Home TVEpisódio Crítica | The Flash – 5X20: Gone Rogue

Crítica | The Flash – 5X20: Gone Rogue

por Giba Hoffmann
141 views (a partir de agosto de 2020)

– Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

De todas as formas com que se poderia dar sequência narrativa à morte do pai de Caitlin (Danielle Panabaker) e à aparente virada de Nora (Jessica Parker Kennedy) para o lado negativo da Força, o episódio desta semana de The Flash opta por iniciar com uma cena padrão de “busca por fulano” no S.T.A.R. Labs, que começa apática e sonífera e termina com uma piada envolvendo a não-compreensão de Sherloque (Tom Cavanagh) sobre emojis eróticos. “O pai da Caitlin acabou de ser assassinado” → “emojis eróticos”. Não sou só eu que noto que a série não sabe muito bem escolher entre a hora de explorar o humor e a hora de mergulhar no drama, certo?

Essa inconsistência aparece por todo o desenvolvimento subsequente do capítulo. Para uma produção que gosta de jogar os holofotes sobre os dramas pessoais de personagens que passam batom roxo e vestem couro para denotar que ficaram maus, The Flash é absurdamente míope para reconhecer oportunidades realmente interessantes para fazê-lo. A primeira metade de Gone Rogue consiste nos vinte minutos mais longos de televisão que eu devo ter assistido nos últimos anos — e a culpa é justamente da surdez tonal com a qual a série explora o conflito familiar de Barry (Grant Gustin) e Iris (Candice Patton) com sua filha fugitiva.

Eu penso que Nora foi um personagem que funcionou razoavelmente bem ao longo da primeira metade da temporada. Quando seus motivos eram ainda misteriosos e sua relação com os pais trabalhada de forma (relativamente) mais sutil, a personagem despertava no mínimo curiosidade e no máximo alguma ressonância emocional interessante. Quem é capaz de dizer que, ao menos em teoria, a história da garota fã do Flash que cresceu sem saber que o Velocista Escarlate na verdade era seu desaparecido pai não valeria a pena ser explorada? O problema é que, com o avanço soluçante da trama de Cicada, a personagem foi carecendo de qualquer exploração mais interessante e gradativamente retraindo-se em uma caricatura total do conceito: virou apenas “a filha pirralhenta do Flash”.

Assim como a série conseguiu anteriormente a façanha de transformar Wally West em um porre de um “Barry Allen-wannabe“, a XS atual não traz nem sombra do potencial inicial da personagem, reduzindo-se a uma adulta que se comporta como adolescente e age segundo os interesses de garantir subtramas B genéricas (por exemplo, tornando-se “vilã por um dia”) ou arrastando um conflito de temporada que já deu o que tinha que dar há pelo menos dez episódios (como responsável indireta pela mudança na história de Cicada). Todo o conflito dela com Barry é tragicomicamente ruim: atuações péssimas de ambos os lados não escondem a total fraqueza do roteiro, uma troca burocrática de birras digna de causar vergonha alheia até ao espectador mais vacinado para esse defeito recorrente da produção.

A “maldade” de Nora retratada aqui não é “cartunesca” no bom sentido, de recriar um pouco o charme exagerado e galhofeiro dos quadrinhos clássicos, por exemplo. A série está cheia de bons exemplos dessa abordagem, porém não apenas ela não consegue ser feita aqui como a própria premissa não cabia muito para o momento atual do arco de temporada. Nora como parte de uma “Galeria Jovem” poderia ter funcionado lá na primeira reta de episódios, como break narrativo divertido e interessante. Ou então, caso a ideia fosse se estender na premissa, não apenas caprichando melhor na caracterização dessa virada de Nora para o “lado negativo”, como também trabalhando por mais tempo e com mais nuances sua relação de confiança com as supervilãs retornantes. Não é a toa que a quebra do laço de confiança estabelecido com a Maga do Tempo (Reina Hardesty) não tem impacto nenhum — foi tudo tão breve, superficial e previsível, por que haveriamos de nos importar?

Por sorte, algumas das figuras mais periféricas conseguem segurar as pontas e carregar nas costas uma segunda metade do episódio mais assistível, heroicamente elevando-o do fundo do poço ao plano da completa mediocridade. A fuga de Sherloque e Cisco (Carlos Valdes) é bem divertida, mesmo com o comportamento um tanto irritante do segundo, que também parece passar por um processo de auto-caricaturização do personagem,metralhando piadas e gracejos forçados e fora de lugar. Sherloque se passando por Barry é um ponto interessante do episódio, e o único minuto em que Gustin desenterra alguma emoção soterrada sob sua constante expressão de sofrimento moderado.

O conflito de três vias com a Maga do Tempo e a “Moça das Abelhas” (Emily Kinney) também empolga, e a reunião de Flash e XS em flashtime consegue a façanha de empolgar após tamanhos maltratos aos personagens em questão. Por fim, mesmo que venha a manchar levemente a reputação inimpugnável do vilão mais genial da temporada, o conflito entre os West e o Boneco de Pano (Troy James) também é um momento bacana, que faz entrever o potencial que subtramas com os vilões B poderiam ter caso o planejamento de temporada fosse feito com o mínimo de cuidado. No entanto, enquanto falamos do elenco de apoio, não me façam pensar na subtrama de Caitlin — por mais que ela se inicie de forma bacana com Dibny (Hartley Sawyer) sendo absolutamente adorável e tudo mais, a coisa não apenas não dá em nada como desanda para um lance patético de auto-paródico. “Meu pai morreu, mas e aí você não tá pensando em desencalhar não?”. Vamos lá, né gente!

Como tem sido tradicional na temporada, o que salva Gone Rogue da total excrescência são algumas das cenas de ação e a virada empolgante do Team Flash sobre o assalto mal sucedido da Galeria Jovem. Com os personagens centrais sendo arrastados na lama por um dramalhão desinspirado, resta apenas curtir os elementos mais bacanas da ação em tela e torcer pelo menos por um embate satisfatório contra o Flash Reverso no final de temporada. A coisa desandou feio, e a cena final do episódio encerra de forma tão absurda quanto a abertura esse capítulo de mais um momento de baixa para The Flash: quando achávamos que estávamos livres da mastigação de cenário de Chris Klein, o cara volta como ilusão para nos dar a graça de mais uma entrega terrível de linhas. É chorar pra não rir!

PS:

Cenas com o Boneco de Pano: 

The Flash – 5×20: Gone Rogue — EUA, 30 de abril de 2019
Direção: Kristin Windell
Roteiro: Sam Chalsen, Joshua V. Gilbert
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Jessica Parker Kennedy, Danielle Nicolet, Sarah Carter, Emily Kinney, Reina Hardesty, Troy James, Chris Klein
Duração: 43 min.

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18 comentários

Carlos Daniel Costa 5 de junho de 2020 - 13:47

Um adendo: A cena da Nora ameaçando o Cisco foi FODAAAAAAAAAAAA

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Carlos Daniel Costa 26 de maio de 2019 - 05:12

Esse episodio foi tão estranho que nem sei por onde começar. É notorio que ninguém aguenta mais a forma como acontecem as coisas no Team Flash. Nora derrepente vira uma super-vila do mal que usou a força de aceleração do Thawne e agora vai destruir o mundo? Se vingar do pai? Matar a cicada?. Não, nada disso. Ela forma um time de vilões fraquíssimos (Exceto o excêntrico boneco de pano, que pra mim foi a melhor atuação de um vilão na série desde o inicio dessa temporada. Ele fez de tudo e é sem dúvida um dos vilões secundários mas poderosos dá serie). E depois de formar esse time, vão lá fazer o roubo e tal (detalhe: ‘Pessoal, tou com raiva do meu papai e por isso vamos roubar armas de uma empresa secreta, mas um detalhe, não matem ninguém, Ok?’). E depois daquela traição prévisivel, vem a melhor cena de todas: Tom Cavanagh imitando o Flash! Sem dúvidas é quem carrega essa série nas costas, as atuações de tom são impressionantes, mesmo quando faz outro personagem. (Detalhe: Achei que era Ralph Dibny disfarçado de Flash no ínicio).
Já a trama de Catlin realmente é uma porcaria, ela tá pouco se fud**** pro pai dela, a parte dos emojis eróticos foi a pior de todas. Se ela é uma personagem fria (desculpe o trocadilho), ela tem que de fato conter todos os traços dessa personagem. Tem que ser insensível, sem emoções e completamente racional. Porém, ela por muitas vezes é o completo oposto disso, o que irrita bastante.
Outro fator relevante é a quantidade de piadas fora de hora que Cisco faz no episodio, foi tanta bobagem que acaba desgastando cada vez mas a imagem do personagem.
E ralph continua o mesmo de sempre, aparecendo ora ou outra para fazer piadas infames e sem sentido. E ainda começando um possível melodramatico relacionamento com a Dra. Snow? Será?
Enfim, vamos ao próximo. Rs.

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Carlos Daniel Costa 5 de junho de 2020 - 13:28

É bom re-ver os episodios depois de 1 ano e alguns dias, até que fica um pouco mas emocionante. eu errei quando fiz a critica por que eu falei que a Nora não queria matar cicada, mas era justamente essa a intenção dela.

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Thalis Spyer 9 de maio de 2019 - 23:24

Esse foi de longe o pior episódio de todos, sério essa crítica?

O motivo da Nora reunir a galera toda, foi tão imbecil e ela ser dominada por aquele trio de palhaços, com todos os seus poderes, mas a força negativa, que poderia ser melhor explorada, com ela mostrando como poderia usar aquele poder, para ficar mais brutal.

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Carlos Daniel Costa 5 de junho de 2020 - 13:28

Eu também achei que uma personagem sombria devia ser mas maléfica e forçar elas a trabalhar pra ela e não apenas pedir por favor. mas neh, série teen.

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Gabriel 5 de maio de 2019 - 12:30

Sério, eu adorei a 4° temporada, mas ai chega essa 5° e estraga td que a última deixou, seris, como ela conseguiu atingir esse nível de mediocridade, nem a 3° cinsegue ser pior q isso, esse ep foi até divertido em alguns momentos, mas esse e meu mamai problema com essa temporada, além da Nora, a serie entrega momentos divertidos, mas nunca entrega ym roteiro, minimamente, bem trabalhado, parwce que os Showrunners gastaram td sua criatividade com o arco sa prisão na 4° twmpory, só pd, pois se eles realmente tiverem se esforçando eles precisam voltar pra faculdade. Outra coisa que me deixa com ódio dessa temporada e o potencial desperdiçado com o Cicada, ele estava tendo um bom desenvolvimento, até, tinha uma motivação boa, que era salvar sua sobrinha, isso até trazia um lado mais humano para a série, mas desperdiçam o potencial do ator e do personagem com dialogos mal escritos e, principalmente, com essa idéia de substituir ele pela Cicada Jr, que uma personagem vazia e pessimamente atuada, saudades da epocé que flash tinha um bom elenco e um mínimo de qualidade

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Isac Marcos 4 de maio de 2019 - 22:15

Quando a gente lê uma crítica como essa (que parece que o Giba está lendo nossas mentes em alguns pontos) e ainda vê aquelas estrelas no “P.S.”, a gente entende o motivo de continuar assistindo essa tortura que se tornou The Flash rsrs. Poucos minutos em tela do Boneco de Pano valem o episódio todo!!!

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Renan Santos 3 de maio de 2019 - 17:48

Boneco de pano mais uma vez carregando o episódio nas costas. Na próxima temporada, todos deviam se bonecos, vai que dá certo…
Eu só não entendo uma coisa, a série tem os mesmos produtores de LOT, e consegue ficar cada vez mais medíocre

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Fakeman 2 de maio de 2019 - 20:02

Passo

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Edson A. de Araújo 2 de maio de 2019 - 19:53

Muito respeito pra quem, além de conseguir assistir essa coisa horrível que se tornou The Flash, ainda consegue escrever uma crítica de cada episódio. Benzadeus!

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Elaine Martins 2 de maio de 2019 - 16:35

Sinceramente torço para essa temporada acabar porque está sendo a pior que já vi do flash na minha humilde opinião

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Sr. Eobard Thawne 2 de maio de 2019 - 18:12

A terceira e a quarta foram ligeiramente piores

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Gabriel 5 de maio de 2019 - 12:14

A quarta pior que esse lixo da humanidade? A quarta foi uma volta excelente da serie a sua qualidade, depois da 3°, mas aí a quinta estaga td

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El Imparcial ~ Jaktal 2 de maio de 2019 - 18:29

Eu dropei. Adoro o personagem, mas não dá.

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El Imparcial ~ Jaktal 2 de maio de 2019 - 15:05

“Não sou só eu que noto que a série não sabe muito bem escolher entre a hora de explorar o humor e a hora de mergulhar no drama, certo?”

Sem querer farpar, mas estão aprendendo com os roteiristas da Marvel? kkkkk

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Laís S. 2 de maio de 2019 - 14:17

Boneco de pano ARRASA! Todo o meu amor por Troy James!

Sobre Nora a resolução é simples: Barry volta no tempo, deixa Savitar matar Iris e cancela o nascimento da birrentinha pé no saco. Ou só divorcia mesmo. Já tô de saco cheio e a maioria da galera que assiste também pelo que leio por aí.

Você ainda tem que assistir pra escrever aqui. A gente é pq gosta de se torturar mesmo!

Rapaz, achei que era só eu que tava com a impressão de que os episódios de Flash estão “rendendo umas 5h”.

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Carlos Daniel Costa 26 de maio de 2019 - 05:12

A quantidade de discursos motivacionais dá série a tornaram insustentavel. É muita falação pra pouca ação. O Boneco de Pano sozinho fez mas que toda a trupe de vilões e heróis da série. Sem contar a tentativa de fazer de Íris uma mulher durona, como se aquele soquinho que ela deu nele fosse suficiente para desmaia-lo (o corpo dele é todo flexivel, não deveria ser atingido por socos… eu acho…).

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Huckleberry Hound 2 de maio de 2019 - 14:07

Já tava com saudade do Boneco de Pano uma das melhores coisas dessa temporada porca kkk

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