Crítica | The Gifted – 2X15: Monsters

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

Quem acompanha minhas críticas de The Gifted rolará os olhos para o que repetirei aqui nesse começo: a série é sempre melhor quando foca em seus personagens. Não tem jeito, é batata. E Monsters é mais uma prova disso, sendo o melhor episódio da temporada até agora e um dos melhores da série inteira, já que ele ainda tem, “de sobremesa”, a mesma Caitlin fria, calculista e manipuladora que vimos em detalhes em outMatched.

Essa “Caitlin sombria” é a mesma que, para salvar sua filha e os Morlocks que ajudou a resgatar, abalroou dois carros de polícia no final do episódio passado, depois de distribuir balas pelo para-brisa. E, sem hesitar, vendo-se sem saída, ela, agora, sacrifica os mesmos Morlocks para salvar sua filha. Caitlin sabe de suas prioridades e as encara de frente, sem hesitar e sem se preocupar em medir a magnitude do que é capaz de fazer. É ótimo ver alguém com tanta personalidade na série, especialmente perpetrando atos condenáveis, mas, ao mesmo tempo, relacionáveis nem que seja naquele nível primal que não gostamos de dizer que temos escondido lá no fundo de nossas mentes.

A atitude de Caitlin é o exato oposto da de Jace Turner. Se eu chamava Lauren de Menina-Plástico Bolha antes de ela graduar para Menina-Frisbee, Jace é, sem dúvida alguma, o Homem-Banana. Tudo que Matt Nix mostra saber fazer com Caitlin e, sejamos sinceros, todos os Strucker, ele não sabe com Jace. O ex-Sentinel Services tem crises de consciência seguidas de arroubos de raiva e é o sujeito mais facilmente manipulável de toda a série, com a maturidade de uma criança de oito anos. Isso já estava bem claro antes, mas, aqui, chega às raias do ridículo quando, ao entrar na sala de Benedict Ryan para tirar satisfações, ele é “enrolado” pelo falastrão com a maior facilidade do mundo.

Mas, para compensar Jace, o outro “problema” recente da temporada, ou seja, o sistemático apagamento de John Proudstar como alguém minimamente relevante, ganha um sopro de vida em Monsters. E olha que estou falando de um episódio que literalmente o deixa no banco de reservas quando Reed e Marcos vão resgatar Caitlin e Lauren no armazém (mais sobre isso em breve). A “morte” de Clarice termina de desequilibrá-lo completamente, deixando-o desesperado e profundamente abatido (mais um ótimo e sutil trabalho de maquiagem), capaz de esmurrar incessantemente um prédio por ainda sentir a presença de sua amada em algum lugar, sinal de que ela obviamente está viva, algo que é deixado mais do que claro naquele preâmbulo maroto em que ela fala que gostaria de se teletransportar para “todo lugar” e para “nenhum lugar”. Se a volta de Clarice ainda é algo a ser visto, a tristeza de John é palpável e muito bem trabalhada, basicamente a primeira vez em que o personagem tem uma atitude crível e lógica em toda a temporada. Espero que ele continue assim no episódio final.

Outro personagem muito bem abordado no episódio, claro, é Reed. Não demorou e sua decisão de parar de tomar seu supressor do gene X deu frutos. E que frutos! Em um momento que achei que seria desapontador e que acabaria em pizza, Reed usa seus poderes como instrumento defensivo no rifle de Ted e, ato contínuo, como arma contra o próprio e repugnante Purificador que recrutara Jace, dando um belo fim ao policial assassino. Ah, e antes que alguém de tendência politicamente correta fique horrorizado com minha felicidade em ver Reed transformando Ted em carvão, deixe-me repetir: foi um momento catártico que, sozinho, valeu a temporada toda. E, claro, o uso pleno de suas habilidades para salvar sua esposa e filha, com ajuda de Marcos para absorver a luz (o efeito, aqui, poderia ter sido melhor do que um literal desligar de luzes), fez dele o super-herói que esperávamos, mesmo que ele carregue dentro de si o legado destrutivo dos Strucker.

Mas tem mais! Até Lorna tornou-se útil no episódio, com seu telefone celular secreto que ela pode usar à vontade no quartel-general super-protegido de Reeva servindo mais uma vez para ela contactar Marcos e pedir instruções. Até aí, nada de novo, mas sua decisão em tentar virar a cabeça de Andy para fazê-lo ver a luz e, depois, a conversa franca do garoto com seu pai, que revela o que fizera mais cedo, reiterando o lado sombrio dos Strucker, chegou a ser até mesmo emocionante. E a cereja no bolo foi, depois de mais uma vez sermos lembrados de que Clarice está em algum lugar com a voz incorpórea que John escuta, o grupo todo original finalmente reunindo-se enquanto a tempestade se forma. Clichê até não poder mais, só que um clichê muito bem-vindo.

Monsters prepara um final bombástico para a temporada. Reeva com sangue nos olhos de um lado (afirmando o óbvio sobre a inutilidade das telepatas…) e John e companhia do outro. Tem tudo para dar certo, mesmo que a Disney, agora dona da Fox, resolva cancelar a série logo em seguida.

The Gifted – 2X15: Monsters (EUA, 19 de fevereiro de 2019)
Criação e Showrunner: Matt Nix
Direção: Scott Peters
Roteiro: Carly Soteras
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Coby Bell, Jamie Chung, Blair Redford, Emma Dumont, Skyler Samuels, Grace Byers, Michael Luwoye, Jeffrey Nordling, James Carpinello, Carsten Norgaard
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.