Crítica | Tex Willer #4: A Caverna do Tesouro

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  • Leia a crítica para as outras histórias desta série aqui.

Enfim terminamos o primeiro arco da série Tex Willer, formado pelas edições Vivo ou Morto!A Quadrilha de Red BillO Segredo do Medalhão e a presente A Caverna do Tesouro. Nestas aventuras, observamos com mais atenção a primeira parte das cavalgadas de Tex pelo Velho Oeste, como em uma espécie de “preenchimento de lacunas” da série regular do personagem, iniciada nas collanas em 1948.

Talvez para quem não conhece o personagem das aventuras clássicas (este, aliás, é um dos ótimos objetivos desta nova série, segundo a própria editoria da Sergio Bonelli Editore: atrair novos leitores), o resultado final aqui seja bem mais positivo, pelo tom de novidade, aprendizado e marcas de primeira experiência, algo que para um leitor que já tenha passado por O Totem Misterioso termina perdendo mais da metade da graça — ou isso, ou eu sou muito chato, o que dá no mesmo. Logo, parece um pouco bobo fazer apontamentos dos problemas narrativos deste roteiro de Mauro Boselli, o que em uma pequena parte é verdade. Se a intenção era brincar com o cenário de um material prévio e o autor faz isso… ele está entregando o que foi prometido. O problema é que não termina aí.

Notem que quando eu escrevi sobre Vivo ou Morto!, a visão geral para o projeto e para o que Boselli havia feito no roteiro era muitíssimo positiva, visão que foi caindo à medida que íamos avançando nas edições. Basicamente isso é dado por dois pontos principais: passar muito tempo em cenas que nada acrescentam à história (O Segredo do Medalhão que o diga) e oferecer bem pouco de novidade para o público à medida que a história se aproxima do fim. Meu maior incômodo, especialmente nesta edição de fechamento, é justamente esse. Já para o final da revista, quando temos praticamente a repetição simplista de cenas escritas por Gianluigi Bonelli nos anos 40, essa irritação alcança o seu máximo limite. E antes que alguém levante essa bola: não, não se trata de uma homenagem. Homenagem é o que foi feito pelo mesmo autor em Tex Willer #1. Aqui, o uso anunciado dos eventos de Totem Misterioso é apenas uma facilidade narrativa que não se faz impressionar — por isso disse antes que leitores novatos certamente aproveitarão bem mais essa reta final do arco.

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Quem vê pensa que tá rolando um clima… Só que não.

Com a descoberta do enigma do medalhão, Coffin, seu parceiro índio renegado, Tex e Tesah encontram-se no subterrâneo da Rocha Falante, diante do tesouro sagrado dos pawnees. O que acontece de novidade nessa sequência é algo que me arrancou algumas risadas, então vou deixar para que vocês comentem o que pensam da resolução de Tex para salvar o tesouro, mas eu realmente não gostei da ideia. De qualquer forma, a parte seguinte faz o texto voltar aos trilhos e, mesmo sem novidades nos grandes acontecimentos, explora bem novos ângulos para as ações do Águia da Noite, como a brincadeira que ele faz em Culver City, assinando bilhetes para Coffin com o nome “O Homem da Tumba”.

Roberto De Angelis faz mais um ótimo trabalho nos desenhos. Eu não me canso de apreciar os seus lindos contextos geográficos e o ótimo cuidado que ele tem com a composição dos quadros em internas, sempre dando bastante espaço para o movimento dos personagens e sabendo diagramar os quadros a ponto de nos fazer sentir igualmente as emoções de cada um deles em momentos de crise, tornando ainda melhores os tiroteios em espaços fechados. Resolvido, enfim, o problema com o tesouro, Tex ruma para o norte de São Tomás, no rancho dos Sandersons, para onde enviou Tesah. A partir daqui, uma nova aventura começa.

Tex Willer #4: Le Avventure di Tex Quand’era Ancora uno Scatenato Fuorilegge
Il Segreto del Medaglione (Itália, fevereiro de 2019)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Mythos, abril de 2019
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Roberto De Angelis
Capa: Maurizio Dotti
68 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.