Crítica | The Early Adventures 1X02: The Doctor’s Tale

estrelas 2,5

Equipe: 1º Doutor, Ian, Barbara e Vicki
Espaço: Inglaterra
Tempo: 1º de janeiro de 1400

The Doctor’s Tale é o segundo episódio da série The Early Adventures, cujo propósito é expandir o universo do e do 2º Doutor através de histórias inéditas. Após a interessante (mas mediana, no todo) estreia da série em Domain of the Voord, episódio com um antigo vilão do Doutor cuja origem nos foi revelada, temos um arco histórico onde a ação acontece na corte do recém deposto Eduardo II e do recém coroado Henrique IV.

O roteiro de Marc Platt, apesar de insosso, consegue capturar muitíssimo bem a atmosfera dos arcos do 1º Doutor, trazendo em cena não só a estrutura de intrigas palacianas medievais ou ações ocorrendo em vários cenários mas também a característica emocional e comportamental dos companions do Doutor, cujo foco principal aqui é Ian e Vicki.

A TARDIS se materializa na Inglaterra, na noite de Ano Novo. O Doutor está resfriado e, no início do episódio The Lord of Misrule, vemos que ele parecia ansioso por sair da nave e explorar o local, talvez por estar doente e precisar de um ar diferente ou porque estava entediado mesmo. O fato é que o texto não coloca em pauta nenhuma cautela ou perguntas do grupo se deveriam ou não explorar o lugar. Ian, Barbara e Vicki se resignam a seguir o Time Lord, concluindo que seria inútil discutir.

 

Como não existe nenhuma ameaça alienígena, o único elemento de ficção científica aqui é o Doutor e a TARDIS. Até aí, nenhum problema. A questão é que a ameaça aos viajantes é forçada, os dois principais vilões (Thomas Arundel, o Arcebispo de Canterbury e Sir Robert de Wensley) não têm um grama de simpatia ou marca forte como vilões e o roteiro, infelizmente, segue pelo horrendo caminho de separar os companions do Doutor e ausentá-los por uma parte da história, exatamente como ocorrera em Domain of the Voord.

William Russell parece bastante cansado e não interpreta o Doutor com a mesma veemência como fazia antes. Na crítica da première eu trouxe o assunto à tona e volto a bater na mesma tecla: é possível que a Big Finish esteja poupando o ator, que agora está com 90 anos, mas percebo que a idade está pesando neste seu jogo de atuação, interpretando Ian e o Doutor. E só para deixar claro, eu não estou dizendo que Russell  está ruim, mas a diferença de sua performance neste arco para uma aventura como Farewell, Great Macedon, por exemplo, é gritante. Mesmo que apenas 4 anos separe um arco do outro, para um senhor de idade, esse tempo, em termos de saúde e energia, significa bastante coisa.

Maureen O’Brien interpreta Vicki e Barbara, saindo-se melhor, claro, no primeiro papel. No caso de sua personificação da primeira companion historiadora (pelo menos de que temos notícia), não é que a atriz não se saia bem, é que quase não temos tempo de ouvi-la em cena. Assim como o Doutor, Barbara é estrategicamente escanteada, opção do roteiro que trouxe todos os pontos negativos possíveis para o andamento da trama e qualidade do arco em geral.

Com uma trilha sonora um pouco aquém do esperado, dinâmica rala na relação entre os companions, trama palaciana que vai se tornando enfadonha à medida que os minutos se passam (à exceção da interessantíssima personagem Isabella, rainha do deposto Ricardo II), e escanteamento do Doutor; além de um título estúpido se considerarmos a realidade da história, The Doctor’s Tale é um arco fraco, uma decepção inesperada (pelo menos para mim) neste início das Early Adventures.

The Doctor’s Tale está localizado entre The Space Museum e The Chase.

Episódios

1. The Lord of Misrule

2. The White Hart

3. Sanctuary

4. The Empty Crown

The Early Adventures 1X02: The Doctor’s Tale (Reino Unido, out, 2014)
Direção: Ken Bentley
Roteiro: Marc Platt
Elenco: William Russell, Maureen O’Brien, Gareth Armstrong, Joseph Kloska, Alice Haig, John Banks
Duração: 120 min. (em 4 episódios)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.