Crítica | The Flash – 3X11: Dead or Alive

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estrelas 3

spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Parece que depois de o Flash aprender que não se pode mudar o tempo, porque sempre dá coisa errada — e ele aprendeu isso em DUAS ocasiões distintas –, o personagem agora tem uma nova missão. Conseguem adivinhar? Pois é: mudar o tempo. Desta vez, o futuro. Sim. Porque duas mudanças de linha do tempo e redefinição de um Universo inteiro, além de inutilização quase completa das temporadas 1 e 2 da série não são o bastante para a CW.

O estabelecimento dessa mudança aconteceu em Borrowing Problems from the Future e, se nós fingirmos que é totalmente natural uma base inteira de temporada ser focada na mudança de linha do tempo (quando ela própria é resultado de uma mudança de linha do tempo que não deveria ter acontecido), chegamos até apreciar a dinâmica do impossível, pensada pelo #teamflash, que é pegar eventos do presente e dar a eles outros destinos, a fim de alterar o trágico acontecimento final, a morte de Iris pelas mãos de Savitar. E devo dizer que essa perspectiva de morte está tornando, pela primeira vez na série (ou pelo menos desde alguns episódios da 1ª Temporada), essa personagem interessante.

O bom do roteiro de Dead or Alive é a colocação orgânica de coisas soltas da temporada em uma mesma balança, fazendo com que tudo esteja mais ou menos ligado ou nos leve à ação de um personagem para atingir outro, como uma queda de dominós empilhados. Claro que isso tem falhas pontuais (Julian, por exemplo; ou o escanteamento descarado de Caitlin), mas pelo menos o ambiente que envolve esses personagens seguiu uma trilha lógica e aceitável, o que é o mínimo que um roteiro decente poderia nos oferecer.

A Cigana (interpretada por uma agressivamente sexy Jessica Camacho), que havia aparecido no final do episódio anterior, vem para atiçar a libido de Cisco e dar maior relevância ao personagem, que fica apaixonadinho e, mesmo tendo que enfrentar a garota como uma inimiga — para salvar a vida de HR, o que é bem estranho; mas estranhezas assim já não são uma surpresa para um espectador de The Flash –, mantém o flerte e garante algumas risadas do espectador. O bloco é acompanhado por boas atuações e nós agradecemos aos deuses da velocidade por Cisco ter sido tirado de situações do tipo “estou de mal, não fala mais comigo“.

Como apontei acima, a organicidade é o ponto positivo deste capítulo, em termos de fazer as pontas soltas que hoje marcam a série funcionarem para empurrar a narrativa para frente. Tivemos uma dinâmica de grupo até que aceitável (Julian é um personagem desprezível, mas ele foi concebido assim, então…); uma visão meio mórbida mas perfeitamente compreensível para Iris e sua tentativa de deixar uma marca no mundo antes de partir — até que fim uma boa ideia em termos de pegada emotiva para personagens em desespero –; um bom uso para o Kid Flash, com o personagem ganhando algum relevo fora da chatice; uma das muitas possíveis “resoluções” do caso/identidade de HR e mais mudanças que podem desviar a linha de Savitar.

Dead or Alive é aquele tipo de episódio aleatório que parece não servir para muita coisa, mas tem uma direção correta e a capacidade de juntar peças e deixar a sequência de eventos mais organizadas para o futuro. Como não existem esperanças de melhora grande e definitiva para The Flash, penso que a coisa mais sensata é almejarmos por uma permanência ao menos nessa básica forma de expor coisas que façam sentido. Dado o atual estado de qualidade do programa, já seria um grande avanço.

The Flash – 3X11: Dead or Alive (Estados Unidos, 31 de janeiro de 2017)
Direção: Harry Jierjian
Roteiro: Benjamin Raab, Deric A. Hughes, Zack Stentz
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Keiynan Lonsdale, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Tom Felton, Danielle Nicolet, Jessica Camacho, Andrea Brooks
Duração: 42 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.