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Crítica | The Flash – 6X16 a 19: So Long and Goodnight, Liberation, Pay the Piper e Success is Assured

por Giba Hoffmann
2676 views (a partir de agosto de 2020)
  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Eis que, com um atraso digno do nosso Barry Allen atualmente desprovido de seus plenos poderes, voltamos aos episódios finais da mais recente temporada de The Flash, encerrando este ciclo de críticas para deixar tudo pronto para o inevitável renascimento da série na 7ª temporada. Ou algo assim… Relembrem conosco essa boa sequência e digam o que acharam nos comentários!

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6X16: So Long and Goodnight


Um episódio focado em Joe West (Jesse L. Martin), com bom protagonismo para Barry (Grant Gustin) e tendo como antagonista o talento vilanesco inigualável do Boneco de Pano (Troy James)? Opa, e com uma ótima subtrama no núcleo Dibny para fechar o pacote? OK, ao menos em teoria esse aqui tinha todo o potencial de ser um favorito para mim na temporada. Embora possa não ter chegado ao que a imaginação superestimulada de um fã poderia conceber, ao menos So Long and Goodnight peca somente pelo excesso — o que é sempre preferível do que optar pela catatonia.

Exibido já no contexto em que sabíamos que a 6ª Temporada acabaria sofrendo um encerramento abreviado, esse retorno de hiato foi uma abertura agridoce para a sequência final de capítulos, mostrando toda a força do arco da Mestra dos Espelhos (cujo desfecho original sempre será melhor em nossas imaginações do que qualquer coisa filmável). Para mim, mesmo nessas circunstâncias, a guerra entre Eva McCulloch (Efrat Dor) e Joseph Carver (Eric Nenninger) foi a trama de temporada mais interessante desde quando eu achei que o arco do Zoom daria em alguma coisa, trazendo um misto bem equilibrado de todos os ingredientes que se pode esperar da produção: sci-fi quadrinhesco inspirado, bom enredo policial e dramas pessoais explorados com um mínimo de bom senso.

A narrativa central amarra esses três fatores de forma bastante eficiente: pego no fogo cruzado entre um Carver acuado e a versão espelhada de Singh (Patrick Sabongui), Joe acaba sendo conduzido aos seus limites, o que traz para a narrativa alguns aspectos pouco explorados do personagem. As cenas dele entregam o peso emocional que apenas um enredo bem construído consegue: ao invés de ser relegado ao pano de fundo de um conflito meta-humano, o drama de Joe convence com seu aspecto “pé no chão”. Ao mesmo tempo, as tramitações da Mestra dos Espelhos continuam a ditar os rumos da trama, sem que os nossos personagens o saibam.

Meu grande porém: por mais que eu tenha curtido a parceria entre Cisco (Carlos Valdes) e Ralph (Hartley Sawyer) — e foi bastante! — acabei sentindo que foram elementos demais para equilibrar em um mesmo episódio, o que acabou custando na frente de nosso supervilão da semana. A breve espiada nas motivações do Boneco de Pano e a volta do divertido tom de horror com o qual a produção costuma brincar quando traz o personagem me fizeram pensar que talvez o negócio aqui fosse ter dado maior espaço para o vilão e centralidade para Barry, guardando para outro momento a “cartada” da missão paralela do núcleo Dibny. Devaneios de lado, um bom episódio regular da produção.

The Flash – 6×16: So Long and Goodnight — EUA, 21 de abril de 2020
Direção: Alexandra La Roche
Roteiro: Kristen Kim, Thomas Pound
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Jesse L. Martin, Danielle Nicolet, Tom Cavanagh, Victoria Park, Kayla Compton, Natalie Dreyfuss, Patrick Sabongui, Efrat Dor, Troy James, Eric Nenninger, Natalie Sharp
Duração: 43 min.

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6X17: Liberation

OK, eu sei que “Barry Allen não é retratado como um completo imbecil” não deveria ser motivo de elogio, mas sim o mínimo que se pode esperar de uma versão fiel do herói. Ainda assim, vale dar destaque ao ponto, já que nós bem sabemos o quanto essa adaptação da CW já conseguiu ser injusta com o personagem nesse quesito.

A premissa do episódio pode não ser exatamente original, mas garante situações mais interessantes do que se poderia pensar para a subtrama da Iris Espelhada (a.k.a. “Siri”). Dado o histórico da série (e, para ser justo, o histórico das desventuras românticas no gênero super-heroico em geral), não me surpreenderia nem um pouco caso Barry simplesmente aceitasse as atitudes bizarras de sua pseudo-esposa e seguisse com a vida, separação e tudo, sem se dar conta de que havia algo de errado. Felizmente a produção opta por colocar o lado detetivesco do personagem para funcionar, o que além de ser um ponto positivo por si só também mescla bem com o tema policial do arco atual. Claro que a intuição dele leva a uma explicação que, para o espectador externo, parece compreensivelmente absurda, o que garante momentos divertidos no confronto com Cecile tentando convencê-la da existência de Siri como algo plausível (e não o delírio de um velocista decadente que acabou de ser despejado de casa).

Na segunda metade, a história acaba tomando um rumo mais sem noção — o dispositivo conveniente de revelação de espelho não apenas é bobo por si só, mas o fato do restante do Team Flash duvidar da identidade de Barry por conta do negócio desafia nosso bom senso um tiquinho a mais do que o recomendado. Achei que seria mais interessante se tivéssemos ficados apenas no “falso negativo”, com Siri não revelando sua natureza espelhada e o Team Flash tendo que se virar com isso.

Eu também não ligaria se deixassem todo o lance de Caitlin/Nevasca (Danielle Panabaker) para outro episódio. São cenas não conectam com a história principal e roubam tempo valioso com uma subtrama paralela alongada — e olha que eu sou fãzaço dos quadrinhos do Chris Claremont! Acho que para bem e para mal, a série tem feito bem em investir na narrativa ao estilo quadrinhos. O problema aqui é que falta momentum na construção das subtramas pessoais de alguns personagens, com Caitlin e Cisco (ironicamente os mais antigos do elenco) sendo os maiores exemplos, mesmo em um momento no qual a série se encontra já em melhor forma.

Felizmente a coisa não fica apenas por aí, e o ótimo confronto direto entre Barry e Siri acaba sendo o mais próximo que essa temporada acabaria tendo de um clímax para nosso protagonista. A cena de ação é muito bem executada e o sacrifício de Siri é bem construído, de tal forma que até desculpamos a produção pelo exagero melodramático da sequência chororosa final. Temos tempo ainda para um ótimo (e breve) confronto direto com a Mestra dos Espelhos, com direito à excelente cena do “ataque dos cacos”. A produção consegue equilibrar bem o momentum bem construído da supervilã, e prepara uma empolgante reta final da temporada (que jamais acontecerá como inicialmente planejado, mas fazer o quê?). Esse combo entre boa ação e exploração de personagem salva, na reta final, um episódio com altos e baixos, e continua com o caminho certo para The Flash. Quero dizer, quando estamos apreciando o personagem de Iris, alguma coisa certa esses caras estão fazendo né?

The Flash – 6×17: Liberation — EUA, 28 de abril de 2020
Direção: Jeff Byrd
Roteiro: Jonathan Butler, Gabriel Garza
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Jesse L. Martin, Danielle Nicolet, Tom Cavanagh, Victoria Park, Sendhil Ramamurthy, Kayla Compton, Patrick Sabongui
Duração: 43 min.

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6X18: Pay the Piper

Injustamente herdando a posição de penúltimo episódio da temporada, Pay the Piper tinha tudo para ser um exemplo de episódio filler ideal. A ligação com a trama principal é bem estabelecida, a temática (ainda que batida) é condizente com os arcos atuais dos personagens e, de quebra, temos o retorno de dois personagens do passado, dando aquele toquezinho da combinação entre continuidade e nostalgia do qual os fãs do gênero super-heroico não conseguem enjoar (podem tentar negar à vontade, não adianta!).

Uma nova versão de Godspeed se voluntaria para ser o bonecão perfeito de roteiro que nos leva a descobrir mais sobre a versão pós-Crise de um personagem bem antigo da série: Hartley Rathaway, o Flautista (Andy Mientus). O Team Flash, que já se encontra em uma crise motivacional braba após a revelação da infiltração dos espelhos, se vê na condição de ter que pedir ajuda à última pessoa que se poderia querer ter por perto em uma situação como essa. A partir disso, o tema da insegurança e sua relação com as perdas pessoais próximas recheia cenas infindáveis de papo motivacional — algumas bem entregues, outras nem tanto, mas no fim das contas todas elas um tanto embaçadas pela saturação.

É uma pena que, em sequência a um bom episódio para Barry, o tenhamos novamente aqui em sua versão menos carismática. É plenamente compreensível o estado emocional dos membros da equipe mediante a atual ameaça da Mestra dos Espelhos, com o Flash esgotando seus poderes a cada dia e sem a menor perspectiva de reverter a situação. No entanto, achei que a forma como o personagem se expressa não condiz com os desenvolvimentos pelos quais ele passou recentemente, incluindo aí a relação com Cisco. Pode ser que seja apenas a atuação fraca de Gustin (complementada aqui por um Valdes especialmente apático), mas a coisa toda simplesmente não me pegou, por mais que eu ache que o conflito interno seja interessante. A saturação com as tramas paralelas dispensáveis de Iris e Nevasca também não ajudou, embora a trama de Iris continue bem interessante.

O único lado bom do dramalhão pessoal foi servir como plataforma para bons momentos de liderança por parte de Nash Wells (Tom Cavanagh), cujo estilo provocativo ao menos traz alguma energia em meio à murmuração sem fim dos heróis. A chegada de Hartley também rende boas interações cômicas com o restante da equipe, revivendo a antiga rivalidade do discípulo revoltado de Wells. Aliás, fiquei querendo mais interações entre ele e Nash!

Lembro de gostar bastante do Flautista nas etapas iniciais da série (talvez ajudado pelo fato de que sua primeira aparição foi em um episódio bombástico para a época) e, embora tenha achado que sua versão aqui tenha puxado um pouco demais para o caricatural, acredito que ele seja um personagem que poderia render boas histórias. A subtrama de que o capanga ferido por Flash na versão pós-Crise dos eventos era também namorado de Hartley é telegrafada desde o início, servindo especialmente para que Barry (após uma ótima conversa com Nash, líder honoris causa do Team Flash) chegasse ao cerne do problema via associação livre irisiana.

O team-up de Flash e Flautista contra Godspeed não traz nada lá muito empolgante em termos de ação, representando uma oportunidade desperdiçada de dar um acabamento extra a um bom “monstro da semana”. Disso seguimos para cenas um tanto bizarras de conexão, as quais eu imagino que sejam fruto da reestruturação da temporada: temos uma mera descrição do que aconteceu com nosso quinto Godspeed, e Cisco declara do nada que irá para Atlântida para finalizar um motor de energia perpétua. Ok então, né?

The Flash – 6×18: Pay the Piper — EUA, 5 de maio de 2020
Direção: Amanda Tapping
Roteiro: Jess Carson
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Jesse L. Martin, Danielle Nicolet, Tom Cavanagh, Efrat Dor, Victoria Park, Andy Mientus, Kayla Compton, Patrick Sabongui
Duração: 43 min.

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6X19: Success is Assured

Enfim chegamos ao nosso final de temporada, o qual esperadamente não consegue disfarçar muito bem seu caráter de “final improvisado”. Se por um lado ficamos com a sensação de falta de fechamento para alguns arcos e subtramas, por outro podemos reconhecer que o exercício de dispensar o modelão de finale de sempre é bem-vindo e deixa as portas abertas para desenvolvimentos interessantes da série — internamente no enredo e também em termos de formato.

Dito isso, no geral, não dá para se dizer que Success is Assured decepciona como conclusão para a 6ª temporada do programa. Na verdade, trata-se de uma “meia-conclusão” ao melhor estilo dos bons “mid-season finales” da série. As subtramas mantidas em aberto ao final do episódio são várias: Iris e Kamila ainda presas ao mundo do espelho (com Iris se tornando involuntariamente uma nova Mestra dos Espelhos!), Sue enquadrada pelo assassinato de Carver, Barry perdendo o que resta de sua velocidade sem a restauração da Força de Aceleração, Nevasca viajando em busca de uma cura e Cisco por algum motivo perdido na Atlântida. Porém nada disso realmente precisava ser resolvido para agora — na verdade,eu diria que é muito mais beneficial para a série que não o seja!

Isso porque a produção tem acertado em manter o desenvolvimento orgânico do enredo central, o que é sempre difícil quando a expectativa do season finale seja algum tipo de resolução épica da qual o que resta será apenas o teaser do que está por vir. Aqui, impedidos de recorrer a esse tipo de clímax, temos uma resolução muito mais focada e pontual cujo único pecado seja, talvez, a falta de protagonismo por parte de nosso velocista titular. Mas convenhamos — já tivemos que aceitar esse mesmo defeito recebendo muito menos em troca!

A vingança de Eva McCulloch funciona bem como o ponto central do capítulo de encerramento, arrastando com naturalidade as outras subtramas em torno de si — mesmo que algumas transições causem estranhamento. Particularmente, o vai-e-volta de Sue Dearbon (Natalie Dreyfuss) e a despedida de Barry com Caitlin pareceram fora de lugar no capítulo (bom, a coitada da Caitlin por inteiro está fora de lugar nessa história toda já não é de hoje!). Em termos de ação, nossa resolução de temporada também não é nada cataclísmica: um quebra-pau geral na sede da McCulloch, com escolhas bizarras da direção tentando dar um clima descontraído que não ornou muito com a tonalidade de suspense que o restante do enredo parecia exigir.

No restante, felizmente, o episódio acerta em vários aspectos. Em termos de caracterização e exploração de personagem, são vários os pequenos momentos e diálogos que caem muito bem, vários deles envolvendo nosso Velocista Escarlate enfrentando um dilema ético daqueles: entregar a vida de Carver em troca do resgate de Iris. Claro que, tomada bem racionalmente, a proposta não é tão tentadora assim — absolutamente nada indica que Eva poderia ser digna de confiança (e quanto à Kamila, você não vai nem negociar a volta da coitada, Barry? Já imaginou o que o Cisco vai achar disso quando ele voltar da Atlântida?? Já imaginou a choradeira que nós vamos ter que aturar até vocês fazerem as pazes???).

Porém, a propensão a cruzar essa linha em um momento de necessidade (e, convenhamos, em detrimento de um babaca irritante no nível do Carver) nos leva a um aspecto pouco explorado do personagem, que pode ser um encaminhamento legal para o futuro dessa versão do personagem. Chega de crise de motivação e de ameaça do futuro: que tal um Flash mais estabelecido, disposto a cumprir seu papel custe o que custar? No que isso o aproximaria de se tornar um novo Reverso?

Em todo caso, o que temos para agora é uma nesse sentido é uma confrontação bem escrita com Nash, e um reagrupamento do Team Flash em torno de uma ameaça em aberto com potencial. No fim das contas, nossos heróis apenas reagem minimamente à vingança de Eva, que atinge um clímax satisfatório no embate cara-a-cara com Carver.

A Mestra dos Espelhos termina a temporada como uma personagem bem interessante: com sua vingança já efetuada, seus próximos passos são uma página em branco. Seja o que for que ela resolva fazer com o tempo livre agora que está de volta à dimensão normal, ela tem recursos de sobra para fazer: poder de conversão total de pessoas estratégicas (curto demais o quão creepy é apego filial do Capitão Singh à vilâ), guarda-costas metahumanas e aparente livre passagem por todo lugar que tenha uma superfície levemente polida. Por fim, com Iris passando por uma transformação similar à de Eva, a frente é promissora para continuar o bom desenvolvimento da personagem, que finalmente recebeu bons arcos após um blecaute de quase três temporadas ruins.

Somado ao fato de que o Dr. Ramsey Rosso se encontra pronto para um retorno, temos aí duas boas ameaças para reforçar as fileiras de uma galeria de vilões esvaziada após um período de ameaças descartáveis. Torço para que a próxima temporada não se apresse em resolver esses pontos de roteiro, mas trabalhe as próximas histórias se aproveitando desse pano de fundo.

Deixar para trás o modelão de sempre dos grandes arcos de temporada seria abraçar uma tendência atual dos próprios quadrinhos: do foco exagerado no hype dos grandes eventos à nova valorização do caráter serializado do formato. Acho que a 6ª temporada teve sucesso em investir nesse sentido tanto voluntariamente quanto involuntariamente, sendo que a nova equipe de produção provou ter uma visão para o programa e conseguiu, em relativo pouco tempo e com a adversidade do final antecipado, reviver aspectos da série há muito tempo desgastados. Resta torcer para que o potencial seja bem aproveitado para que, quando for a hora de nos despedirmos de vez dessa versão de The Flash, possamos dizer que a série conseguiu resgatar o charme e a diversão das temporadas iniciais…

The Flash – 6×19: Success is Assured — EUA, 12 de maio de 2020
Direção: Philip Chipera
Roteiro: Kelly Wheeler, Lauren Barnett
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Hartley Sawyer, Jesse L. Martin, Danielle Nicolet, Tom Cavanagh, Victoria Park, Kayla Compton, Natalie Dreyfuss, Patrick Sabongui, Efrat Dor, Emmie Nagata, Natalie Sharp, Alexa Barajas
Duração: 43 min.

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