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Crítica | The Flash – 7X09: Timeless

por Luiz Santiago
2857 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há SPOILERS deste episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Timeless é um episódio… curioso, para dizer o mínimo, de se analisar. Tendo como principal temática a “não-[re]criação” das Forças, o roteiro consegue trazer a tiracolo uma discussão muito pertinente sobre paternidade/maternidade e sobre a existência de qualquer manifestação de vida dentro de um ambiente social. Este é o caso das Forças criadas quando Barry e Iris procuraram reviver a Aceleração de volta. Poderia ser mais um reboot interno do show, mas conseguiu algo um tantinho interessante, mesmo com alguns problemas.

Pelo visto, as possíveis dúvidas que tínhamos em relação a Nora foram sanadas aqui. Tirando exclusivamente pelo que este episódio nos diz, não estamos sendo enganados: ela realmente é a manifestação da Força de Aceleração criada naquele momento pelo casal protagonista da série. E agora os roteiristas seguem no caminho de querer alinhá-la ao padrão moral/existencial de qualquer narrativa super-heroica mainstream (com exceção dos elseworlds, claro). Em uma colocação aos meus questionamentos condicionais sobre Nora verdadeiramente ser uma manifestação da Força, um leitor levantou a bola de a Natureza e suas manifestações não se importarem com ninguém, apenas com o funcionamento de sua ordem. Puxo aqui o mesmo ponto que apresentei em resposta a ele na ocasião: isso só funciona fora da ficção super-heroica convencional.

Tal conceito é basicamente lovecraftiano, com seu horror cósmico povoado de forças Universais/naturais (?) tão gigantescas que, para elas, nós não somos absolutamente nada. O mínimo de contato mais racional/visual/audível de um humano com essas forças resulta em loucura para a pessoa. Esse tipo de abordagem também pode ser visto na literatura de realismo mágico e em algumas fantasias (note que forças biológicas ou da natureza da Terra não entram nesse tipo de análise por não possuírem o tipo de inteligência que a ficção apresenta, logo, a discussão sobre sua relação conosco é de outra ordem). Isso, porém, não se aplica ao ramo dos super-heróis convencionais. Nos convencionais, a linha ético-moral é perfeitamente clara e nenhum tipo de Força natural pode agir sem medida e, ainda assim, continuar sendo uma Força positiva ou do bem, agindo dessa forma apenas porque “tem padrões tão grandiosos que os humanos jamais compreenderiam“.*. Não há um único quadrinho convencional que mostra isso e nenhum tipo de adaptação de quadrinho convencional que mostra isso. Se uma Força aparecer dessa forma, ou ela vira vilã, ou se apresenta como “outra coisa” (um disfarce, uma possessão), ou é morta (e afins), ou passa por um caminho de redenção.

O entendimento para isso é bastante óbvio: os quadrinhos convencionais têm algo a defender, então o maniqueísmo simples do “bem contra o mal” jamais poderá ser alterado ou mesmo ganhar tons de cinza em sua constituição como indivíduos (não em sua construção narrativa). E bem, aqui temos a resposta para tudo isso. Nora e as outras Forças são encaixadas nessa linha de mudança, de redenção. Ou isso, ou precisam ser combatidas, apagadas da existência, neutralizadas, modificadas, convidadas a pensar de outra forma. E o roteiro está o tempo todo investindo em duas formas de isso acontecer, seja a opção do Barry (a que mais discussões interessantes pode trazer), seja pela opção de Iris, a mais melodramática das duas.

Trazendo Harrison Wells de volta, em uma participação bastante insossa, o Time Flash tenta apagar as novas Forças, mas Barry acaba desistindo de última hora e tenta seguir o conselho de Joe e Iris. Ou seja, vamos nós agora enfrentar essas novas criações e tentar convertê-las ao bem (ora, vejam só!) ou trancá-las em um lugar, matá-la ou controlá-las de alguma outra forma, porque elas não pode agir desse jeito só por serem manifestações de Forças da Natureza (ora, vejam só!). Numa visão mais crua, parece até um episódio filler, porque tenta criar algo, mas não sai do lugar, tudo permanece o mesmo. Todavia, dá início real a uma caçada ou tentativa de mudança que pode abrir mais um caminho para a temporada. De todo modo, eu ainda acho uma temática muito frágil para ser algo trabalhado até o final desse ano. A não ser que criem coisas muito mais complexas em cima disso, o que duvido muito.

Ainda sinto que falta algo grande acontecer nessa temporada para que valha todo o caminho até o episódio 18. Ou seja, temos mais uma metade inteira de temporada para seguir em frente e só essa conversinha sobre luta e adequação de Forças não vai segurar tudo isso de tempo não. O que quer que esteja preparado para vir, vai ter que integrar-se muito bem a esse arco já em andamento… ou os roteiros dos próximos episódios finalizam esse problema com algum ato de misericórdia qualquer. Agora estou curioso para ver como cada uma das Forças vai agir, especialmente Nora, que parece estar louca no ódio e pronta para destruir suas “concorrentes”. Me pergunto até como fica a relação dela com Barry depois de tudo isso…

* Esse tipo de discussão é feita de maneira clara, direta e muito profunda nos quadrinhos do Monstro do Pântano (avatar do Verde, representando todo e qualquer tipo de vida vegetal do Universo) e do Homem Animal (avatar do Vermelho, representando todo e qualquer tipo de vida animal do Universo).

The Flash – 7X09: Timeless — EUA, 11 de maio de 2021
Direção: Menhaj Huda
Roteiro: Joshua V. Gilbert, Kristen Kim
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Danielle Nicolet, Kayla Compton, Brandon McKnight, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Victoria Park
Duração: 43 min.

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