Crítica | Tex Willer #7 e 8: Rancho Sangrento e A Prisioneira

plano critico Tex Willer #7 Rancho Sangrento crítica

  • Leia a crítica para as outras histórias desta série aqui.

Rancho Sangrento e A Prisioneira dão continuidade à aventura iniciada em Os Dois Desertores, agora em avançada cavalgada de Tex ao lado de Pedro e Miguel, “concluindo” a busca pelos jovens sequestrados em São Tomás. As aspas que uso aqui são pelo fato de todos os sequestrados já terem sido encontrados, mas a trama parece longe de ser finalizada. Chegando a Tesah, já em terras mexicanas, o Águia da Noite e seus compañeros usam a desculpa mais perigosa possível para se infiltrarem no covil dos bandidos, criando mais uma daquelas situações de perigo aparentemente impossível de se contornar.

Mesmo tendo gostado bem mais de A Prisioneira, em ação e entretenimento, ambas as edições são muito boas e mostram que Mauro Boselli consegue dar um ótimo senso de continuidade em cenários de características bem distintos. Enquanto Rancho Sangrento é basicamente uma edição de busca e fuga, com tensas cenas noturnas e a colocação da pradaria como uma das fontes de medo e surpresas (negativas), A Prisioneira é uma edição mais contida, especialmente em sua segunda metade. O texto, nas duas edições, segue a lógica particular do espaço geográfico para exigir alguma coisa dos personagens, inclusive criando distintas formas de ação, algo pelo qual deve-se elogiar bastante a arte de Bruno Brindisi, mais uma vez, com destaque para a edição oito.

Um ponto que o roteiro trabalhou com muito cuidado e que teve uma colocação definitiva ao final de A Prisioneira foi a relação entre Tex e os dois desertores, um tipo de parceria ambígua e cheia de pequenas piadas envolvendo a honestidade/desonestidade deles, abordagem que acaba fazendo sentido aqui, cobrando um preço alto e que o autor usa, sabiamente, como cliffhanger — embora eu acredite que eles não traíram Tex, apenas tomaram uma decisão desesperada para escapar de um problema desesperador.

plano critico tex rancho sangrento a prisioneira

O editorial de Mauro Boselli em A Prisioneira dá conta de algo que eu vinha pensando desde a edição anterior: quando esse arco vai acabar? O autor e editor do título traz um pensamento interessante sobre a duração dessas histórias e a ânsia de alguns leitores em relação ao fim desse arco e o começo de outro, às vezes perdendo um pouco o prazer da jornada, tendo sempre o fim como foco. É algo que faz pensar. Por um lado, ele tem total razão. Por outro, é preciso ter em mente que uma história segmentada e com finais aberto por muito tempo pode ser um tiro no pé. Até agora as coisas têm se saído muito bem para Tex Willer, então confio que Boselli saberá até onde deve esticar a trama sem fazer com que ela perca o fôlego e se torne apenas enrolação em capítulo. Em Tex nós ainda confiamos.

Tex Willer #7 e 8: Le Avventure di Tex Quand’era Ancora uno Scatenato Fuorilegge
Rancho Sangriento / La Prigioniera (Itália, maio e junho de 2019)
Editora original: Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Mythos, julho e agosto de 2019
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Bruno Brindisi
Capa: Maurizio Dotti
66 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.