Crítica | The Gifted – 2X10: eneMy of My eneMy

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Depois de encerrar algumas linhas narrativas em gaMe changer, The Gifted apresenta um dos melhores episódios da temporada até agora. Não é nenhuma obra-prima, infelizmente, mas eneMy of My eneMy tem foco e não se desvia dele mesmo que tenha que pegar alguns atalhos aqui e ali, o que resulta em uma boa história que, se não indica completamente o caminho que a série tomará nessa estirada final, pelo menos estabelece bons conflitos entre os personagens.

Esse foco é a libertação de John Proudstar, aprisionado pelos Purificadores depois que ele pateticamente tenta segurar uma picape do grupo de ódio. Com ele preso, o restante da Resistência Mutante (se é que ainda já para chamar o grupo de “resistência”) entra em parafuso e, no desespero, resolve pedir ajuda para Lorna Dane e Andy Strucker, os pesos pesados do Círculo Interno. Usando Shade como isca e um flashback contextualizador sobre a amizade da tríade principal para os espectadores, Marcos é bem-sucedido em trazer os dois momentaneamente para o lado da causa maior, não só para descobrir onde está John, como também para atacar os Purificadores.

Para isso, temos que aceitar a mais completa ausência das clones, de Reeva e de qualquer outro membro da dissidência do Clube do Inferno. Eles simplesmente sequer aparecem no episódio, o que é estranho e conveniente demais para permitir essa defecção temporária da dupla de mutantes para o lado de lá. Por outro lado, essa “desaparição” agrega à sensação de foco que o episódio sem dúvida tem. Não há elementos para distrair o espectador e tudo é voltado para a libertação de John, emprestando uma coesão narrativa muito eficiente ao episódio, que não perde tempo com bobagens.

E há o bônus de ver o grupo original completo pela primeira vez depois de tanto tempo, mesmo que suas diferenças ainda se mantenham intactas, com Lorna e Andy realmente acreditando na construção de um “mundo melhor” por Reeva e os demais ainda batendo cabeça sem terem exatamente uma função muito bem definida, o que tem sido o calcanhar de aquiles da temporada. Mas, pelo menos para o fim do presente episódio, a reunião da equipe funciona, com a família Strucker mais uma vez junta, mesmo que os irmãos tenham criado uma barreira entre eles por intermédio dos sonhos compartilhados.

Temos que aceitar a conveniência e facilidade com que Sage – em participação off screen – descobre o potencial paradeiro de Thunderbird e que todo o grupo mesmo diante de carros preparados para a guerra, com armas e coletes à prova de bala, decidem ignorar a vantagem tática e atacar de corpo aberto, só com seus poderes. Nem mesmo Caitilin, a única despoderada e Reed, que não usa os poderes dele, fazem uso pelo menos dos coletes, o que é de se balançar a cabeça em incredulidade. Se não era para usar, teria sido melhor que Gregory Prange, que dirige o episódio, não tivesse perdido alguns segundos fazendo questão de fazer Lorna e Andy mostrar o que trouxeram do Círculo Interno.

E, claro, apesar da quantidade de Purificadores no local, a resistência que eles oferecem é absolutamente patética. Ok, entendo perfeitamente que não é fácil lidar com uma manipuladora do magnetismo trabalhando ao lado de um cara que emite lasers das mãos e dois irmãos que quebram tudo com a mente, mas era de se esperar no mínimo alguma dificuldade, uma bala perdida que seja. Mas não, o ataque é, como os americanos dizem, um “passeio no parque”.

No entanto, tenho para mim que a grande questão não é o ataque em si, mas sim os efeitos dele para os envolvidos, o que não resolve, mas atenua o problema da simplicidade com que ele é abordado. Do lado de dentro, com Jace Turner fazendo de tudo para tirar informações de John, no momento em que o pouco que o mutante conta para ele sobre o Círculo Interno e sobre a mudança de lado de Lorna e And começa a fazer sentido na cabeça do ex-agente dos Sentinel Services (que, aliás, não existem mais pelo visto…), o ataque do antigo grupo completo põe tudo por terra. Já está na hora daquela dubiedade moral de Jace ser colocada para escanteio completamente e espero que sua explosão, com direito a tiros de escopeta à queima-roupa em John, seja o “ponto sem retorno” para sua vilania e para os Purificadores como um todo, já que eles não têm sido tratados como muito mais do que um bando de caipiras racistas brincando de “bang bang”. Falta uma organização maior e um senso de ameaça maior que, espero, sob a batuta de um Jace enlouquecido de raiva, os malucos ganhem.

Do lado de fora, o grande destaque é Andy. Se o relacionamento de Lorna e Marcos é na base do bate e assopra, Andy não esconde sua rebeldia adolescente e a facilidade com que ele pode ser influenciado pelo meio em que passou a viver. Some-se a isso a morte de Rebecca por suas mãos e pronto, temos um potencial novo sociopata de cabelos pintados quebrando as pernas de um Purificador. Não que o sujeito não merecesse e que eu não tenha secretamente aplaudido o momento, mas o jovem Andy está mostrando seu lado negro (será que herdou de Caitlin?) e isso pode ser ainda muito bem explorado seis episódios que faltam.

Isoladamente, eneMy of My eneMy é um bom episódio que deixa marcas no relacionamento entre os personagens. No entanto, falta ainda um senso maior de propósito tanto para a Resistência Mutante (no caso, falta algum senso…) quanto para o Círculo Interno. Um conflito em escala global entre humanos e mutantes não é algo que uma série dessa natureza e com esse orçamento possa tratar eficientemente, pelo que é necessário reduzir a escala para algo mais palpável. Mas a volta da temporada aponta para um bom caminho. Se ele será adotado de verdade, só o tempo dirá.

The Gifted – 2X10: eneMy of My eneMy (EUA, 1º de janeiro de 2019)
Criação e Showrunner: Matt Nix
Direção: Gregory Prange
Roteiro: Michael Horowitz
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Coby Bell, Jamie Chung, Blair Redford, Emma Dumont, Skyler Samuels, Grace Byers, Kate Burton, Christopher Cousins, Anjelica Bette Fellini, Tom O’Keefe
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.