Home TVEpisódio Crítica | The Blues – Uma Jornada Musical: Piano Blues

Crítica | The Blues – Uma Jornada Musical: Piano Blues

por Ritter Fan
252 views (a partir de agosto de 2020)

The Blues – Uma Jornada Musical é um documentário em forma de minissérie produzida por ninguém menos do que Martin Scorsese que foi ao ar originalmente na televisão pública americana PBS e que, como o nome indica, é dedicada a contar a história do blues. Composta de sete episódios completamente independentes, cada um focando em um aspecto do gênero musical, a estrutura é de telefilme, não de episódios de duração tradicional, capitaneados por diretores de renome como o próprio Scorsese, Wim Wenders e Mike Figgis. Clint Eastwood foi convidado a dirigir o último longa da série, Piano Blues, focado, claro na importância do piano para o blues o que ele aceitou, marcando apenas seu segundo trabalho de direção para a televisão até hoje, depois do episódio 1X12 de Histórias Maravilhosas 18 anos antes.

Muita gente sabe, mas não custa repetir que Eastwood, além de ator, diretor e produtor, é pianista e compositor, tendo já escrito e até executado diversas músicas em seus próprios filmes, além de ter dirigido a cinebiografia de Charlie Parker, famosa figura do jazz, em Bird, de 1988. Natural, portanto, que ele fosse chamado por Scorsese para fechar a série com seu instrumento de preferência, em um documentário longa-metragem agradabilíssimo de se ver e que conta com uma das últimas entrevistas e performances de Ray Charles, que faleceria pouco mais de nove meses depois que o telefilme foi ao ar.

Estruturalmente, o documentário é muito simples. São pequenos trechos de entrevistas com lendas vivas (à época, claro) do blues normalmente em estúdios de gravação e à frente de um piano de forma que cada um possa dar sua “palinha” intercaladas com imagens de arquivo variadas de grandes lendas do blues citadas pelos entrevistados. Eastwood não só é o narrador em off, como também o entrevistador na frente das câmeras, geralmente fazendo perguntas muito básicas como “como foi seu primeiro contato com o piano?” ou “quem é seu pianista favorito?” e por alguns segundos, mais ao final, dando sua opinião de que o “jazz e o blues são as únicas artes verdadeiramente americanas”.

Quem procurar Piano Blues para conhecer detalhes dos entrevistados – além de Charles, que ganha mais tempo de tela, há Dave Brubeck, Dr. John, Marcia Ball, Pinetop Perkins, Henry Gray, Jay McShann e Pete Jolly – provavelmente sairá desapontado da experiência. O longa não tem esse objetivo. Ele é muito mais uma homenagem a grandes nomes do passado e do presente que tornaram o piano elemento integral e inafastável do gênero musical sendo abordado, com um realmente impressionante trabalho de garimpo audiovisual que nos permite ver pequenos trechos de shows de Count Basie, Charles Brown, Professor Longhair, Fats Domino, Otis Spann, Art Tatum e muitos outros que são as mais puras manifestações de seus respectivos e imbatíveis talentos musicais, tudo complementando por pequenas performances dos entrevistados.

É quase como Eastwood estivesse querendo congelar no tempo e dizer algo como “esse é o estado do blues hoje, quando fiz esse filme” e ele é bem-sucedido nessa empreitada, ainda que, de fato, ele talvez pudesse ir um pouco além do meramente básico no que se refere as perguntas feitas aos entrevistados, todas elas parecendo improvisadas, sem muita preocupação com as várias repetições que acabam acontecendo. Piano Blues tem documentário na descrição, mas música na alma e o que o diretor quer é mais deixar seus convidados arrasarem no piano mesmo, em alguns casos, com suas idades avançadas que em absolutamente nada atrapalham seu domínio completo do instrumento de preferência.

Piano Blues cumpre sua função de ser um veículo de homenagem aos nomes que aparecem diante das câmeras e todos aqueles que os antecederam, mostrando, também, o amor de Clint Eastwood pela música, algo que fica estampado quase que o tempo todo em seu rosto. Não é um grande documentário sobre a história do blues em termos de conteúdo, mas é uma grande saudação a esse sensacional gênero musical.

The Blues – Uma Jornada Musical: Piano Blues (The Blues – A Musical Journey: Piano Blues, EUA – 04 de outubro de 2003)
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Peter Guralnick
Com: Clint Eastwood, Ray Charles, Dave Brubeck, Dr. John, Marcia Ball, Pinetop Perkins, Henry Gray, Jay McShann, Pete Jolly
Duração: 90 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais