Editore, o projeto recebeu o título de Tex Willer, e aqui no Brasil, saindo pela Mythos, o subtítulo “As Aventuras de Tex Quando Jovem“. Para começar, a escolha do título é bem propícia, porque “Tex Willer” era o nome estampado nos cartazes de PROCURADO – VIVO OU MORTO! que colocavam a cabeça do jovem Tex a prêmio. Nesta nova série, a casa italiana se propõe trazer algumas explicações ou narrativas não mostradas nas histórias clássicas, e já nessa saga de estreia, Vivo ou Morto!, temos um excelente exemplo do que este olhar para o passado do personagem, setenta anos depois de ter sido criado por Gianluigi BonelliAurelio Galleppini, pode nos trazer de bom.

Escrita por Mauro Boselli, um veterano nos roteiros do personagem e que três anos antes já havia realizado um excelente exercício de retorno ao passado do ranger com Frontera!, segundo álbum da série Tex Graphic NovelVivo ou Morto! se passa pouco tempo depois de Tex ter matado Tom Rebo, vingando a morte de seu irmão, Sam Willer. A história se passa mesmo antes de O Totem Misterioso (1948) e existem ligações muitíssimo bem feitas por Boselli entre este enredo e àquela história de estreia de Tex nos quadrinhos. Mas em vez de apenas rodear esse passado conhecido, o autor faz uma apresentação bem medida, com um Tex cheio de energia e com algumas decisões que lembram um pouco os primeiros anos de sua carreira, sendo exibido pela fantástica arte de Roberto De Angelis, um outro grande presente da obra.

Partimos de Sierra Estrella, no Arizona, onde um grupo de caçadores de recompensa (onde está Coffin, com quem Tex se encontraria em sua aventura seguinte, cronologicamente falando) segue a trilha do jovem assassino procurado por diversos xerifes locais. A exposição da problemática é inicialmente simples, mas vai ganhando força e profundidade à medida que a perseguição avança e os obstáculos começam a aparecer. Os diálogos não repetem fórmulas de ameaças ou falas vilanescas clichês, longe disso. Os caçadores são homens que sabem muito bem o que estão fazendo e são interessantes o bastante para segurar 20 páginas de revista sozinhos, até que enfim Tex aparece pela primeira vez, já com ares de verdadeiro mito local.

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A entrada triunfal de Tex.

O autor trabalha muito bem com a ideia de Tex já ser uma pessoa com histórias bem conhecidas a seu respeito, alguém temido e falado por sua grande habilidade, amigos e recursos. Mas isso jamais entra no texto como uma escora narrativa ou um desfilar de conveniências para a forma como o fora da lei irá se livrar de seus perseguidores. Ele comete alguns erros e também tem uma boa dose de sorte, o que torna essa aura de “invencibilidade” a que muito atribuímos a ele, extremamente orgânica. Em Tex, é possível ver o homem, o ser humano por trás dessa máscara mais ou menos cinematográfica que seus enredos foram ganhando ao longo dos anos.

Exceto por um estranho didatismo na reta final, Vivo ou Morto! é uma aventura para se tirar o chapéu. Nos trouxe de volta para o Universo de Tex em seus primórdios, nos trouxe uma série de novidades sobre a vida do herói na juventude e, acima de tudo, conseguiu mexer com o cânone respeitando o protagonista e fazendo com que o novo roteiro andasse com as próprias pernas. Tex Willer é uma série que começa em alta qualidade. Mesmo com o olhar de novos tempos, Tex continua sendo Tex!

Tex Willer #1: Le Avventure di Tex Quand’era Ancora uno Scatenato Fuorilegge
Vivo o Morto (Itália, novembro de 2018)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Mythos, janeiro de 2019
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Roberto De Angelis
Capa: Maurizio Dotti
68 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.