Crítica | The Gifted – 2X11: meMento

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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Como já mencionei outras vezes em críticas anteriores de The Gifted, a série de Matt Nix sempre consegue sobressair-se quando foca no desenvolvimento de personagens. Lauren Strucker finalmente ganha a atenção devida, mas meMento também não perde de vista Lorna, Marcos e Jace, com resultado muito satisfatório que prepara a temporada para sua estirada final.

Voltando à misteriosa caixa de música do pai de Reed que, em flashback, descobrimos ter sido de Andreas Strucker, vemos uma Lauren obcecada em descobrir mais sobre o passado de sua família, algo que, convenhamos, deveria ter acontecido bem antes, mas tudo bem. Ao dormir ao som da música, ela não só vê a morte de Andrea, como também ganha um upgrade em seus poderes, passando a poder conjurar e lançar afiadíssimos frisbees feitos de seu “plástico bolha”. Finalmente um poder ofensivo bacana para ela, que, se não a coloca em pé de igualdade com o irmão, pelo menos a torna mais letal.

Falando no irmão que já se bandeou ao lado sombrio, a postura de Lauren em ajudar seus pais a desviar a atenção da polícia e, principalmente, em apavorar o locador do apartamento onde moram, revelam uma outra faceta da personagem. Não me parece ser a “Lauren do mal”, mas sim a Lauren que sabe que não pode ficar choramingando pelos cantos e que precisa tomar tenência em relação ao que é. Esse é certamente o caminho correto e a atriz, diferente do que imaginava, até que conseguiu funcionar bem sob demanda.

Lá no lado do Círculo Interno, o recrutamento por Reeva de três mutantes barra-pesada responsáveis por assassinatos em massa parece ter sido a gota d’água para Lorna perceber que ficar do lado da louca varrida que não revela seus planos escusos não foi das decisões mais brilhantes de sua vida. Tendo visto a luz, ela apropriadamente corre atrás de Marcos para tentar entender exatamente o que sua chefe pretende, o que termina de reatar os dois mutantes separados.

Mesmo que o mais novo plano secreto (essa rotina já cansou!) não tenha sido ainda revelado, é bom ver a convergência das linhas narrativas do Círculo Interno e dos Purificadores, com o encontro furtivo – e levemente beligerante – entre Reeva e Pierce, o porta-voz anti-mutante e o líder secreto do grupo de ódio. Era claro que haveria uma conexão e essa revelação, agora, dá tempo para que o assunto seja desenvolvido com propriedade ao longo dos cinco episódios finais.

Jace é outro que estava sem rumo, mas os acontecimentos aqui em meMento o colocam mais profundamente ainda em um caminho sombrio sem volta. Não só ele e os Purificadores são comparados à Ku Klux Klan, o que o deixa momentaneamente em choque, como o assassinato à sangue do Garoto-Fumaça por seu “amigo” de grupo o força a tomar uma decisão que certamente o fará pagar um alto preço lá na frente. Pode até parecer que Jace ainda não encontrou sua verdadeira função na temporada, mas a abordagem dele no roteiro foi madura e particularmente pesada, o que também é ótimo para o futuro da série.

E isso porque nem mesmo abordei os segundos finais que serviram – de maneira um tanto quanto conveniente e sem preparação orgânica alguma, tenho que admitir – para ressuscitar a Resistência Mutante. O que Evangeline, Mãe dos Dragões, quer exatamente com John que não é Snow teremos que esperar, mas torço para que os X-Men de fundo de quintal finalmente tenham um norte e não fiquem mais batendo cabeça.

meMento foi um ótimo episódio organizador de tabuleiro e desenvolvedor de personagens. Resta só que Matt Nix não deixe a peteca cair e traga um fechamento digno para a temporada, já que ele está com a faca e o queijo na mão.

The Gifted – 2X11: meMento (EUA, 08 de janeiro de 2019)
Criação e Showrunner: Matt Nix
Direção: Maggie Kiley
Roteiro: Jim Garvey
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Coby Bell, Jamie Chung, Blair Redford, Emma Dumont, Skyler Samuels, Grace Byers, Kate Burton, Christopher Cousins, Anjelica Bette Fellini, Tom O’Keefe
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.