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Crítica | Tex Willer #10 a 13: A Dama da Pinkerton

por Luiz Santiago
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  • Leia a crítica das outras histórias desta série aqui.

A Dama da Pinkerton (convenhamos, que título horrível, não é mesmo? Qual o problema em deixar o título original, Pinkerton Lady? Ou pelo menos colocar “agência” antes de “Pinkerton“?) é o terceiro arco das Aventuras de Tex Quando Jovem, trama precedida pela dupla Vivo ou Morto e Os Dois Desertores. Além da edição de abertura que dá título ao arco, temos A Conspiração, Atentado a Lincoln e A Armadilha de Mefisto como integrantes da saga, que se baseia em eventos históricos reais (a Conspiração da Baltimore) para colocar o então candidato a Senador dos Estados Unidos na trilha de Tex, assim como Kate Warne, a primeira mulher detetive da História.

Se você já é um leitor antigo do PC, sabe que eu sou historiador e que tenho verdadeira paixão por ficções históricas, não apenas porque trabalham com a minha ciência de profissão, mas principalmente porque modificam os eventos reais para criarem algo cativante, instigante e marcante no Universo de personagens que a gente tanto gosta. Eu sei que mesmo a essa altura do campeonato tem gente (e infelizmente alguns desses são colegas de profissão) que surtam por completo ao verem qualquer obra desse gênero, pois pensam que qualquer representação de um evento real numa ficção deve ser tal e qual aconteceu. Coitados. Isso é basicamente se fechar para a imaginação, para a criatividade, e perder o que tem de melhor em enredos gostosos como este Mauro Boselli escreve para o jovem Tex.

As duas camadas históricas da trama são trabalhadas de maneira divertida e responsável pelo autor. Lincoln guarda todas as boas e más características que conhecemos do político real e a conspiração da qual é vítima, mesmo com todo um ajuste de tempo e espaço, acaba tendo o exato mesmo espírito da conspiração real. Já na outra ponta encontramos a parte mais interessante do volume, relacionada com a Pinkerton National Detective Agency, que no mundo real foi inaugurada em Chicago, Illinois, no ano de 1850. Isso faz com que o arco seja não apenas um western, mas também uma história de espionagem, e daquelas muito bem arquitetadas.

Um dos maiores desafios de Mauro Boselli aqui foi o de colocar Mefisto em cena. O ilusionista que seria o grande vilão de Tex no futuro não poderia encontrar o fora da lei nesse arco, já que temos o registro cronológico do primeiro embate direto entre os dois, ocorrido na edição #3 da série regular de Tex, numa aventura intitulada O Espião Mefisto (1949), escrita por Bonelli e desenhada por Galep. Dada a importância de Mefisto e a importância do tema trabalhado, eu temi que o autor fosse embarcar em contradições ou tivesse que forçar demais a barra para encaixar o diabólico mágico nesse momento. Mas isso não aconteceu. O texto avança com um ótimo ritmo em todos os blocos, e os desencontros entre o vilão e o fora da lei chegam a ser engraçados e têm o charme irônico do tempo, assim como toda a empresa para salvar Lincoln da morte por assassinato.

Os ideais abolicionistas causaram a morte de muita gente nos Estados Unidos, mesmo após a abolição da escravidão no país. Aliado a ideias racistas e também a uma visão infame do lucro, muitos poderosos donos de terra do sul financiaram atentados a líderes e oradores que pregavam a igualde jurídica entre todos e propunham o fim do horror que era o cenário da mão de obra escrava. Aqui em A Dama da Pinkerton Tex é inserido nesse contexto e, pela primeira vez, é visto com bons olhos por pessoas “do lado certo da lei“, quase um prenúncio de seu envolvimento com esse lado, no futuro. Uma trama de espionagem que fala de igualdade e sobre estar do lado certo da História.

Tex Willer #10 a 13: Le Avventure di Tex Quand’era Ancora uno Scatenato Fuorilegge
Pinkerton Lady / I Cospiratori Di Saint Louis / Attentato A Lincoln / La Trappola Di Mefisto (Itália, agosto a novembro de 2019)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Mythos, outubro de 2019 a janeiro de 2020
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Roberto De Angelis
Capa: Maurizio Dotti
264 páginas

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