Crítica | The Ballad of Genesis and Lady Jaye

Primeiro longa-metragem da diretora francesa Marie Losier, esse documentário é um misto de experimentalismo e mal gosto, coisa que eu não via há muito tempo. Já nos primeiros minutos de exibição do longa, percebemos que não se trata de um filme muito normal. É como se o universo musical da loucura se juntasse ao desse casal excêntrico documentado pela uma câmera incômoda e montagem picotada.

A história de Genesis P-Orridge (Throbbing Gristle, Psychic TV) e sua namorada Lady Jaye é digna de ser comparada a história de Frankenstein, dada a natureza desse amor incomum, com cirurgias plásticas e desconstrução do próprio corpo para que ficassem iguais. As citações ao Velvet Underground, The Doors e ao cineasta Derek Jarman dizem um pouco sobre o mundo artístico e psicodélico documentado por Marie Losier. O único problema é que ao término do filme, parece-nos que a cineasta não documentou nada, tamanha é a ausência do foco narrativo para a história.

Em termos gerais, levando em conta o contexto e as particularidades de liberdade de vida em todos os sentidos, o filme tem um tom de completude, afinal de contas, não seria cabível realizar um documentário sobre artistas de vanguarda psicodélica sem que o formato do filme obedecesse a esse parâmetro do conteúdo. Mas isso também não significa que o filme não devesse fazer sentido a maior parte das vezes. E não o faz não só porque é distante do mundo a que estamos acostumados, mas por incompetência da realizadora, que deixou passar batido o foco central do filme – sequer saber quem são essas pessoas, a classificação de gênero musical que realizavam, etc. – e permitiu que a montagem fosse composta por cenas completamente desnecessárias, sem sentido algum para o corpo do filme.

Pergunto-me se no final das contas, a pobreza da forma – e de certo modo, do conteúdo do filme – fazia da intenção geral da obra. Mas ao analisar bem o contexto, vejo que a diretora lutou até o fim para nos transmitir uma mensagem lúcida em meio a tanta insanidade e humor nonsense, mas se revelou plenamente incapaz disso.

O que aparece do forma saturada em alguns documentários, míngua nessa história de Lady Jaye: números musicais. Não chegamos a ver um único número musical, uma única música inteira da artista ou de sua banda, um erro crasso para um documentário que pretende trazer ao conhecimento do público artistas desconhecidos e momentos da histórica da música que sequer imaginávamos conhecer – particularmente, jamais havia ouvido falar nesse casal e seu estilo de música e arte.

O que permanece de bom no filme é a discussão sobre gêneros e liberdade sexual em nossa sociedade que dita modelos de corpo e estilos vida. Em meio a uma estética entre o kitsch, o trash e o brega, alguma coisa, ao menos, deveria ter de bom.

The Ballad of Genesis and Lady Jaye (EUA, 2011)
Direção:
Marie Losier
Duração: 75min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.