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Crítica | The Boys – Vol. 9: Montanha-Russa

por Ritter Fan
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  • spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais volumes e, aqui, da série de TV.

O 9º encadernado de The Boys é o mais longo de todos, com mais de 300 páginas e 12 edições da série principal, dos números 48 a 59. Composto por três arcos – Planejamento e Preparativos Prévios, Guerras Bárbaras e Montanha-Russa – o volume é, muito claramente, uma longa rearrumação de tabuleiro para permitir o encerramento da saga nos três volumes seguintes, um deles – o próximo – focado em Billy, o Carniceiro e composto de edições dedicadas quando originalmente publicada, exatamente como foi o caso de Herogasm e O Rapaz Escocês.

Os dois primeiros arcos são tematicamente muito próximos, já que eles são dedicados a lidar com o passado, de certa forma lembrando Bom para a Alma, em que vimos Hughie conversar longamente com A Lenda, o que resultou em um interessante, mas sem dúvida expositivo demais panorama desse fascinante universo criado por Garth Ennis. A grande vantagem é que a narrativa, aqui, é significativamente mais fluida, com o preenchimento de diversas lacunas sobre o passado e a origem dos super-heróis da Vought American.

O primeiro, Planejamento e Preparativos Prévios, é um flashback completo que leva o leitor de volta para a época em que o grupo agora liderado por Billy era comandado pelo misterioso Mallory, com ele sendo o verdadeiro foco de toda a abordagem. Aqui, vemos em detalhes o primeiro grande conflito entre os The Boys e Os Sete que leva ao assassinato das netas por Lamplighter que, por sua vez, é entregue pelos Sete para Mallory como forma de se chegar a um cessar fogo entre eles. Essa é, sem dúvida alguma, um história que o leitor de The Boys já conhecia de uma maneira ou de outra pela forma como comentários aqui e ali foram pontilhados nos diversos volumes anteriores, pelo que não há grandes novidades. Trata-se muito mais de uma boa tentativa de se ilustrar e organizar o acontecido, contar uma história relevante com a formação original do grupo, algo que até então não havia sido mostrado, revelar os detalhes da saída de Mallory e abrir as portas para o segundo arco do encadernado, que mantém o ex-The Boys em foco.

Guerras Bárbaras mantém a estrutura de flashback, mas no lugar de situar todo o arco no passado como é o caso do anterior, a narrativa é mais tradicional, com o presente sendo intercalado com o passado. No presente, Hughie finalmente tem uma conversa com Mallory, agora efetivamente conhecendo sua identidade verdadeira, o que abre oportunidade para que o ex-agente, que revela ter 91 anos de idade, conte sua história desde a Segunda Guerra Mundial, com o primeiro contato com os super-heróis da Vought no início da Batalha do Bulge (ou das Ardenas), sua função como membro fundador da CIA e, depois, bem mais tarde, como fundador do grupo secreto The Boys para vigiar os seres super-poderosos. As referências ao Capitão América, aos Invasores e o enquadramento de Mallory literalmente com o Nick Fury deste universo tornam os flashbacks muito interessantes, como uma abordagem realista da gênese dos super-heróis ou, como nos acostumamos a chamar, a Era de Ouro.

Claro que estamos falando de Ennis, pelo que o cinismo escorre pelas páginas e a construção dos alicerces desse seu mundo é aterradora, encaixando-se perfeitamente com a conversa de Hughie com A Lenda, só que resultando em uma leitura mais, digamos, colorida e ao mesmo tempo melancólica. Mais importante ainda é que a grande razão pela qual Hughie foi chamado por Mallory é Billy ou, melhor ainda, a preocupação que Mallory tem por ter deixado Billy solto para fazer o que quiser. Em termos micro, Mallory se culpa por criar a demanda que, agora, Billy supre de sua própria maneira, algo paralelizado com a própria história verdadeira e também nos quadrinhos da própria CIA, em uma evidente e muito direta crítica do autor à agência americana e outras agências semelhantes de outros países, especialmente da União Soviética.

Com o passado quase que inteiramente para trás – digo quase, pois há ainda mistérios a serem solucionados, como era de se esperar – Ennis então avança na narrativa principal no último arco, Montanha-Russa, que começa com um assassinato que coloca Jack from Jupiter, d’Os Sete como suspeito principal. A história é, sob todos os aspectos, a forma que o autor encontrou para “repetir os erros do passado”, com um belo paralelismo com a trágica história dos assassinatos das netas de Mallory e a subsequente vingança. Novamente, os The Boys e Os Sete ficam muito próximos de um conflito que acaba não acontecendo graças à frieza de Billy e de Homelander, mas que infelizmente vitima Terror, o cão de Billy que, ato-contínuo, mata Jack from Jupiter com requintes de crueldade em uma sequência magnífica de arte sequencial por parte de Russ Braun, que desenha sozinho a derradeira edição.

Montanha-Russa continua a tendência verborrágica de Ennis para construir seu universo, mas, neste longo encadernado, a narrativa alcança razoável fluidez e mostra uma progressão lógica e efetivamente importante para o futuro da série. Toda aquela apelação para a extrema violência e sexo desregrado fica em segundo plano – e está em segundo plano já há algum tempo, diria – para que o roteirista efetivamente crie uma história macro que independa desses artifícios que, mais cedo ou mais tarde (especialmente depois de Herogasm) tornar-se-iam repetitivos. Seja como for, Montanha-Russa parece marcar o começo do fim da série.

The Boys – Vol. 9: Montanha-Russa (The Boys – Vol. 9: The Big Ride, EUA – 2010/11)
Contendo: The Boys #48 a 59
Roteiro: Garth Ennis
Arte: Russell Braun (Russ Braun), John McCrea, Keith Burns
Arte-final: Keith Burns, John McCrea
Cores: Tony Aviña
Letreiramento: Simon Bowland
Capa: Darick Robertson
Editora original: Dynamite Comics (Dynamite Entertainment)
Data original de publicação: novembro de 2010 a outubro de 2011
Editora no Brasil: Devir
Data de publicação no Brasil: maio de 2020 (encadernado)
Páginas: 304

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