Crítica | The Big Bang Theory – 12X09: The Citation Negation

Contém spoilers.

Os videogames retornam como personagens importantes para The Big Bang Theory. The Citation Negation, enquanto deixa um enfoque mais dramático residir sobre a trama principal, envolvendo a descoberta, por parte de Leonard (Johnny Galecki), que a teoria formulada por Amy (Mayim Bialik) e Sheldon (Jim Parsons) já fora previamente pensada e rejeitada por doutores russos, explora a sua vertente cômica com a introdução de Bernadette (Melissa Rauch) ao Fortnite, popular jogo eletrônico no formato battle royale. A premissa comporta Bernadette buscando ser melhor que Howard no game, superando-se em um quesito em que o seu marido possui, invariavelmente, mais competência, jogando há mais tempo. A justificativa para esse interesse desmorona qualquer intenção cômica. O quanto Bernadette ganha a mais que o seu marido não é suficiente, sendo aparentemente necessária uma competição boboca entre o casal, para o roteiro fomentar humor, mas sobre um texto sem muita originalidade. As demais qualidades da mulher são usadas para embasar uma frustração desnecessária, um pouco preenchida de hostilidade.

A jornada, portanto, é uma solução humorística que, em última instância, não consegue ser tão engraçada assim, soando agressiva às próprias criações, originando problemáticas sem utilidade narrativa, senão o fim cômico pelo fim cômico. O capítulo, por outro lado, brinca com dinâmicas consagradas, como Bernadette sendo auxiliada, no entendimento desse universo de entretenimento, por Penny (Kaley Cuoco), que mostra ser muito melhor no jogo que a amiga, porém, ao mesmo tempo, o episódio também entende a necessidade de certa renovação nas conexões, colocando a personagem para, em seguida, procurar uma melhora de suas habilidades com Denise (Lauren Lapkus), subvertendo, um pouquinho, o estereótipo de meninas serem inferiores a meninos em videogames – contudo, nenhuma interação entre as duas é mostrada. The Citation Negation, de uma certa maneira, continua a fazer piada sobre as garotas adentrando esse mundo masculinizado, e, paralelamente, não transporta uma inteligente malícia para romper com esse pré-conceito, sem que, no percurso, traje obviedade discursiva, panfletária e rasa.

Já um outro plano abordado pelo episódio e que funciona demasiadamente melhor é justamente o seu principal, discorrendo sobre uma reviravolta na narrativa do casal que, agora mais do que nunca, assumiu as rédeas como o mais relevante da série, principalmente da sua décima-segunda temporada. A descoberta de que a teoria acerca de assimetria – alguma coisa da espécie, não me façam entrar em detalhes científicos, que desconheço obviamente – estava fadada à rejeição é extremamente triste, mas não se rende completamente à desnorteação deprimida, melodramática – uma série de comédia, afinal. O temor em contar as más notícias cria espaço propício para uma imersão do espectador nesse tragicômico enredo, resultando no ataque de nervos de Sheldon, também graduando do entristecido ao emocional enraivado. Jim Parsons está excelente nesse episódio, uma de suas melhores atuações, em oposição ao mais do mesmo costumeiro. O casal, portanto, ganha um objetivo mais concreto, de resistir ao fracasso em um dos pontos que, teoricamente, sustentavam o seu casamento. O que significa uma teoria em frente ao amor?

The Big Bang Theory – 12X09: The Citation Negation – EUA, 16 de novembro de 2018
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Mark Cendrowski
Roteiro: Eric Kaplan, Tara Hernandez, Jeremy Howe
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Lauren Lapkus
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.