Crítica | Tex Willer #5: Os Dois Desertores

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  • Leia a crítica para as outras histórias desta série aqui.

Após a finalização do primeiro arco desta nova série em A Caverna do Tesouro, o escritor Mauro Boselli nos apresenta uma história novinha em folha, sequência direta dos eventos da trama passada, mas com novos personagens e objetivos para Tex. A bem da verdade, é o início simples de uma aventura, mas uma daquelas histórias cuja simplicidade é encantadora justamente pela forma como o autor cria a atmosfera que lhe dá sustentação e também pelo tipo de personagens que traz à tona.

Aqui, Tex está seguindo para o norte de São Tomás, no rancho dos Sandersons, local para onde enviou Tesah. Não há uma especificidade para este encontro, além da questão de rever uma amiga após a passagem de algo bastante perigoso pela vida dela. No meio do caminho, como era de se esperar, o Águia da Noite encontra o seu primeiro grande obstáculo, e é isso que temos logo nas primeiras páginas de Os Dois Desertores, ambientado ao sul do Novo México e que traz desenhos de Bruno Brindisi, após a passagem louvável de Roberto De Angelis pelos quatro primeiros números do título.

No presente contexto, Tex encontra, em solo americano, algumas “consequências” da Guerra da Reforma (1857 – 1861) na forma de um bando de desertores, do qual sobram apenas dois e que, por ironia do destino, se tornam companheiros temporários de Tex. Como historiador e um verdadeiro fanático por westerns localizados no sudoeste dos Estados Unidos, por westerns fronteiriços e por Zapata westerns (esteja o subgênero utilizado literal ou genericamente — logo, dentro ou fora do escopo histórico que lhe dá nome), sorri com bastante gosto ao perceber a pesquisa bem feita do autor e do artista para retratar este local. Desde o momento em que Tex avista a “Missão espanhola de Esteban Del Desierto” (que não existe de verdade, mas a inspiração para o nome que Boselli cria aqui veio da real Missão de San Estevan del Rey) eu fui fisgado pela história e todo o drama em torno dos desertores sanguinolentos mais a citação dos comancheros como um perigo real nessa região, tornou tudo ainda melhor.

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A título de curiosidade, a igrejinha onde o conflito acontece no início do quadrinho realmente existe, mas está ao norte e não ao sul do Novo México, e se chama San Francisco de Asis Mission Church, localizada no pueblo Ranchos de Taos. A igrejinha é muito bonita (podem procurar fotos e comprovar) e se vocês forem a fundo ao pesquisar a arquitetura das missões espanholas que hoje estão no Novo México e no Arizona, verão que existe muitas semelhanças na forma geral como esses templos foram construídos, sempre trazendo o pátio com um pequeno cemitério logo à frente e uma cerca com uma porta em arco colocada à distância.

Apesar de ter uma reta final um pouco carente de contexto para validar de forma mais intensa o cliffhanger, Os Dois Desertores é uma baita história interessante que coloca Tex em parceria com foras-da-lei e joga de maneira muito inteligente com a relação desconfiada entre os três homens. E pelo que está sugerido aqui, parece-nos que más notícias nos esperam no rancho dos Sandersons. Tesah novamente atraindo problemas…

Tex Willer #5: Le Avventure di Tex Quand’era Ancora uno Scatenato Fuorilegge
I Due Disertori (Itália, março de 2019)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Mythos, maio de 2019
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Bruno Brindisi
Capa: Maurizio Dotti
66 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.