Crítica | The Companion Chronicles – 5X07: Peri and the Piscon Paradox

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Equipe: 5º Doutor, 6º Doutor, Peri
Espaço: Los Angeles
Tempo: 2009

Bom, se é para bagunçar; se a bagunça é inevitável, então que haja uma oficial arrumação para a bagunça toda e… tudo bem! Basicamente é isto que vemos aqui em Peri and the Piscon Paradox, interessante episódio da série The Companion Chronicles, escrito por Nev Fountain e dirigido por John Ainsworth. A trama dá uma nova dimensão àquilo que vimos na saga The Trial of a Time Lord, onde vemos a partida (morte) de Peri, no arco Mindwarp.

O roteiro de Nev Fountain se divide em duas partes, dois longos episódios com diferentes perspectivas para como a história se desenvolve. No primeira, temos a chegada do 5º Doutor e Peri a Los Angeles, no ano de 2009, numa trama que até o momento em que escrevo esta crítica (julho de 2019) está imediatamente antes de The Caves of Androzani. Aqui, todas as coisas parecem acontecer [quase] normalmente, com a dupla enfrentando Zarl, um tipo de criatura-peixe da raça Piscon que, em dado momento, o Time Lord compara com outra raça que conhecera em sua encarnação anterior, em Doctor Who and the Pescatons.

Embora existam elementos paradoxais nesta parte da história (com Peri original encontrando-se com uma versão sua mais velha, o que nós sabemos “não ser possível”), o roteiro procura tratar essa parte da saga da forma mais simples possível, guardando os nós para o segundo ato da aventura. Como era de se esperar, essa manutenção mais simples do texto força o ouvinte a aceitar uma porção de coisas que, mesmo depois, soam desencontradas e carentes de melhor contexto no momento em que aconteceram. Embora não seja um problema tão grande a ponto de arruinar o roteiro por falta de coerência, certamente poderia ser contornado com algumas poucas cenas de ligação entre essas diferentes fases, inclusive facilitando a entrada pra a parte dois, certamente a melhor das duas.

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Aqui vale uma explicação para as muitas versões de Peri. Ao todo, existem no Universo 6 versões diferentes da personagem. A original realmente morreu em Mindwarp. Já as outras 5, apresentadas ao Doutor e à Peri mais velha por um Time Lord no final deste audiodrama, são criadas pelas distintas interferências dos Time Lords na timeline da companion. A Peri Paradoxal Nº1 é aquela salva por Yrcanos e que torna-se rainha. A Peri Paradoxal Nº2 é esta confusa mulher mais velha que protagoniza o ato dois de Piscon Paradox e que parece só ter vivido ou só se lembrar dos eventos de Planet of Fire. Já a Peri Paradoxal Nº3 a 5 não são reveladas, porém, duas ou mesmo três delas podem ser versões para diferentes fases da personagem ao lado de Yrcanos, no decorrer dos anos.

Há que se elogiar efusivamente a forma como o autor guia a ocorrência dos eventos no segundo ato, mostrando ou explicando coisas que tornam os eventos do primeiro ainda mais interessantes. Meu lamento final em relação à história toda é que o paradoxo em si é dado de mão beijada e como um fato consumado apenas no encerramento. Não que isso seja ruim, mas pelo título e previamente sabendo que Peri era o centro das atenções, o espectador imagina que a trama irá trabalhar de fato a questão dos paradoxos se desenvolvendo, mas não é bem isso que acontece. Trata-se de um drama, uma verdadeira crônica de companheira do Doutor, ao final da qual as duas versões se embatem e então vem a explicação para a existência delas e mais algumas outras versões.

Com ótima interpretação de Nicola Bryant e a sempre fantástica presença de Colin Baker nos áudios, Peri and the Piscon Paradox é uma interessante arrumação da bagunça (ou algo mais ou menos parecido) em torno das muitas vidas e mortes de Peri. Mais uma vez, a Big Finish tornando os timey wimeys de Doctor Who — especialmente no Universo Expandido — ainda mais interessantes.

Peri and the Piscon Paradox (Reino Unido, janeiro de 2011)
Direção: John Ainsworth
Roteiro: Nev Fountain
Elenco: Nicola Bryant, Colin Baker
Duração: 151 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.