Crítica | The Batman Chronicles: Got a Date With an Angel

estrelas 4

Há apenas três noites o jovem Bruce Wayne sentiu que estava preparado… preparado para vestir o manto do trabalho que ele escolheu para sua vida. Há três noites, o capuz foi usado e a capa voou no vento da noite. Batman surgiu!

A edição #19 da série The Batman Chronicles trouxe três contos ambientados no universo do Batman, focando o seu passado. Got a Date With an Angel, o melhor e mais importante dos três, acompanha as noites de número 4, 5 e 6 do herói vestindo o manto, ou seja, essa história se passa no início de abril do Ano 1 (e podemos afirmar isso com certeza porque em Ano Um, de Frank Miller, a primeira noite em que o Batman aparece em Gotham City é 9 de abril).

O roteiro de Steve Englehart consegue fazer uma ótima ligação entre a vida pessoal de Bruce Wayne, então comprometido com Viveca, e suas primeiras rondas por Gotham, explorando, é claro, a dificuldade do herói em cumprir os seus compromissos pessoais dada a dimensão dos problemas que sua outra identidade lhe apresentava.

Há um tom cômico e bastante amigável no texto, mas essa impressão superficial não fica em evidência por muito tempo. É interessante que em apenas 20 páginas, Englehart consegue mostrar um pouco do drama pessoal de Wayne/Batman, trazendo, inclusive, um dos primeiros contatos do herói com morte de inocentes (uma garota de 9 anos e alguns policiais morrem em consequência de uma de suas ações). Vemos também a postura do Morcego nesses primeiros dias ainda um pouco reticente e sempre lembrando-se do verdadeiro motivo pelo qual “fazia aquilo”.

A arte de Javier Pulido tenta aludir ao trabalho de Mazzucchelli em Ano Um, mas sem copiá-lo. O artista tem a clara intenção de mostrar o passado com traços despreocupados, a maior parte das vezes finos e de finalização cartunesca, uma visão geral que acaba tendo coloração apropriada de Dave Stewart e realmente se parece com uma crônica “antiga”.

Pode-se ler Got a Date With an Angel como a primeira renúncia pessoal de Bruce Wayne desde que se tornara um herói. Ele se dá conta que sua vida pessoal será marcada pela outra identidade e, se não quiser errar como herói e magoar as pessoas que ama e pelas quais é amado, deverá afastar-se delas (exceção aqui à persona de Alfred), ou não conseguirá cumprir sua missão. Uma conclusão pesada e realmente difícil para alguém que não tinha nem uma semana como super-herói.

The Batman Chronicles Vol.1 #19: Got a Date With an Angel  (EUA, dezembro de 2000)
Publicação: DC Comics
Roteiro: Steve Englehart
Arte: Javier Pulido
Cores: Dave Stewart
20 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.