Home TVEpisódio Crítica | The Flash – 5X21: The Girl With The Red Lightning

Crítica | The Flash – 5X21: The Girl With The Red Lightning

por Giba Hoffmann
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– Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

The Flash saturou. O desânimo de muitos dos fãs do universo do Velocista Escarlate que foram bravos o suficiente para chegar até aqui parece evidente, e reflete muito bem uma desorientação da própria produção a respeito do que tenta realizar em tela. Este penúltimo episódio entrega para o finale uma 5ª temporada fraca, desinspirada e sem centro de gravidade nenhum, após um início mediano e uma sequência competente de episódicos, no (já longinquo) primeiro terço do interminável arco de Cicada.

Afinal de contas, para onde caminha essa história toda? O alongamento da trama foi mostrando que não havia grandes planos para explorar “os Cicadas” para muito além do mais básico possível — tanto tempo de tela desperdiçado repetindo pontos fracos e/ou já bem percorridos, e tão pouco feito na caracterização da vilã. As duas fichas em que a narrativa aposta são Nora (Jessica Parker Kennedy) e Flash Reverso (Tom Cavanagh), que infelizmente tiveram um desenvolvimento fraquíssimo nessa reta final.

O núcleo temático do comecinho do arco, que contrapunha Orlin Dwyer (Chris Klein) e Barry Allen (Grant Gustin) como figuras paternas, foi por água abaixo sem grandes cerimônias. A morte de Dwyer serviu para trazer alguma coisinha interessante que fosse para a Cicada II (Sarah Carter) — a ideia de que ela encarnou o ódio puro do tio pelos meta-humanos faz da origem de supervilã dela uma especialmente trágica, ainda mais após ela matá-lo a sangue frio quando percebeu que ele já não correspondia à figura que ela tinha internalizado. Mas é só isso — no fim das contas, na prática, ela continua o legado de seu mestre com excelência até demais: chegando do nada ao final do episódio e jogando a adaga pra todo lado, para depois bater em retirada! Combinemos, é muito pouco para sustentar um vilão interessante.

Por falar nisso, as cenas de ação são praticamente o que se salva de toda a empreitada. O combate final no CCPD é bem divertido, o que dá um sentimento agridoce pra coisa: é tão bacana ver esse tipo de história adaptada para a televisão, mas o potencial acaba tão desperdiçado quando o roteiro não dá enquadramento o suficiente para os seres super-poderosos se estapearem. Não precisa ser algo muito inteligente, novo ou mesmo fazer muito sentido — o importante é ser convicente e inspirado, e isso tem faltado demais aqui. O roteiro desse episódio é simbólico do que a série costumou se tornar nesses momentos de saturação: um show de technobabble sem noção atrás do outro, embalando um gato e rato burocrático entre Team Flash e vilão da vez que ocupa mais da metade do capítulo.

— Peraí, achei no Google aqui que a gente precisa achar um conversor quântico estéreo! Tenho um amigo que inventou algo assim, por acaso acabei de me lembrar!

— OK, vou tentar encontrá-lo mas pra isso vou precisar achar uma antena osciladora antes da Cicada aparecer!

— Gente, peraí, uma antena osciladora acabou de ser roubada! Vamos lá conferir!

E assim vai por mais da metade do episódio, onde o diálogo expositivo preguiçoso só é interrompido por uma ou outra piadinha de personagem — quando envolvem Cavanagh, pelo menos, são uma interrupção mais que bem-vinda. Todo o lance envolvendo o plano de Cicada aqui é apresentado de forma artificialmente complicada no roteiro, confinando o elenco aos cenários escuros e mais do que batidos do S.T.A.R. Labs. Estamos entrando na última hora de uma trama de aproximadamente 16 horas de duração, não é possível que “Team Flash rastreando bugigangas no computador enquanto Nora tenta convencer seus pais que amadureceu pela décima quinta vez” seja a melhor forma de preparar esse desfecho.

A conexão mental entre Nora e Cicada II é um ponto interessante e exemplifica bem o tipo de coisa que faltou ser feito com mais frequência na temporada: estabelece uma ligação importante com um evento anterior da temporada, além de garantir um restolho de conteúdo temático, já que o combate final, como eu e mais outros leitores aqui previram, tem uma pegada “Cicada-Filha versus Flash-Filha”. Mais momentos como esse, ligando os momentos da jornada de Nora com a criação dessa versão de Cicada, dariam contornos muito melhores à trama. Na falta disso, a justificativa da vilã é a mais genérica possível: “Ah, odeio vocês, metahumanos!”.

Soma-se a isso o fato que o arco pessoal de Nora andou, andou, andou e acabou chegando no exato mesmo lugar de sempre — o tenebroso Gone Rogue mal parece ter acontecido aqui, e a relação dela com os pais traz pouquíssimas nuances e reproduz quase que uma situação idêntica a de quando ela chegou. Faz sentido temático ela pedir “a benção” do Flash para tentar ajudar aqui, mas o roteiro e a execução não entregam essa intenção, em grande parte provavelmente pelas atuações via Skype de Gustin e Patton — a própria Parker Kennedy convence um pouquinho mais aqui do que no capítulo anterior, mas o estrago já estava feito.

Não é à toa que a produção vai precisar invocar das profundezas o único vilão bom inimigo mais icônico da série para tentar dar a esse fechamento algum ar de importância. E não foi por falta de potencial: tanto Nora quanto Grace tinham premissas interessantes, porém foram mal executadas ao ponto de estarem agora quase que de escanteio na própria história delas. Pouco se salva fora as cenas de ação e a brincadeira com expectativas em cima de nossos personagens queridos — com os futuros de Cisco (Carlos Valdes) e Joe (Jesse L. Martin) na série ainda incertos, o capítulo conseguiu pelo menos criar uma tensão boa em torno de ambos.

Apostando tudo em cartas marcadas, insistindo nos mesmos erros e perdendo tempo demais brincando de gato e rato e caçando bugigangas, The Girl With The Red Lightining é sobre tudo, menos sobre a garota dos relâmpagos vermelhos. Para falar a verdade, ele não é sobre nada: é mais uma parada obrigatória da temporada antes de chegar ao desfecho, que não parece ter muitas chances de amarrar muito bem as coisas de forma satisfatória. O “melhor” que o espectador tem a esperar a essas alturas é algum teaser a respeito da Crise da CW…

The Flash – 5×21: The Girl With The Red Lightning — EUA, 7 de maio de 2019
Direção: Stefan Pleszczynski
Roteiro: Judalina Neira, Thomas Pound
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Jessica Parker Kennedy, Danielle Nicolet, Sarah Carter, Chris Klein, Kimberly Williams-Paisley, Patrick Sabongui
Duração: 43 min.

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10 comentários

Jhiullio Boltagon 1 de setembro de 2019 - 19:56

De onde surgiu tanto meta em Central City? Já sabia que era um grande plano do Flash Reverso desde que ele retornou a essa temporada, mas acho patética chegarmos a quinta temporada de uma série onde sempre se tem que recorrer ao mesmo vilão para que as coisas fiquem mais interessantes, tanto o vilão quanto o ator( já que nem fazem mais questão de atrelar o vilão ao outro ator que o interpreta em sua forma verdadeira).

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Carlos Daniel Costa 26 de maio de 2019 - 06:05

A única coisa curiosa do episodio é perceber como sempre taxam o Ralph de Burro. Mas na verdade é sempre um dos que mas está próximo de chegar ao fato concreto.
Ele é um investigador comum que ao contrario de todos do láboratorio S.T.A.R (retirando o Sherlock, claro). ele investiga pouco a pouco até chegar a um resultado concreto, não apenas usando um super satelite que capta informações ou usando a intuição (coisa que o flash faz muito).
Esse episodio foi bom. Só o fim que ficou meio estranho, o que será que aconteceu nesse final?
Preciso assistir o último ep, xD.

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Renan 11 de maio de 2019 - 16:39

Acho que não fui só eu que não entendeu o final, quer dizer falaram da adaga a temporada inteira e agora isso?
Aquela máquina maluca lá levou ela pro futuro?

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Josué de Morais 11 de maio de 2019 - 10:27

Ninguém vai falar do fato que eles usaram a adaga do cicada para impedir o Thawne de ter poderes?
Sendo que EXISTEM INÚMERAS OUTRAS FORMAS já apresentadas anteriormente? Tipo algemas de contenção?, A CURA?
Até a forma desse plano da nos nervos….

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Elton Miranda 10 de maio de 2019 - 09:30

Series como essa tem critica até hoje, breaking bad a critica morreu na primeira temporada, triste isso

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Emerson Falcão 9 de maio de 2019 - 23:04

A gente nota o crescente desinteresse das pessoas pela série quando vê que esta crítica postada no Plano Crítico há quase 24 horas não tinha um comentário até agora.

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Gabriel 10 de maio de 2019 - 16:38

Isso não quer dizer nada, sou super fã dá série, vi várias vezes, mas opinião é que nem cú, todo mundo tem, eu tenho a minha, não preciso ficar lendo ou vendo a crítica dos outros pq tenho a minha, muita gente pensa assim, e o Plano Crítico nem é tão popular assim, as pessoas vão mais no Rotten Tomatos ver, nem sei pq estou aqui pra falar a verdade, o Google que recomendou

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TheBucketz 9 de maio de 2019 - 22:45

“o único vilão bom”
achei que tu gostava do Zoom e do Devoe ksksks apesar de serem bem inferiores

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Gabriel 10 de maio de 2019 - 17:06

Eu, pelo menos, acho o Devoe um ótimo vilão

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Carlos Daniel Costa 26 de maio de 2019 - 06:05

Devoe é um vilão muito esperto, só que a forma como foi derrotado é bizonha. Depois de calcular 20301401412909124 bilhões de possiveis variantes e desfechos para uma situação, foi derrotado pela sua esposa que destruiu todos seus planos e a sua cadeira voadora feita de holograma. Pátetico.

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