Crítica | The Big Bang Theory – 12X22: The Maternal Conclusion

Contém spoilers.

The Maternal Conclusion é, por um ponto de vista, o penúltimo episódio de The Big Bang Theory, em decorrência da exibição conjunta dos dois próximos, os que encerram a série, em um capítulo estendido. Dito isso, é curiosíssimo que o seriado dedique tanto tempo para concluir uma trama secundária aparentemente desimportante. O relacionamento de Leonard (Johnny Galecki) com sua mãe nunca foi dos melhores, muito mais científico que amoroso. Os roteiristas poderiam ter parados por aí, com a “piada” entrando em um looping eterno para além da última cena da série terminar. Mas The Maternal Conclusion é, como aponta o seu nome, uma conclusão maternal, ansiando dar um ultimato a esse relacionamento problemático, como a outros relacionamentos problemáticos que também são solucionados aqui enquanto começamos a nos despedir da sitcom.

Os maiores apelos cômicos moram nos demais núcleos: um envolvendo Stuart (Kevin Sussman) e um outro, mais principal, relacionado a Raj (Kunal Nayaar). Enquanto a trama de Stuart com a sua namorada navega pelas mesmas águas secundárias que o núcleo de Leonard, o arco de Raj é mais particular dessa temporada e do que apresentaram ao personagem. O seu relacionamento com Anu ganha uma conclusão, quando ela quer que o seu namorado se mude para a Inglaterra consigo. O toque de comédia, contudo, reside na declaração de Howard (Simon Helberg)  ao seu amigo em um aeroporto, encerrando com chave de ouro essa proposta pela amizade dos dois como algo maior que tudo. O teor clichê de comédia romântica engrandece o todo, dando uma intensidade ao humor e ao drama até, que melhora bem o arco e sua premissa um tanto abrupta.

O encerramento da trama de Stuart com Denise (Lauren Lapkus), em outra instância, também cresce a qualidade do núcleo como um todo. O roommate perturbado, por exemplo, só é engraçado mesmo na última cena. The Big Bang Theory quer dar valor a essa intimidade.O grande destaque dramático, entretanto, mora na questão materna. Leonard realmente acredita que sua mãe esteja se interessando pela sua pesquisa científica, mas tudo não passava, para seu azar, de outro experimento. Beverly (Christine Baranski) novamente queria analisar o comportamento do seu filho. Galecki então expressa uma raiva subjacente muito sensível, mesmo que o ator não entregue completamente a verdade em vista de um texto um pouco expositivo. Já Christine Baranksi simplesmente carrega a última cena entre os personagens com uma grandeza ímpar.

O episódio não é meramente gracioso, em contrapartida a uma noção ingênua do caso. A sua exibição ocorre apenas alguns dias antes da celebração norte-americana às mães – e que acontece na mesma data no Brasil, no segundo domingo de Maio. Como acontece com Beverly, existe uma questão menos caridosa presente na situação, no entanto, isso não impede de propósitos mais puros estarem paralelamente intrínsecos. E no caso da série, encaminhando-se ao término em meio a uma temporada superior às anteriores, eles ainda são mais visíveis. The Big Bang Theory abraça apertadamente o seu público, que o perdoa por ter mostrado ser muitas vezes uma série mais impessoal e desalmada do que deveria ter sido. Agora, porém, a sitcom reencontra uma espírito melhor intencionado, externando sinceridade e preocupação com minúcias relevantes.

The Big Bang Theory – 12X22: The Maternal Conclusion – EUA, 9 de maio de 2019
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Kristy Cecil
Roteiro: Eric Kaplan, Jeremy Howe, Steve Holland
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Kevin Sussman, Lauren Lapkus, Christine Baranski, Rati Gupta
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.