Crítica | The Lost Stories 4X01: The Dark Planet

estrelas 4

Equipe: 1º Doutor, Vicki, Ian e Barbara
Espaço-tempo: Planeta não nomeado, passado – início dos tempos.

Um planeta orbita um sol moribundo nos primeiros anos do Universo. Existem duas formas de vida ali: as de Luz e as de Sombra. Literalmente. Essas duas forças estão em guerra pelo planeta a muitos anos e ambos os lados desenvolveram tecnologias para garantirem sua sobrevivência e a morte de seus inimigos.

Paranoia. Racismo. Destruição mútua assegurada. Eis aí a espinha dorsal de The Dark Planet.

Este arco inicia a 4ª e última temporada da série The Lost Stories da Big Finish. Nessa aventura, o 1º Doutor, Ian, Barbara e Vicki são arrastados para um conflito aonde são obrigados a tomar partido de um dos lados. Ou de ambos os lados.

A história foi escrita por Brian Hayles (criador do Celestial Toymaker e dos Ice Warriors) e deveria ser exibida na 2ª Temporada da Série Clássica, mas devido ao alto orçamento que o roteiro exigia e a dificuldade de levar adiante os efeitos especiais do roteiro, a BBC achou por bem colocar o roteiro de lado. Particularmente acredito que era possível, dentro da dinâmica da Era Clássica, produzir The Dark Planet. É evidente que os efeitos seriam datados e que iriam parecer saídos de um “filme B”, mas convenhamos que até o início da Nova Série, Doctor Who era assim!

Mas o peso maior para a não produção do arco foi o seu teor dramático para um show familiar e infanto-juvenil dos anos 60, e também porque os episódios 4 e 5 são verdadeiros fillers, portanto, a história realmente parece inchada demais nessa reta final, com um número de detalhes e situações que não acrescentam muita coisa ao que já sabíamos e só prolonga uma realidade que o espectador/ouvinte quer que se resolva o mais rápido possível. Não há dúvidas de que se fosse um arco de 4 partes, sua qualidade subiria e não iria parecer assim não impossível no quesito técnico, uma vez que o peso das descrições de locais e idas e vindas pelo cenário se localizam nesses capítulos.

O Doutor tenta a todo custo fazer com que as duas formas de vida desse planeta se entendam e convivam pacificamente juntas. A mesma coisa pode ser percebida por parte dos companions, que acabam tendo mini-aventuras paralelas, seja porque se separam, são capturados ou porque vão em busca de algo importante.

A lição de moral que emana do texto é evidente para o espectador mesmo antes do arco acabar. Mas isso não é algo ruim. A ligação feita por Hayles com os eventos históricos de seu tempo é eficiente e não perde força na adaptação de Matt Fitton, cujo trabalho apara muito bem as pontas e finaliza a história de uma forma inegavelmente perfeita, com um rearranjo não programado entre Luz e Trevas no Universo.

Com destaque para atuação sempre irretocável de William Russell (1º Doutor e Ian) e ótima apresentação de Maureen O’Brien (Vicki e Barbara), essa última “lost story” do 1º Doutor tem um sabor todo especial de despedida e coloca Vicki, Ian e Barbara numa de suas aventuras mais interessantes ao lado do Doutor.

The Lost Stories (UK, set, 2013)
Roteiro: Brian Hayles(adaptado por Matt Fitton)
Direção: Ken Bentley
Elenco: William Russell, Maureen O’Brien, John Banks, Charlie Norfolk
Duração: 6 episódios de 33 min.
Distribuidora: Big Finish Productions

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.