Crítica | The Flash – 5X18: Godspeed


– Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

Voltando do hiato, constatamos que essa 5ª temporada de The Flash dificilmente terá salvação, no sentido de fazer valer todo o longo tempo investido na construção dos arcos entremeados de Cicada e XS (Jessica Parker-Kennedy). Os mesmos erros de sempre novamente dão as caras aqui: um melodrama desinspirado e sem foco se arrasta por um episódio inteiro de narrativa super-heroica burocrática de forma a, ao final, nos deixar simplesmente a nos perguntar: “OK, e daí?”.

A tarefa de Godspeed era relativamente simples: nos apresentar a história de Nora a partir de sua própria perspectiva, visando complementar aquilo que já sabíamos no sentido de nos aproximar da personagem de uma forma mais favorável, contrastando com seu recente desmascaramento perante o Team Flash. Por motivos que me escapam, quiseram introduzir também uma versão do vilão Godspeed na jogada. OK, tudo bem. No fim das contas, ambos os objetivos acabam entregues da forma mais anêmica possível, e o conjunto do que deveria ser um ponto crucial de nosso arco acaba tendo ares inegáveis de filler.

Todo o flashback de Nora é um daqueles clássicos momentos de auto-paródia do seriado. A renderização da versão futura de Central City é feita de forma comicamente desinspirada. A todo momento me senti assistindo a uma espécie de pastiche sem graça da série: dos cenários mal maquiados até as interpretações fracas, passando pelo roteiro sem sal, a coisa simplesmente não funciona em nenhum nível.

A introdução de Lia (Kathryn Gallagher) não cumpre outra coisa que introduzir mais um elemento ao show de previsibilidade, roubando tempo de tela de outras frentes mais promissoras. Não apenas sua morte é telegrafada a quilômetros de distância, como a própria relação entre ela e Nora acaba mal trabalhada em meio à enxurrada de diálogo expositivo e recapitulação desnecessária. A intenção do roteiro é clara e compreensível, mas a execução barata, no entanto, pouco faz para desenvolver melhor a personagem. Não ajuda que Parker-Kennedy ofereça uma de suas atuações mais fracas até aqui, justamente em um episódio centrado em sua personagem.

E o que dizer de Godspeed? Absolutamente nada funciona a respeito dessa encarnação do vilão: suas aparições são preguiçosas, sua caracterização inexistente e até mesmo seu traje — que parecia ao menos interessante em termos de design — acaba com um aspecto artificial estranho na tela. Não que o personagem tenha muito o que fazer para poder ser explorado visualmente, uma vez que sua participação acaba se resumindo a um velocista bufão que apanha facilmente de uma pessoa que recém adquiriu seus poderes. Dentro da breve recapitulação dos velocistas de Central City, Godspeed acabou se alinhando mais ao sujeito aleatório do qual nem lembraram o nome do que a qualquer outra ameaça do tipo. A pergunta que fica é: para que introduzi-lo na história de origem de XS, então? Talvez vejamos mais do sujeito, mas em todo caso ele acaba servido com uma péssima primeira impressão aqui.

A única coisa que se salva, no final das contas, são as aparições de Eobard Thawne (Tom Cavanagh). Tomzinho Cavanagh continua a ser a grande muleta criativa da série, provavelmente um dos poucos artistas envolvidos que ainda se empolga com o que está fazendo ali. Infelizmente, o Flash Reverso em si continua a ser explorado de forma bastante superficial e genérica, apostando tudo na imagem e quase nada na narrativa.

No todo, Godspeed não nos revela nada de adicional a respeito do passado de Nora, fazendo a opção curiosa de revisitar um ponto que já foi bastante comentado em meio ao diálogo expositivo… com uma narrativa repleta de diálogo expositivo! Mais um velocista ruim para a galeria e uma morte sem sentido de uma personagem introduzida aos pára-quedas depois, acabamos com o único ponto empolgante da coisa toda sendo o confronto entre Barry (Grant Gustin) e Thawne. Mais do mesmo, só que cada vez menos…

The Flash – 5×18: Godspeed — EUA, 16 de abril de 2019
Direção: Danielle Panabaker
Roteiro: Judalina Neira, Kelly Wheeler
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Jessica Parker Kennedy, Danielle Nicolet, Kathryn Gallagher, Kindall Charters
Duração: 43 min.

GIBA HOFFMANN . . Graduado em Ciências Mutantes pelo Instituto Xavier Para Estudos Avançados, realizou trabalho de pesquisa em Historiografia Mutagênica sob orientação do Prof. Charles Xavier. Mestrado interrompido em Transmutação Humana sob orientação do Prof. Doutor Van Hohenheim. Doutorado em Transcendência Dimensional de Cômodos sob orientação do Professor Doutor John Smith. Atualmente realiza curso por correspondência (escrita) sobre Combate a Vampiros com o uso de Stand, pelo Instituto Speedwagon.