Crítica | Tex Willer #6: Coyoteros!

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  • Leia a crítica para as outras histórias desta série aqui.

O editorial escrito por Mauro Boselli no início desta Coyoteros! nos dá uma ótima preparação e contexto para o que o roteiro dele nos entrega nesta sequência direta de Os Dois Desertores, uma história bem mais marcada por ação em grupo e com um número bem grande de conflito de ideias, algo sempre muito curioso (e um pouco enraivecedor, no sentido moral da coisa) de se ver representado, principalmente porque sabemos que é a representação de uma atitude real e que ainda persiste em nossos dias (a xenofobia e o racismo), com consequências diversas para os personagens envolvidos na história, algo que certamente ficaria pior se não tivéssemos a presença de Tex para segurar as rédeas dos infames.

O interessante dessa discussão é que os termos em evidência não são exatamente simples e justamente por tratar do conflito entre raças e etnias, houve um grande fator preconceituoso na perpetuação das palavras coioteiros (índios da família ampliada dos apaches, chiricahuas, mescaleros, white mountains, etc.) e comancheros (mercadores de boa ou má índole vendendo os mais diversos produtos para os coioteiros). No roteiro, Boselli faz com que esse capítulo da busca de Tex também para reencontrar Tesah (parece que essa princesinha está o tempo inteiro em perigo…) seja marcado pelo encontro com diferentes forças, às quais o Águia da Noite precisará combater assumindo parceiras ou tomando atitudes difíceis no meio do caminho.

Toda a edição é fortemente construída diante do movimento de Tex e seus amigos desertores da edição passada. As paradas são estratégicas e o perigo ronda o trio desde a primeira página da edição, expandindo-se para um cenário com um grupo maior, a maioria de amigos, mas não sem a presença de alguns que insistem em irritar o texano. Toda a sequência do saloon, por exemplo, é interessante justamente por mostrar distintas visões de homens com as mais diversas idades olhando para Tex e tentando testá-lo ou compartilhar bons momentos com ele. E vejam que o texto não precisa de diálogos gigantes ou amplas declarações para isso, já que a ação é a marca central aqui, indo da mais simples briga à cavalgada pela vida dos sequestrados.

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Um dos momentos mais divertidos da edição.

Eu sei que pode parecer implicância (especialmente depois de A Caverna do Tesouro), mas pensem comigo: o uso de Tesah como ponto de partida para uma longa ação de Tex já não está saturando? Pelo que o roteiro indicava, haveria um reencontro entre amigos e uma separação a seguir, porém o autor insiste em colocar a pawnee em situação perigosa (isso também é irritante, por ser repetitivo, mas é um “irritante em menor grau“) e novamente estabelece uma caçada de Tex para salvá-la. Seria perfeitamente possível lidar com isso sem torcer o nariz se fosse algo mais adiante. Mas agora? Veja, é uma questão de bom senso narrativo. A mulher acabou de ser ajudada por Tex e agora precisa ser ajudada DE NOVO? Duas revistas depois?

Sim, é claro que existe uma camada até mais gorda em andamento, e por isso que eu gostei tanto dessa história. A esta altura da série Tex Willer, tudo o que não tem a ver com Tesah é interessante (agora foi propositalmente implicante mesmo). Outro ponto meio estranho da narrativa é o desmaio de Tex após o enfrentamento com dois índios. Tirando isso, temos em Coyoteros! uma revista divertida, ágil e cheia de ótimas discussões sobre um pensamento de época, tudo envolto em uma missão onde muita coisa tem a possibilidade de sair errado. Mais uma ótima história dessa série, novamente com arte aplaudível de Bruno Brindisi. E tudo indica que as coisas seguirão intensas na próxima edição!

Tex Willer #6: Le Avventure di Tex Quand’era Ancora uno Scatenato Fuorilegge
Coyoteros!(Itália, abril de 2019)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Mythos, junho de 2019
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Bruno Brindisi
Capa: Maurizio Dotti
66 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.