Crítica | The Gifted – 2X16: oMens

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios da série.

O final da segunda temporada de The Gifted deixa muito claro o potencial que essa série tem. Mesmo que ela não tenha sido fenomenal até aqui, em retrospecto é perfeitamente possível afirmar que Matt Nix mais acertou do que errou. Sim, sou o primeiro a reconhecer que a promessa de uma Lorna Dane poderosa nunca se concretizou e que John Proudstar e Jace Turner foram mal aproveitados, mas, quando balanceamos pontos positivos e negativos, os primeiros merecem exaltação: a família Strucker (incluindo e especialmente Caitlin, a única sem gene X) ganhou excelente desenvolvimento, com o legado que o nome carrega pesando sobre as ações do presente e Clarice Fong saiu de uma mutante perdida para uma grande líder, às vezes a única a enxergar as diversas situações com clareza.

E, com oMens, Matt Nix entrega um encerramento que pode ser tanto da temporada quanto da série, já que o arco que lidava com o plano de Reeva de forçar a emancipação de uma nação mutante pela incitação de uma revolta, manipulando os Purificadores por intermédio de Benedict Ryan, chegou ao seu fim. Uma história completa foi contada. E isso é importante em razão do futuro ainda incerto da série, especialmente agora com a aquisição de grande parte da Fox pela Disney e o caminho para a consolidação de todas as propriedades Marvel dentro de um mesmo universo. Portanto, se essa for a despedida de The Gifted, ela foi mais que digna. Se tivermos mais, com a promessa da reconstrução da Resistência Mutante e o de um futuro apocalíptico anunciado pela volta de Blink do mundo dos mortos (pode ser a mesma ou uma versão de outra dimensão, claro), desta vez com suas famosas adagas e de uniforme, então melhor ainda.

Tentando não deixar pontas soltas, o roteiro do próprio Nix parte imediatamente da fúria de Reeva pela defecção de Lorna e Andy, colocando seus Purificadores para exterminar de vez com a Resistência que está toda conveniente e burramente entocada no mesmo lugar, pensando no que fazer. Mas a conveniência narrativa, que conta também não com um ataque bem planejado de Jace e de seus minions, mas com sua escolha por “sitiar” o local, o que faz zero de sentido, paga polpudos dividendos. O primeiro deles é simples, mas muito eficaz, com a chegada stealth das Irmãs Stepford que fazem uso do poder de invisibilidade de Fade para sequestrar Andy e Lauren. Finalmente a telepatia ganha bom uso na temporada, já que a última vez que vimos as três agindo de verdade usando seus poderes foi na espetacular “fuga da prisão” lá atrás em eXploited, há muito, muito tempo. O segundo é, sem dúvida alguma, a redenção de John Proudstar que não só usa a pintura de guerra de sua contrapartida dos quadrinhos como finalmente aceita o codinome Thunderbird e sua herança mutante. De machadinha em punho, ele sozinho atropela os Purificadores que não tem chance diante de sua vingança. Não é a sequência mais bem coreografada do mundo e, novamente, há conveniências narrativas relacionadas com os ataques corporais empreendidos pelos caipiras preconceituosos enquanto eles poderiam simplesmente não parar de atirar e de jogar granadas, mas o que valeu de verdade foi o espírito da coisa, além da entrada de Erg no jogo e o momento em que Jace finalmente deixa às claras novamente seus impulsos suicidas, ainda que sua morte nunca efetivamente tenha me passado pela cabeça.

O interessante desse conflito é que ele catalisa todo o restante do episódio, com as telepatas forçando Andy e Lauren a formar o Fenris e destruir o prédio dos Sentinel Services, esgotando-nos no processo e colocando Esme de uma vez por todas do lado de Lorna. Sem os jovens Strucker no páreo, cabem aos demais invadir o prédio do Círculo Interno, tornando os flashbacks focados em Reed muito óbvios: ele não tem como sobreviver. Sua incapacidade de controlar seus poderes e toda a maneira como ele foi meticulosamente tratado ao longo da temporada só podiam levar a esse resultado e seu sacrifício ressona bem no episódio, mesmo que seu embate com Reeva – graças à forma como os poderes da vilã se manifestam – não tenha sido de encher os olhos. Mas ele foi funcional, lógico e dramático o suficiente para colocar um ponto final na série se for essa a decisão da Disney.

Com uma dose extra de CGI para compensar todos os episódios em que ele não deu as caras, oMens deixa evidente que Matt Nix sabe contar uma história eficiente de super-heróis que não precisa de muitos fogos de artifício ou uniformes espalhafatosos. Focando em seus personagens, ainda que errando em alguns, o showrunner entregou o final que a série merecia ou – cruzemos os dedos – a ponte que esperamos para uma nova fase caso haja renovação.

The Gifted – 2X16: oMens (EUA, 26 de fevereiro de 2019)
Criação e Showrunner: Matt Nix
Direção: Robert Duncan McNeill
Roteiro: Matt Nix
Elenco: Stephen Moyer, Amy Acker, Sean Teale, Natalie Alyn Lind, Percy Hynes White, Coby Bell, Jamie Chung, Blair Redford, Emma Dumont, Skyler Samuels, Grace Byers, Michael Luwoye, Jeffrey Nordling, James Carpinello, Carsten Norgaard
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.