Crítica | The Big Bang Theory – 12X10: The VCR Illumination

Contém spoilers.

Sheldon Cooper (Jim Parsons) está profundamente enlutado, depois que sua teoria, desenvolvida juntamente com Amy (Mayim Bialik), foi supostamente impossibilitada dada a revelação de alguns estudos russos, surpreendentemente achados pelos seus amigos, que a rejeitavam. The Big Bang Theory continua o que The Citation Negation havia começado, propondo-se a cuidar do seu icônico personagem de uma maneira cuidadosa, sem criticá-lo por estar sentindo uma profunda derrota, mas ajudando-o a superá-la e seguir o jogo que é a vida. Leonard (Johnny Galecki) e Penny (Kaley Cuoco) mostram ser presenças ao redor do físico que se importam com o seu bem-estar, o que encaminha o episódio a uma narrativa sobre reconstrução da esperança, com uma vertente emocional até mesmo inesperada, revelada nos ótimos últimos minutos do capítulo.

As piadas entendem, novamente, porque a temporada compreendeu para si essa característica igualmente em demais ocasiões, uma nostalgia interessante, retomando pontuações do passado para colocar no presente e criar comicidade através disso. O exemplo mais óbvio de The VCR Illumination é a reorganização do nome Fun With Flags, clássico gag da série. A premissa do capítulo possui Sheldon revisitando suas concepções e suas verdades particulares, dos seus gostos e desgostos, como se estivesse propenso a corrigir enganos anteriores. A raiva presente no episódio que antecedeu é substituída por uma aceitação subvertida, séria para a mentalidade do personagem. O crossover com Young Sheldon é sensacional, consciente dentro de um escopo também narrativo, a serviço do enredo e não sendo o enredo por si só. A coesão é orgânica.

Os acertos dramáticos, portanto, acontecem com a aparição do pai do personagem proferindo um discurso aos seus jogadores, ironicamente redefinindo um conceito passado de Sheldon, ao passo que supostamente o cura dos seus males. Sheldon está preocupado em reconfigurar suas visões que podem estar erradas, o que, em um caso só, realmente acontece. Howard (Simon Helberg), secundariamente, também recebe atenção dos roteiristas, que afirmam uma condição, contudo, puramente humorística a essa sua trama paralela. O episódio não se preocupa, em momento algum, no estabelecimento de qualquer valor dramático no arco do mágico, porém, a comédia é soberba, contrastando as aspirações desesperançadas de Howard com as vontades egocêntricas de Bernardette (Melissa Rauch). Uma gostosa experiência cômica e emotiva.

The Big Bang Theory – 12X10: The VCR Illumination – EUA, 6 de dezembro de 2018
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Mark Cendrowski
Roteiro: Steve Holland, Steven Molaro, Bill Prady
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Christine Baranski
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.