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Crítica | The Boys – 2X07: Butcher, Baker, Candlestickmaker

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas da 1ª temporada e demais episódios e, aqui, de todos os quadrinhos.

Depois de We Gotta Go Now e The Bloody Doors Off, dois episódios menos espetaculares do que poderiam ser que fizeram a trama ratear um pouco, Eric Kripke parece colocar tudo novamente nos trilhos com Butcher, Baker, Candlestickmaker, que, inspirado de longe no arco homônimo dos quadrinhos que, aqui, foi batizado de Pau pra Toda Obra, nos faz olhar um pouco mais para o passado traumático e violento de Billy Bruto. Aliás, usando esse gancho que, não seria errado dizer, vem já do episódio anterior que nos dá mais detalhes sobre os netos da Coronel Mallory, toda a narrativa é construída ao redor do tema “família”, seja sua destruição, seja sua construção.

Billy é fisgado por sua mãe que, dizendo que seu pai morreu, o faz encontrá-lo cara-a-cara para um último adeus, para um último momento para ele reviver um passado que nas entrelinhas é delineado com terrível, com o pai tendo abusado fisicamente da esposa e dos filhos ao ponto de levar Lenny ao suicídio. Vivido por John Noble, Sam Butcher é, para todos os efeitos, a versão mais velha de Billy e Billy sabe disso, talvez por isso mesmo ressentindo-se tanto do pai. A conversa entre eles, na sacada do que parece um hotel é curta, mas significativa, certamente o suficiente para trazer de volta o Billy de antes de ele ser rejeitado por Becca, ainda que, pessoalmente, tivesse preferido um detalhamento maior do passado do personagem de forma a dar mais relevo à sua personalidade.

Seja como for, esse Billy, então, canaliza toda sua fúria no excelente momento em que ele ameaça toda a família (novamente a família!) de Jonah Vogelbaum (John Doman de volta ao seu breve papel da 1ª temporada), o homem responsável pelo Capitão Pátria e, pior ainda, pelo desaparecimento de Becca, caso ele não deponha na CPI instaurada contra a Vought. Karl Urban novamente revela-se muito bem dentro das limitações de seu papel e ele nos faz acreditar em sua promessa da mesma maneira que acreditamos que o Capitão Pátria poderia matar qualquer um ao seu redor por puro prazer. Afinal, ainda que seja óbvio que os super-heróis desse universo sejam, em sua grande maioria, grandessíssimos FDPs, a grande e dura verdade é que Billy – especialmente ele – não fica lá muito atrás. Na verdade, o que o separa da psicopatia do Capitão Pátria é que Billy pelo menos é impulsionado por seu desejo de vingança e não por caprichos.

Falando no Superman distorcido, quer parecer que ele está perdidamente apaixonado por Tempesta que, fazendo um jogo brilhante, tem total controle dele. Seu desejo repentino de formar uma família com ela, levando-o a revelar tudo para Ryan em outra sequência assustadora pelo tom de ameaça a Becca, de forma a virar o filho contra a mãe é de embrulhar o estômago e cria um excelente cliffhanger que pode levar ao embate – não direto, provavelmente – entre Billy e o Capitão Pátria. Para construir uma família, Pátria está disposto a destruir outra, sem perceber as consequências que seus próprios traumas de infância tiveram nele e que ele pode, agora, estar incutindo em seu próprio filho.

Outra família que é destruída é a de Annie, depois que Tempesta a revela como traidora e Black Noir vai atrás dela e da mãe, somente para Hughie – também querendo um dia construir uma família com Annie – correr para seu socorro, mesmo muito ferido e acompanhado do desequilibrado Lamplighter, por seu turno um homem que sente falta de sua família de super-heróis ao ponto de se matar de maneira espetacular, mas dolorosa. As sequências no QG da Vought, vale notar, são particularmente bem trabalhadas, começando pela esperança que temos de que o ex-Sete vai mesmo bandear-se para o lado da luz e pela forma como seu plano de imolar-se acaba tendo resultado semelhante ao que Hughie queria, já que a luz do alarme energiza Starlight o suficiente para que ela mesmo escape, sendo sensacionalmente salva da morte certa nas mãos de Black Noir por Rainha Maeve e seu conhecimento da kriptonita do personagem: alergia a amendoim/nozes.

Também dentro do tema da família, Profundo parece ter encontrado na Igreja da Coletividade seu novo grupo, ainda que ele claramente nutra esperanças de retornar à sua família original, algo que é repetidamente prometido por Alistair Adana na mesma frase em que ele ameaça e destrói a reputação de Archer the Eagle, deixando Trem Bala desconfiado de todo o teatro do líder religioso. Enquanto os dois ex-Sete tentam retornar ao super-grupo, Elena, por seu turno, deixa Rainha Maeve por não mais suportar o peso daquilo que ela aprendeu de sua amada, em uma sequência emocional que parece levar a “heroína” a uma espiral de auto-destruição que inclui salvar abertamente Annie da morte. Será muito interessante ver como Profundo, Trem Bala e Maeve serão tratados no episódio final e na vindoura 3ª temporada (se ninguém morrer até lá, claro).

A sequência final, das cabeças explodindo, apesar de ser típica da série, não é lá algo particularmente assustador ou surpreendente ou mesmo algo que metaforicamente exploda cabeças como o abalroamento de baleia em Over the Hill with the Swords of a Thousand Men. É apenas uma sequência que destrói o plano dos Rapazes de fazer a Vought afundar de vez e que conversa com a morte de Susan Raynor em The Big Ride. A lógica indica que Cindy, introduzida no episódio anterior, está por trás disso, mas não me pareceu um ataque aleatório, mas sim orquestrado por, diria, Stan Edgar, exatamente como foi o assassinato de Raynor. De toda forma, é esse encerramento apoteótico que muito provavelmente será o centro das atenções no vindouro episódio final da temporada.

Butcher, Baker, Candlestickmaker cumpre sua função primordial de retornar a série à sua história principal e arrumar o tabuleiro para o fim. Apesar de superior aos dois que vieram imediatamente especialmente por retirar Billy Bruto de seu marasmo existencial e por lidar tão bem com uma única temática em comum, o episódio não demonstra ter o mesmo brilho dos melhores momentos da série. Mas não se pode ter tudo ao mesmo tempo, não é?

The Boys – 2X07: Butcher, Baker, Candlestickmaker (EUA, 02 de outubro de 2020)
Showrunner: Eric Kripke
Direção: Stefan Schwartz
Roteiro: Craig Rosenberg (baseado em criação de Garth Ennis e Darick Robertson)
Elenco:
– The Boys: Karl Urban, Jack Quaid, Laz Alonso, Tomer Capon, Karen Fukuhara
– The Seven: Antony Starr, Erin Moriarty, Dominique McElligott, Jessie Usher, Chace Crawford, Nathan Mitchell, Aya Cash
– CIA: Laila Robins
– Vought: Colby Minifie, Giancarlo Esposito
– Outros: Shantel VanSanten, Cameron Cravetti, Nicola Correia-Damude, Langston Kerman, Jessica Hecht, David Thompson, Jessica Hecht, Dan Darin-Zanco, Ann Cusack, Shawn Ashmore, Claudia Doumit, Goran Visnjic, P.J. Byrne, Lynne Griffin, Katy Breier, Greg Grunberg, Lovina Yavari, Lynne Griffin, Andrew Jackson, Ess Hödlmoser, John Noble, Lesley Nicol, John Doman
Duração: 55 min.

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