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Crítica | The Expanse – 5X04: Gaugamela

por Ritter Fan
2240 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers da série de TV, mas não dos livros (mantenham assim nos comentários, por favor). Leiam, aqui, as críticas das demais temporadas.

Em 331 a.C., Alexandre, o Grande, conquistador macedônio que basicamente dominou o mundo aos 30 anos de idade, demonstrou sua incomparável estratégia militar ao derrotar de vez os Persas na Batalha de Gaugamela (no norte do Iraque atual) mesmo com um exército muito menor do que o de Darius III. Como o título do quarto episódio da penúltima temporada de The Expanse deixa claro, Marco Inaros é, para todos os efeitos, o Alexandre da série, algo que é reiterado pelo nome de sua nave, Pella, cidade na Grécia onde nasceu o rei.

E, de fato, a estratégia do revolucionário do Cinturão parece mesmo digna de Alexandre, o Grande, pegando a Terra completamente de surpresa com não um ou dois meteoros acertando em cheio o alvo, mas três, causando potencialmente dezenas de milhões de mortes e incontáveis prejuízos econômicos que tenho minha dúvida se haverá espaço na temporada para serem abordados. Se a comparação de Marco com Alexandre for além de Gaugamela, diria que a tripulação da Rocinante, completamente separada, e Avasarala terão muita dificuldade de segurar a onda avassaladora que vem por aí como consequência da devastação na Terra.

O episódio soube aproveitar muito bem o cliffhanger de Mother, construindo uma história carregada de muita ação e tensão que teve como sua atração principal os dois ataques de Marco Inaros: os meteoros em nosso planeta, com direito à excelente sequência em que o UN One é derrubado (pelo menos é o que parece) pelas ondas de choque de um dos impactos, e a detalhada e muito bem coreografada e dirigida operação na estação Tycho que, com um mesmo golpe, destruiu a liderança concorrente do pessoal do Cinturão na figura de Fred Johnson e obteve a valiosa e mortal protomolécula remanescente. O caos está instalado.

Se a linha narrativa envolvendo Holden era a menos interessante, como afirmei em crítica anterior, aqui ela dá a volta por cima completamente graças a uma excelente reviravolta que revela a traidora literalmente bem ao lado de Fred que frustra a armadilha preparada por Holden justamente para descobrir quem havia sequestrado a jornalista. Além de a história em si ter sido muito bem conduzida, a ação foi novamente exemplar, digna da assinatura realista que a série preza muito em manter, valendo destaque para a brutal morte de Fred em gravidade zero e o indestrutível e imparável robô-aranha.

Claro que o desespero de Avasarala – e, bem lá no fundo, satisfação por estar certa, não tenham dúvida – ao ver a Terra atacada e sua estratégia para entrar em contato direto com Nancy Gao para trazer a solução também merecem ser destacados no episódio. Não só Shohreh Aghdashloo mostra total controle sobre cada minúcia de sua fascinante personagem, como parece que o cenário foi armado para que ela volte ao poder nem que seja na base da última pessoa disponível, como em Battlestar Galactica ou, mais recentemente, em Designated Survivor. A diferença, claro, é que Avasarala está mais do que preparada para arregaçar as mangas e montar um contra-ataque ou, no mínimo, chegar a algum tipo de cessar fogo temporário.

No lado de Naomi, capturada por seu filho e levada até Pella, ainda que eu tenha certeza que sua presença ali será importante para o desenrolar da temporada, não sei se gostei do desenrolar da narrativa, já que sua função foi, basicamente, a de ouvir o pré-discurso de Marco Inaros revelando o que fez e racionalizando seus atos. Pareceu-me um pouco demais de texto expositivo para assunto que já estava claro o suficiente, além de ser, em seguida, reiterado pelo discurso de Inaros transmitido para todas as frequências. O roteiro de Dan Nowak teria se beneficiado de um pouco mais de celeridade nesse aspecto.

Falando em funções importantes futuras, o mesmo pode ser dito tanto da dupla Bobbie e Alex perseguindo a nave militar sob suspeita de tráfico de armas, quanto de Amos que partiu para visitar Clarissa Mao, irmã de Julie, na super-prisão subterrânea. São dois interlúdios muito bem construídos, que colocam debaixo do braço e carregam com orgulho a construção humana que é a outra característica essencial da série. Basta reparar na conversa de Alex e Bobbie sobre o “fim de Marte” com um tom sóbrio, de verdadeiro pesar na compreensão de que o planeta que tanto amam parece ter sido completamente corrompido e corroído de dentro para fora. Por outro lado, Amos, o grande durão da série parece ter visitado Clarissa por uma espécie de ensinamento de Lydia a ele, na linha de ajudar o próximo sempre que possível. Simples, mas muito eficiente, especialmente partindo deste personagem. Além disso, esses dois momentos “menores” parecem armar suas próprias narrativas, uma que continua a investigação espacial comandada originalmente por Avasarala e uma outra de sobrevivência, já que a prisão parece ter sido impactada por um dos meteoros.

Pode ser que por um lado a separação da tripulação da Rocinante de maneira tal que parece que ela não se reunirá tão cedo frustre muita gente, mas o que realmente importa é como cada peça no quebra-cabeças será usado para formar um conjunto lógico e bem estruturado, o que, até agora, tem sido alcançado. Claro que os anéis passaram a ser pano de fundo narrativo, mas a exploração de outros planetas nunca me pareceu a melhor forma de usar o potencial da série, especialmente considerando o tanto de história que ainda há para contar em nosso Sistema Solar. Mas a presença deles e da protomolécula, mesmo que não em primeiro plano, continua lá muito clara e essencial para as motivações de cada jogador nesse cada vez mais complexo jogo. Será muito interessante ver até que ponto a versão espacial de Alexandre, o Grande irá antes de ser derrotado de maneira inglória como aconteceu na vida real.

The Expanse – 5X04: Gaugamela (EUA – 23 de dezembro de 2020)
Showrunners:
 Mark Fergus, Hawk Ostby (baseado em romances de James S. A. Corey, nom de plume de Daniel Abraham e Ty Franck)
Direção: Nick Gomez
Roteiro: Dan Nowak
Elenco: Steven Strait, Cas Anvar, Dominique Tipper, Wes Chatham, Shohreh Aghdashloo, Frankie Adams, Jasai Chase Owens, Keon Alexander, Frankie Faison, Michael Irby, Anna Hopkins
Duração: 46 min.

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12 comentários

pabloREM 30 de dezembro de 2020 - 20:17

Temporada ótima e esse foi o melhor episódio até agora. Toda a sequência da Tycho foi muito bem feita.

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planocritico 30 de dezembro de 2020 - 20:18

Sim, sem dúvida o melhor até agora!

Abs,
Ritter.

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Giovani 28 de dezembro de 2020 - 20:16

Que episódio! O ataque a estação Tycho foi muito bem montada. Eu sempre fiquei achando que o traidor era aquele segurança do Fred Johnson, que ficava no comunicador o tempo todo. Bela surpresa a revelação. Queria ver a tripulação da Rocinante junto, mas acho que não vai ser nessa temporada que vamos ver.

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planocritico 28 de dezembro de 2020 - 23:37

Também estou achando que só veremos a tripulação reunida na temporada final. Na melhor das hipóteses, no último episódio dessa aqui…

Abs,
Ritter.

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Kleber Martins 28 de dezembro de 2020 - 18:59

Que episódio! Um dos melhores da série até aqui! Fico indignado que essa séria não faça tanto barulho como deveria, tanto aqui quanto lá fora. Tenho tentando fazer minha parte divulgando e sugerindo à amigos.

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planocritico 28 de dezembro de 2020 - 20:36

Pois é. E deve ter relativamente pouco público no mundo todo, já que foi cancelada uma vez, resgatada pela Amazon porque o Bezos gosta do material e já vai acabar na 6ª temporada sem cobrir os livros todo…

Uma pena!

Abs,
Ritter.

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Dialógico 27 de dezembro de 2020 - 17:46

Episódio impecável. Só achei o inaros cliché de terrorista, quase um Ming.

Responder
planocritico 27 de dezembro de 2020 - 17:48

He, he, Quase um Ming foi ótimo!

Abs,
Ritter.

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Márcio Dasioli 26 de dezembro de 2020 - 21:24

Eu gostei de todas as temporadas, cada uma com seu “main plot”. Pra mim, The Expanse é uma das melhores séries especiais, senão a melhor. Dito isso, confesso que Gaugamela foi o episódio que mais me surpreendeu e mais me prendeu à história. Me lembrou Armaggeddon (1998) onde você mal tem tempo de se recuperar de um chute no peito e lá vem outro. É preciso dar à série a devida atenção e o merecido respeito.

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planocritico 26 de dezembro de 2020 - 21:33

Eu também gostei de todas as temporadas, mas não igualmente.

Abs,
Ritter.

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Philip 24 de dezembro de 2020 - 19:36

Essa temporada por enquanto está muito boa

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planocritico 24 de dezembro de 2020 - 19:38

Sim, está mesmo!

Abs,
Ritter.

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