Crítica | The Gifted – 2X12: hoMe

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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Talvez seja muito cedo para dizer, mas parece que Matt Nix acertou o ritmo de sua série. Ao focar novamente nos Strucker, especialmente em Lauren e ao lidar com o conflito entre mutantes, o showrunner mostra que sabe fazer muito com pouco, desenvolvendo bem a trama depois do ótimo meMento.

A promessa do ressurgimento efetivo da Resistência Mutante esvai-se completamente com o assassinato de Evangeline e de um pequeno grupo de líderes de células em um atentado comandado por Reeva e executado completamente off screen pela trinca de mutantes sociopatas recrutados por ela (fica aqui a constatação de que Rebecca poderia ter sido poupada e evoluído como máquina de matar). Ficou até parecendo “truque sujo” o episódio trabalhar o ataque como uma elipse e nos tirar o prazer do embate direto entre mutantes, mas a escolha do roteiro fez completo sentido aqui já que não só essa pancadaria ficaria deslocada do eixo central do episódio, como seu impacto em John e Clarice seria menor.

Fica evidente (ou é apenas um desejo meu, claro) que esse evento servirá de catalisador para que Thunderbird saia de seu torpor completo e finalmente faça alguma coisa que preste na temporada, reunindo os frangalhos de seu grupo. Paralelamente, a defecção de Blink para os Morlocks, algo mais do que completamente esperado, com direito a flashbacks para seu terrível passado com um guardião abusivo, provavelmente servirá como a “Ponte da Amizade” entre os grupos portadores do gene X para um final que parece prometer ser explosivo.

Do lado dos Strucker, Lauren continua demonstrando a evolução de seus poderes ao enfrentar e ganhar de Andy no sonho compartilhado, o que desperta o interesse das sumidas Irmãs Stepford e estabelece o cliffhanger para o próximo episódio. Além disso, a ex-Garota Plástico-Bolha, depois de ser influenciado pela caixa de música de Andreas Strucker, parece ser outra no campo, atacando sem hesitação um destacamento dos Sentinel Services (aliás, bom saber que eles ainda existem!). Tudo foi muito rápido e talvez conveniente demais nessa ação depois da semi-traição do tio Danny que não revela mais do que já sabemos, mas é bom ver a temporada investindo em Lauren, abrindo espaço para a atriz demonstrar que é mais do que apenas um rostinho bonito.

Mas Lauren não é a única Strucker a ganhar atenção. Reed é também atraído pela caixa de música misteriosa e, em meio a flashbacks para seu passado quando ele a acha quando criança, seus poderes descontrolados esboçam uma volta. É particularmente interessante a forma como Andreas von Strucker é abordado, retirando-lhe o verniz padrão de grande vilão do passado para emprestar-lhe complexidade e uma ambição à la Magneto de criar uma utopia mutante, algo que também podemos entrever no pouco que Reeva revela do que pensa. Será que caminhamos na direção da criação de Genosha ou algo parecido na série? Seria ousado e, francamente, talvez um “pouco” além do que o orçamento de The Gifted pode suportar.

A direção de Dawn Wilkinson, apesar de ser cheia de cacoetes como o uso excessivo e sem sentido de ângulo holandês, sabe lidar muito bem com a passagem temporal e as elipses, trabalhando as tramas paralelas e tangenciais do roteiro de Marta Gené Camps sem perder o fio da meada ou confundir o espectador. Melhor ainda, Wilkinson sabe dar a impressão de grandiosidade sem efetivamente mostrar muita coisa, o que só beneficia a série primeiro por esconder bem sua fraqueza orçamentária e, segundo, por manter o foco nos personagens, o grande triunfo da série.

A segunda temporada de The Gifted não tem sido particularmente memorável, mas ela certamente tem sido melhor do que muitos têm afirmado. A sequência de acertos de meMento e hoMe é prova de que Matt Nix, mesmo cambaleante, tem feito um trabalho acima da média com o material que tem. É torcer para que os quatro episódios finais retirem de vez a impressão de falta de rumo que a temporada tem deixado.

The Gifted – 2X12: hoMe (EUA, 15 de janeiro de 2019)
Criação e Showrunner: Matt Nix
Direção: Dawn Wilkinson
Roteiro: Marta Gene Camps
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Coby Bell, Jamie Chung, Blair Redford, Emma Dumont, Skyler Samuels, Grace Byers, Michael Luwoye, Jeffrey Nordling, James Carpinello, Carsten Norgaard
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.