Home QuadrinhosArco Crítica | Tex Willer #14 e 15: Paradise Valley e As Escravas da Montanha

Crítica | Tex Willer #14 e 15: Paradise Valley e As Escravas da Montanha

por Luiz Santiago
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  • Leia a crítica das outras histórias desta série aqui.

Os acontecimentos do arco A Dama da Pinkerton, no Missouri, acabaram colocando o jovem Tex mais uma vez na estrada, depois de participar no salvamento do futuro presidente Abraham Lincoln e estar no meio de uma situação parcialmente movida por alguém que seria um de seus grandes inimigos no futuro. Procurando se afastar das grandes cidades, o fora da lei segue para as colinas do Utah, onde é acolhido por uma família de mórmons. A trama verdadeiramente começa quando o filho do patriarca da casa é injustamente acusado de assassinato e levado para a cidade, onde a população quer linchá-lo a qualquer custo.

Pasquale Ruju nos entrega aqui um interessante conto sobre preconceito religioso e torna a questão mais complexa ao expor indivíduos dessa religião mal vista agindo como criminosos. O perigo da generalização entra em cena e Tex precisa agir para salvar inocentes e, em dado momento, também salvar a própria vida. Na primeira edição, Paradise Valley, temos uma apresentação crua e enraivecedora do que esses mórmons criminosos fizeram com uma família da região. Me lembrou o início da Segunda Parte de Um Estudo em Vermelho, pela forma como o autor pega eventos de fato reportados em algumas comunidades desses religiosos e torna isso um problema de alcance moral e ético ainda maior, ao confrontá-lo com outros fiéis (inocentes) da mesma religião.

O sequestro de duas jovens mulheres agravam a situação e, com o passar das páginas, o leitor fica ainda com mais raiva da família de assassinos e dos planos que eles têm para as meninas. O nível de desumanidade dos irmãos psicopatas é imenso, a ponto de matarem um caçador e seu filho… apenas por diversão. Esse contraste é interessante para incrementar a discussão sobre as escalas da lei e da justiça, uma vez que Tex, que é um homem procurado, também entrará na mira do vice xerife ao mesmo tempo que procura impedir que verdadeiros criminosos se safem de seus atos.

Até o desfecho da história tudo corre bem aqui. Os desenhos de Pasquale Del Vecchio e a cadência do roteiro representam de modo notável esse ambiente de tensão, mas infelizmente a coisa toda se torna desengonçada no encerramento. Após o ótimo enfrentamento na floresta que cerca a casa da família criminosa, Tex e companhia devem atravessar o rio para chegar ao cavalos. O chorinho de drama que ainda temos a partir daí me pareceu muitíssimo anticlimático, rápido demais alguns pontos e algo bastante sem graça nas escolhas do autor. A própria ação do homem e da mulher ali parecem aquém das figuras tão malditas que representaram no andamento do arco, de modo que o final deles, apesar de emocionalmente prazeroso (enfim, receberam a morte que mereciam), foi narrativamente mediano.

E claro, mais uma vez temos os bons serviços de Tex servindo como moeda para a sua liberdade. É um final interessante, até bonito, mas para mim — talvez porque tenha se seguido a um tratamento final para os vilões que não me agradou — acabou não atingindo tudo aquilo que o autor pretendia.

Tex Willer #14 e 15: Le Avventure di Tex Quand’era Ancora uno Scatenato Fuorilegge
Paradise Valley e Le Schiave della Montagna (Itália, dezembro de 2019 e janeiro de 2020)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Mythos, fevereiro e março de 2020
Roteiro: Pasquale Ruju
Arte: Pasquale Del Vecchio
Capa: Maurizio Dotti
132 páginas

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