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Crítica | “The Battle at Garden’s Gate” – Greta Van Fleet

por Kevin Rick
1463 views (a partir de agosto de 2020)

Desde seu álbum From the Fires, e a explosão do single Highway Tune, a banda Greta Van Fleet, composta pelos irmãos Josh Kiszka (vocal), Jake Kiszka (guitarra) e Sam Kiszka (baixo), e o baterista Daniel Wagner, tem recebido um mix de críticas negativas e elogios, estabelecendo uma curiosa fanbase em ascensão. Tudo parte das comparações com bandas de rock clássico, em especial Led Zeppelin pelos vocais similares de Josh e Robert Plant, ainda que o jovem sempre pareça estar forçando essa comparação. Essa estética nostálgica, tanto imposta pelo público, como também assumida pelo quarteto, dita o tom homage de The Battle at Garden’s Gate.

Por proporem um som “fora do seu tempo”, a banda de Michigan parece sempre se encontrar em um dilema entre trazer uma melodia que tenta resgatar o rock clássico, caindo numa musicalidade propagandista do gênero, ou então tentar criar uma reformulação no seu mimetismo, o que poderia afastar grande parte do seu público que busca seu som pela novidade nostálgica. E no seu mais novo álbum, a banda decide mais pelo caminho do sucesso do que conceber seu próprio individualismo.

O interessante é que ao assumir a mesmice e a homenagem, a banda pelo menos foge do dilema e entra de cabeça na sua bolha musical, consequentemente criando sua própria fantasia de que ainda estamos nos anos 70 e o rock reina absoluto nas paradas de sucesso. A parte lírica das canções passam essa imagem de negação ao mundo moderno, em um épico do rock baseado no otimismo, visto no trecho de Broken Bells:I believe the sun still shines, and I believe there comes a time“, em um sopro repetido de Stairway to Heaven, no teatral Tears of Rain, uma balada de guitarra em camadas até o final explosivo, e no Light My Love, conduzido por piano ​​para adicionar profundidade ao ótimo senso espacial e expansivo que a voz de Josh é capaz de evocar. Muito como bandas clássicas do gênero, existe uma pegada apocalíptica, um épico de forças da escuridão e luz em ação nos vocais estridentes, com um estética meio mitológica no alcance de Josh. Infelizmente, a banda continua retornando ao mimetismo.

Por isso é complicado falar de Greta Van Fleet sem fazer comparações, mesmo tentando seriamente escutar a obra pela obra, mas o grupo faz bem pouco para se distanciar dos mantos esvoaçantes, solos de guitarra estranhos, vocais lamentosos e cheio de falsettos que ditavam o rock de arena dos anos 70. Títulos filosóficos como Age of Machine Built by Nations, na idealização do clássico rock de desajustados contra o sistema, e contos de bárbaros e nações, preenchem o resgate que a banda quer fazer no épico. Aliás, a duração das canções, em sua grande maioria em torno de 5 minutos, colaboram para a ambição antepassada. Contudo, a forma dada a esse resgate é envolta pela falta de distinção ou carisma, especialmente no arrastado segundo ato do álbum.

Não tenho tantos problemas com o criticado “mais do mesmo” no rock, e adoro o que AC/DC fez em seu último álbum ao assumir esse conceito e oferecer um som revitalizado, mas o problema da banda está na completa falta de originalidade, em um preciso cosplay da época que é tão devota. Existe um seriedade dada ao tom das faixas, no qual a banda não parece ter autoconsciência da cópia dentro da homenagem, descartando a ironia que provavelmente elevaria a harmonia. Dessa forma, há uma tentativa forçada de ser autêntico, mais bem vista no excessivo vocal de Josh, que tem sim uma bela voz, mas passa grande parte do álbum enamorado com seus diferentes alcances do que seguir harmoniosamente o instrumental, que, em contraponto, é recheado de riffs derivativos e repetitivos. Falta restrição do vocalista em momentos mais quietos e ritmos mais lentos, e os instrumentalistas definitivamente precisam entender que influência é diferente de plágio.

Outro grande problema da obra está na semelhança das músicas, aonde tive séria dificuldade em diferenciar as canções. Greta Van Fleet continua seguindo a cartilha de resplandecer Led Zeppelin a todos os momentos, e o fato de fugirem de uma musicalidade de paródia, querendo transpor uma falsa criatividade na homenagem transforma The Battle at Garden’s Gate, senão de todo ruim, aquém de uma boa qualidade musical. Existe talento aqui, principalmente de Josh, e gostei da certa estética épica e espacial, mas a banda precisa se desvencilhar do Led Zeppelin. Eu consigo aceitar a homenagem e a semelhança, mas a cópia continua atrapalhando Greta Van Fleet de criar sua identidade.

 

Aumenta!: Broken Bells
Diminui!: Built By Nations, Stardust Chords, Caravel, The Weight of Dreams

The Battle at Garden’s Gate
Artista: Greta Van Fleet
País: EUA
Lançamento: 16 de abril de 2021
Gravadora: Lava/Republic
Estilo: Rock

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13 comentários

Handerson Ornelas. 23 de abril de 2021 - 21:28

Concordo bastante com seu ponto, Kevin. E na minha opinião nem é questão de similaridade com Led Zeppelin, pra mim isso já ficou meio pra trás. O primeiro álbum deles era pastiche demais da banda do Jimi Paige, mas hoje eu vejo eles como simples emuladores do hardrock setentista e oitentista. Porque se tentassem repetir o som do Led Zeppelin ainda soariam mais autênticos, o que vejo agora é eles soarem como 57129379 bandas de hardrock genéricas dos anos 80. E existem dezenas de bandas fazendo esse exato mesmo som hoje em dia, mas como o Greta são jovenzinhos de geração Z que conseguiram obter sucesso, precisam ser bode expiatório de todo esse backlash.

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Kevin Rick 23 de abril de 2021 - 21:57

Exatamente, Handerson! Esse tipo de banda nem tem tanta atenção atualmente, mas o Greta conseguiu esse status que você coloca. Uma pena viu, porque eu curto a voz do Josh.

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Cesar 23 de abril de 2021 - 21:26

Primeira vez que vou discordar do Sr. Kevin Rick nesse site, hehehe.

Estou completamente apaixonado por esse disco! O Led, junto do Metallica são as bandas da minha vida, e isso fez com que eu virasse a cara pro Greta de inicio. O mimetismo em relação ao Led me incomodava. Mas quando ouvi esse disco, pirei! Depois da primeira audição, já ficou várias passagens diferentes na cabeça, e isso é sempre bom.

Broken Bells que você cita também é uma das minhas favoritas. Mas vejo como carro chefe do disco, Age of Machine e The weights

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Luiz Santiago 23 de abril de 2021 - 21:46

Primeira vez que vou discordar do Sr. Kevin Rick nesse site, hehehe.

Espere só para saber da opinião dele sobre novelas…

Responder
Kevin Rick 23 de abril de 2021 - 21:51

Eu gosto de tudo, desde que eu ache bom.

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Cesar 23 de abril de 2021 - 23:42

hauahauahauahauahauahauhauahaua Kevin, o noveleiro é?

E vc hein, Sr. Luiz Santiago, ja ouviu essa belezinha ae?

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Luiz Santiago 24 de abril de 2021 - 00:35

Ainda não! Mas gosto bastante da banda e já estou preparando para começar a escrever uma certo aviso prévio para certos críticos aí, sabe…

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Kevin Rick 23 de abril de 2021 - 21:59

Hehehe tudo bem discordar, meu amigo! Tem uma pegada nostálgica que traz a gente para o rock clássico. Pra mim não funciona tão bem, mas que bom que você gostou!

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Sabrina 23 de abril de 2021 - 19:45

Não sei porque essa banda ganhou tanto destaque com o publico e com a crítica . Bandas que tem essa pegada anos 70 e que na minha opinião são muito melhores como Rival Sons e Dorothy não tem esse destaque todo .

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Kevin Rick 23 de abril de 2021 - 22:01

É como eu falei. Eles criaram uma curiosa base de fãs em torno da nostalgia, e tiveram esse sucesso. É triste pensar que se eles fossem mais experimentais e menos genéricos, não teriam o mesmo sucesso.

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planocritico 23 de abril de 2021 - 19:09

Ué, não tem comparação com Star Wars?

E muito claramente não gostou só porque não é trilha sonora de novela…

Abs,
Ritter, o Revelador de Verdades Dolorosas.

Responder
Kevin Rick 23 de abril de 2021 - 15:11

LARGA DO MEU PÉ!!

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Kevin Rick 23 de abril de 2021 - 19:11

LARGA DO MEU PÉ!!

Responder

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