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Crítica | The Handmaid’s Tale – 2X01 e 2: June / Unwomen

por Luiz Santiago
163 views (a partir de agosto de 2020)

plano critico o conto da aia The Handmaid's Tale – 2X01 e 2 June Unwomen Plano Crítico

Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Ataques coordenados, feitos por supostos “inimigos terroristas”, foram o último passo para que um grupo de indivíduos levassem a cabo o golpe de Estado que fez dos Estados Unidos uma ditadura teocrática, com divisão em castas e onde não há absolutamente nenhum espaço de poder, presença política e social, liberdade de expressão e controle sobre seu próprio corpo por parte das mulheres. Homens que burlam ou são contra o sistema também sofrem penas imensamente duras, mas por se tratar de uma sociedade falocrata onde a taxa de natalidade está em níveis quase nulos, as mulheres servem apenas para reproduzir ou para gerar condições e preparo comportamental (via tortura ou lavagem cerebral) para que as fêmeas férteis (as aias) possam participar da Cerimônia (em outras palavras, o estupro mensal, em seu período fértil, pelo Comandante a quem serve) e então trazer filhos para a nação. Este é o Universo de The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia).

Baseada na ficção especulativa de Margaret Atwood, a série da Hulu chega à sua 2ª Temporada exatamente a partir do ponto em que nos deixou, ao término do episódio Night. June — que também é o título da Premiere da temporada — está sendo levada pelos Anjos, após o seu ato subversivo em se recusar a apedrejar Janine (Madeline Brewer), inspirando as outras aias a fazerem o mesmo. No primeiro episódio, o roteiro dá as principais cartas dramáticas para que vejamos June (Elisabeth Moss segue arrebatadora!) passar para uma outra camada, dando a ela ferramentas mais potentes para iniciar algo parecido com uma luta contra o sistema. E junto disso também temos uma reafirmação de valores sociais, morais e éticos que são abocanhados pelo fundamentalismo (especificamente cristão, nesse caso, mas a leitura se aplica facilmente aos três monoteísmos, especialmente em nossos dias) e tidos como um padrão de salvação superior para a sociedade. O último bastião da decência. As regras que irão fazer prosperar novamente a humanidade. Lembremos que a estrutura social de Gilead é religiosa e que até mesmo o estupro conhecido como “Cerimônia” vem da “interpretação” literal de uma passagem do Livro do Gênesis:

Vendo Raquel que não dava filhos a Jacó, teve inveja da sua irmã e disse a Jacó: Dá-me filhos, ou senão morro. Então se acendeu a ira de Jacó contra Raquel, e perguntou: Acaso estou eu em lugar de Deus, que te há negado o fruto do ventre? Respondeu ela: Eis a minha serva Bila recebe-a por mulher; para que ela dê à luz sobre os meus joelhos, e eu também seja dela edificada. Assim lhe deu a Bila, sua serva, por mulher, e Jacó esteve com ela.

Gênesis 30:1 a 4

Dramaticamente falando, o roteiro desses dois episódios são poderosos. Não só o novo momento de June é lançado, como também temos a primeira mostra do que acontece nas Colônias, com as Não-Mulheres, as “traidoras do gênero”, aqui, com destaque absoluto para a Emily de Alexis Bledel, em uma bárbara atuação. Inicialmente, nas entrelinhas, mas depois de maneira bastante clara, os roteiros de Bruce Miller nos convidam a pensar sobre o valor da liberdade e pelo quê estamos dispostos a abrir mão dela. Então a discussão sobre liberdades individuais vem à tona e tudo fica muitíssimo mais doloroso. Em Unwomen, por exemplo, essa sensação é elevada a um patamar de real terror, beneficiando-se da soberba direção de fotografia, da mudança de figurinos e da precisa mão de Mike Barker guiando o episódio. A grande discussão se dá para a questão da sexualidade, marcada por cenas de separação bastante emotivas e por um medo que passa a dominar todas as pessoas, fazendo pontes imediatas com o nosso mundo. E não, não estou falando de nações que já entraram no Universo de Handmaid’s Tale ao reduzir a mulher a nada mais que um útero. Falo de nações que seguem abrindo as portas para posturas fundamentalistas de supressão de liberdades em nome de uma “moral maior”, de uma “ordem divina” e para a “salvação da alma” alheia. Uma fala de June na temporada passada deve ser lembrada aqui com muito vigor: UMA COISA ASSIM NÃO ACONTECE DO DIA PARA A NOITE.

A dor, a esperança e a capacidade de resistência são fatos que acompanham as aias desde o começo da série, mas ao que tudo indica, serão os norteadores desta Segunda Temporada. Em apenas dois episódios, acompanhamos o lançamento de preciosas mudanças, passando por excelentes contextualizações sociais, políticas e ideológicas, até o estabelecimento do horror que é esta nação de Gilead. O elenco inteiro está em excelente forma, não havendo discrepâncias de atuação, mesmo nos blocos de menor impacto. Isso também nos ajuda a ver os “fiéis” a Gilead com alguns possíveis tons de cinza, não como malditos absolutos. Não porque são eventualmente “pessoas boas“. Sua cegueira religiosa e seu ideal social os impedem de ver as aias, as Martas ou as Não-Mulheres como algo além de “serventes do sistema“. Mas porque essa postura nos permite interpretar os comportamento por um viés humano também. É visível que há um orgulho imenso por parte desses fiéis, uma fé real de que todo e qualquer horror que eles cometam são plenamente justificáveis porque eles estão dando condições para que novas crianças venham ao mundo, em um cenário onde a reprodução é cada vez mais rara. Coloque esse tema em discussão em qualquer fórum ou rede social hoje e espere as respostas. Esse tipo de disposição se faz presente em muitas cabeças e visões de mundo mesmo em um ambiente democrático, com alguns direitos concedidos. Imaginem só numa sociedade de crise, onde esses direitos não mais existem.

Estabelecendo um cenário de encontros, lutas e recolocações, a 2ª Temporada de The Handmaid’s Tale começa sem piedade alguma. E incrivelmente cada vez mais real para nós. Este é o tipo de história que incomoda tanto pelo conteúdo, quanto pela óbvia semelhança que tem com práticas já correntes em nosso mundo. Há sugestões vindas da trilha sonora, do memorial, do episódio de Friends que June assiste, do corte de cabelo, da queima de roupa e das ações até então “menores” de revidar contra o sistema que nos conecta com essa realidade, alertando e convidando a pensar. Em um mundo onde surgem cada vez mais pessoas e grupos políticos achando que o Estado deve intervir em tudo e na vida de todos — “para um bem maior” — e que o controle de expressões pessoais e do corpo deve ser tutelado porque “você não sabe o que é melhor para você, mas o Estado e a religião sabem“, The Handmaid’s Tale é uma sirene em volume máximo. O horror, desta vez, não está apenas na “brincadeira da ficção“. Não é “tudo de mentirinha“. Não desta vez.

The Handmaid’s Tale – 2X01 e 2: June / Unwomen (25 de abril de 2018)
Direção: Mike Barker
Roteiro: Bruce Miller
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Ann Dowd, O-T Fagbenle, Max Minghella, Bahia Watson, Jenessa Grant, Nina Kiri, Ericka Kreutz, Ryan Turner, Daniel Chaudhry, David Snelgrove, Dave Lapsley, Edie Inksetter, Alexis Bledel, Madeline Brewer, Phillip Craig, Nicky Guadagni, Novie Edwards, Soo Garay, Keeya King, Ian Geldart, Helen King
Duração: 60 min. (cada episódio)

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70 comentários

Jorge Duete 10 de maio de 2020 - 16:03

Acho a primeira temporada maravilhosa. Gosto de todos os episódios. Já esse comecinho da segunda segue bom, mas, em minha opinião, inferior. O grande destaque é a fotografia arrebatadora do primeiro episódio. De cair o queixo, isso porque vi no celular, imagine só numa tela maior. Uau!

Responder
Luiz Santiago 16 de maio de 2018 - 14:13

Entenda bem que este não foi o tom da conversa.

Responder
Luiz Santiago 9 de maio de 2018 - 13:32

EU NÃO QUERO IR PARA AS COLÔNIAS!!!!

Responder
Flavio Batista 8 de maio de 2018 - 10:42

E eu achando q a primeira temporada tinha sido dificil de assistir. Que serie!

Responder
márcio xavier 30 de abril de 2018 - 14:58

Em carga dramática Handsmaid já superou Leftovers, na minha opinião. E além disso tem as vantagens citadas no texto, como fotografia, maravilhosa. A fotografia aérea das aias em formação circular segurando as pedras, com a chuva caindo, é algo pra se eternizar. maravitop (perdão).

De tirar o fôlego, literalmente, esse início de temporada. E o choque se torna maior quando percebemos como as pessoas estão ficando mais fundamentalistas e ortodoxas em suas crenças aqui no Brasil, não apenas política, e se aproximando de um estado das coisas onde qualquer meio se justifica se o fim que elas acham necessário for alcançado. medo. muito medo.

Responder
Luiz Santiago 30 de abril de 2018 - 18:57

MARAVITOP hahahhahahahahhahahahahahah

A fotografia do bloco das colônias me tirou o fôlego. Aliás, todo aquele lugar. Excelente direção!

Responder
Luiz Santiago 30 de abril de 2018 - 18:57

MARAVITOP hahahhahahahahhahahahahahah

A fotografia do bloco das colônias me tirou o fôlego. Aliás, todo aquele lugar. Excelente direção!

Responder
márcio xavier 30 de abril de 2018 - 14:58

Em carga dramática Handsmaid já superou Leftovers, na minha opinião. E além disso tem as vantagens citadas no texto, como fotografia, maravilhosa. A fotografia aérea das aias em formação circular segurando as pedras, com a chuva caindo, é algo pra se eternizar. maravitop (perdão).

De tirar o fôlego, literalmente, esse início de temporada. E o choque se torna maior quando percebemos como as pessoas estão ficando mais fundamentalistas e ortodoxas em suas crenças aqui no Brasil, não apenas política, e se aproximando de um estado das coisas onde qualquer meio se justifica se o fim que elas acham necessário for alcançado. medo. muito medo.

Responder
nickyy 30 de abril de 2018 - 13:29

Onde você assistiu esse ep.? Eu procuro,procuro e não acho

Responder
Luiz Santiago 30 de abril de 2018 - 13:35

Peguei por torrent.

Responder
nickyy 30 de abril de 2018 - 13:50

Ata,poderia me dizer o nome do site que você pegou pra baixar? Pls

Responder
Luiz Santiago 30 de abril de 2018 - 13:35

Peguei por torrent.

Responder
Luiz Santiago 30 de abril de 2018 - 19:24

@disqus_YVH3xNLYTZ:disqus eu não posso exibir links ou os nomes desse tipo de site por aqui, sorry.

Responder
nickyy 1 de maio de 2018 - 15:49

ata,entendi kskskmds

Responder
nickyy 30 de abril de 2018 - 13:29

Onde você assistiu esse ep.? Eu procuro,procuro e não acho

Responder
Huckleberry Hound 29 de abril de 2018 - 22:23

Quanto tempo vocês acham que aguentariam no lugar da June na Giread?

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 22:26

Como eu iria direto para as Colônias, fica difícil imaginar quanto meu corpo aguentaria espirar aquilo… Sem contar que, se tivesse oportunidade, eu ia querer matar umas Tias ali, então se não morresse por conta da contaminação das Colônias, seria por tentar matar uma representante do governo. Ou seja, eu acho que não sobreviveria mais de um ano não.

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 22:26

Como eu iria direto para as Colônias, fica difícil imaginar quanto meu corpo aguentaria espirar aquilo… Sem contar que, se tivesse oportunidade, eu ia querer matar umas Tias ali, então se não morresse por conta da contaminação das Colônias, seria por tentar matar uma representante do governo. Ou seja, eu acho que não sobreviveria mais de um ano não.

Responder
Lucas Chaves Dos Santos 9 de junho de 2018 - 22:15

Acho que homens ‘traidores de gênero’ morrem logo que é descoberto, pq não servem pra absolutamente nada, ao contrário das mulheres, que mesmo traidoras ainda tem a possibilidade de serem férteis e dar a luz. Então eu morreria rapinho…*bate na madeira*

Responder
Cesar 29 de abril de 2018 - 21:34

Trouxeram a maravilhosa Marisa Tomei pra morrer em um episódio? Hehehe

Essa série é muito linda em toda a parte técnica, já é até batido falar isso, mas vc vê os novos episodios e se superam. As coisas tão lentamente começando a mudar pra as Aias.

E aquela cena final do 2? Lindissima! A June, apesar de tudo, ainda fez uma oração sincera? Interpretei errado? É isso mesmo? Ao contrário da Emili, por exemplo.

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 22:24

@disqus_MQyZmw7MOm:disqus aquela oração me doeu a alma. Mesmo com todo o horror EM NOME DA RELIGIÃO, June consegue olhar para dentro dela e encontrar outra coisa. Deus. Não uma doutrina, uma marca, um conjunto de regras. Foi dolorido e bonito ao mesmo tempo. Ela mantém a fé, a despeito do que a religião fez com ela… É do caralho ou não é?

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 22:24

@disqus_MQyZmw7MOm:disqus aquela oração me doeu a alma. Mesmo com todo o horror EM NOME DA RELIGIÃO, June consegue olhar para dentro dela e encontrar outra coisa. Deus. Não uma doutrina, uma marca, um conjunto de regras. Foi dolorido e bonito ao mesmo tempo. Ela mantém a fé, a despeito do que a religião fez com ela… É do caralho ou não é?

Responder
Flavio Batista 8 de maio de 2018 - 10:36

Caracas, eu bem q achei a atriz parecida com a Marisa Tomei. mas ela tava tao judiada q eu n quis crer q fosse ela.

Responder
Flavio Batista 8 de maio de 2018 - 10:38

@disqus_MQyZmw7MOm:disqus, eu realmente acho q ela fez uma oraçao sincera.
Ela me parece, que ainda consegue discernir que aquilo tudo q esta acontecendo n tem nada a ver com Deus, e sim com religiao e poder.
Achei muito linda a cena. Q Serie, senhoras e senhores!

Responder
Cesar 29 de abril de 2018 - 21:34

Trouxeram a maravilhosa Marisa Tomei pra morrer em um episódio? Hehehe

Essa série é muito linda em toda a parte técnica, já é até batido falar isso, mas vc vê os novos episodios e se superam. As coisas tão lentamente começando a mudar pra as Aias.

E aquela cena final do 2? Lindissima! A June, apesar de tudo, ainda fez uma oração sincera? Interpretei errado? É isso mesmo? Ao contrário da Emili, por exemplo.

Responder
JC 29 de abril de 2018 - 05:14

Caraca….quase chorei com a última linha da sua crítica. “O horror, desta vez, não está apenas na “brincadeira da ficção“. Não é “tudo de mentirinha“. Não desta vez.”
É isso que eu tenho sentido não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
Pessoas que são inteligentes, estudadas…querendo voltar a tempos antigos. Gente sendo chamada de mito por nada.

Tem uma música de uma banda de pagode (eu achava antigamente que era algo da MPB, ou algum medalhão…tomei na cara), que diz:

“O que é que eu vou fazer
Com essa tal liberdade?”

O que eu vejo é justamente isso, é tanta liberdade que temos hoje em dia, que uma parcela está sem saber o que fazer com ela, e por isso, precisa de um guia, um deus, um político, um poder para guia-los.

Esse seriado deveria ser obrigatório passar em TV Aberta em horário nobre.

É pesado, é forte e tenho medo que se torne real.

Eu não consigo me imagina vivendo num mundo assim.

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 05:45

Sinto a mesma angústia, @JCnaWEB:disqus. Como historiador, minha mente pesa ainda mais, porque em uma análise bem simples, consigo ver semelhança com TODOS os momentos em que governos/Estados/culturas de certa forma mais “abertos” entram em uma espiral de crise e a receita é exatamente a mesma em todos os casos:

1 – Aumentam o número de pessoas que clamam por um “salvador de mão forte”;
2 – Aumentam o número de pessoas que clamam por diminuição de liberdades individuais “para manter a ordem e salvar a nação”;
3 – Aumentam o número de políticos/vozes públicas que clamam por eliminação, segregação, cura, conserto ou morte a tudo e todos que agem/vivem diferente do que eles acham que é certo…

A receita final é a mesma. E no fim das contas, é ruim para todo mundo. É medonho, é assustador e sim, é real demais. Não “real” do tipo “nossa, é algo bem pontual, mas a gente está de olho”. Não. Eu to falando real do tipo: tem grupos inteiros ELEITOS DEMOCRATICAMENTE e que, pode vias legais, estão caminhando alguns aspectos da nação para este, este e este caminho. Estou falando real do tipo: existem candidatos políticos defendendo abertamente um tipo de eugenia ou limpeza ético-moral com base em conceitos [supostamente] cristãos. Real do tipo: a lei está sendo utilizada como uma desculpa de momento para mascarar situações [e quando digo “Lei” é a casca do que é legal ou não, normalmente um circo para quem não lê, não entende, e reproduz um discurso fácil e pronto só porque acontece justamente com as pessoas ou grupos que elas não gostam].

Eu sempre comentei com os meus alunos que a polarização política é uma faca de dois gumes. Em um lado, ela pode ser excelente para a nação a fim de criar um diálogo duro entre as partes, colocando o melhor e o pior de todas e chegando a um cenário onde é possível escolher aquilo que fará bem para a nação como um todo. O outro gume é um lado achando que o outro não merece nada além de morte, “ser o que eles são lá bem longe da gente” ou “apanhar até virar um de nós”. O clássico exemplo contemporâneo disso é a Síria hoje.

É terrível, terrível. Essa série realmente deveria ser vista por muito mais gente. Pra ver se abrem os olhos e veem as pessoas que andam escolhendo para “guiar” o país ou dando bola e voz para supostos grupos “anti” alguma coisa, que na verdade acamam sendo grupos “anti tudo aquilo que é diferente do que eu e meu partido apoiam”.

Responder
JC 9 de maio de 2018 - 12:28

Demorei de responder…mas é bem isso que estou sentindo também. E o que me dá mais medo…é que passinho a passinho estão chegando em cargos altos. Se certo ser por exemplo, ganhar a presidência…eu me vejo como no seriado de America Horror History, tendo um surto em frente a TV.

O problema é que as concorrências tão xoxas…não tem nenhum que realmente signifique algo…uma mudança de caminho….

Se a gente virar um Handmale Brazil Tale, eu tento a todo custo sair daqui. Tá doido!

Responder
JC 29 de abril de 2018 - 05:14

Caraca….quase chorei com a última linha da sua crítica. “O horror, desta vez, não está apenas na “brincadeira da ficção“. Não é “tudo de mentirinha“. Não desta vez.”
É isso que eu tenho sentido não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
Pessoas que são inteligentes, estudadas…querendo voltar a tempos antigos. Gente sendo chamada de mito por nada.

Tem uma música de uma banda de pagode (eu achava antigamente que era algo da MPB, ou algum medalhão…tomei na cara), que diz:

“O que é que eu vou fazer
Com essa tal liberdade?”

O que eu vejo é justamente isso, é tanta liberdade que temos hoje em dia, que uma parcela está sem saber o que fazer com ela, e por isso, precisa de um guia, um deus, um político, um poder para guia-los.

Esse seriado deveria ser obrigatório passar em TV Aberta em horário nobre.

É pesado, é forte e tenho medo que se torne real.

Eu não consigo me imagina vivendo num mundo assim.

Responder
Stella 27 de abril de 2018 - 23:30

Excelente crítica. Essa série sempre faz aparecer na minha casa ninjas cortadores de cebola, eu choro muito kkkkkkkkk. E a trilha sonora e direção de som pelo amor digna de Oscar. Até a cena de sexo da June fica macabra kkkkkkk

Responder
Luiz Santiago 28 de abril de 2018 - 02:03

Aleluia alguém também viu aquela cena como macabra! Achei demais! A gente fica tão tenso, tão com os nervos à flor da pele, que um cenão daqueles deixa a gente esperando o pior ou vendo o pior da situação. Foda!

Responder
JC 29 de abril de 2018 - 05:16

A cena de sexo dá pra tirar diversos contextos….desde a June finalmente aproveitando sua liberdade retomada…a usar o sexo para escapar dos pensamentos ruins e coisas que aconteceram…e outra visão, que me parece mais clara ainda, é de que ela se sente com mais poder diante de um homem.
Mais não, ela tem.

Responder
JC 29 de abril de 2018 - 05:16

A cena de sexo dá pra tirar diversos contextos….desde a June finalmente aproveitando sua liberdade retomada…a usar o sexo para escapar dos pensamentos ruins e coisas que aconteceram…e outra visão, que me parece mais clara ainda, é de que ela se sente com mais poder diante de um homem.
Mais não, ela tem.

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 05:32

O que mais se destacou para mim na hora, dentro dessas que você citou, foi a do sexo para escapar dos pensamentos e coisas ruins.

Mas a questão do poder é real oficial. E isso pode ser uma ótima dica para o que a personagem pode fazer ao longo da temporada.

Responder
JC 29 de abril de 2018 - 07:03

Eu acho que analisando friamente, vai ser bem isso mesmo. Porque perceba…ela quase “força” o cara, domina ele pelos cabelos, abre as calças, mesmo de costas fica aquela sensação de dominação dela.
E mais pra frente, mesmo ele super cansado diz – em outras palavras – vai ter mais sim, se vire, mas eu quero e pronto.

Depois de tanto tempo sendo dominada…..

Flavio Batista 8 de maio de 2018 - 10:40

tbm percebi todas essas nuances. Desde qdo ela pega ele pelos cabelos, acho q isso ficou claro

márcio xavier 30 de abril de 2018 - 15:03

Não achei macabra. Achei pesada. Como se ela estivesse tentando escapar de toda a dor que a cerca por meio de uma fuga temporária, já tendo a certeza que a dor iria esperá-la e no final e a preencher com toda sua força novamente. muito. muito tenso.

Responder
márcio xavier 30 de abril de 2018 - 15:03

Não achei macabra. Achei pesada. Como se ela estivesse tentando escapar de toda a dor que a cerca por meio de uma fuga temporária, já tendo a certeza que a dor iria esperá-la e no final e a preencher com toda sua força novamente. muito. muito tenso.

Responder
Felipe José de Lima 27 de abril de 2018 - 11:33

The Handmaid’s Tale dá-me calafrios como nenhuma outra obra consegue, especialmente as cenas que retratam o mundo pré-Gilead. De fato “uma coisa assim não acontece do dia para noite” e aquelas cenas que retratam as gradativas restrições dos direitos individuais – sem um rompimento brusco do Estado então vigente – são agoniantes.
Quanto à passagem do Livro do Gênesis que fundamenta a “Cerimônia”, esta é apenas uma das muitas bizarrices do Velho Testamento. As histórias de Abraão e de Jó, por exemplo, deixam qualquer pessoa de bom senso horrorizadas e indignadas.

Responder
Luiz Santiago 27 de abril de 2018 - 11:45

Temos a mesma impressão. O mundo pré-Gilead realmente mostra como gradativamente — e sempre com uma suposta “ação legal” — os direitos e as liberdades individuais foram sendo abocanhadas. Acho que isso é o que mais assusta, e é pior ainda quando consideramos que em pleno século XXI a gente ainda tenha que se preocupar com esse tipo de coisa. Achei interessante a cena em que o reitor da Universidade fala para Emily que ele achou que tinha sido “a última geração a lidar com aquele tipo de merda”. Mas é impressionante como horrores do passado voltam a assombrar. E essas revisões acabam regerando padrões sociais imensamente tenebrosos. A História está aí pra provar.

Responder
JC 29 de abril de 2018 - 05:17

Caraca…quando o reitor falou isso, eu me arrepiei todo.

Responder
Luiz Santiago 29 de abril de 2018 - 05:30

Frase forte mesmo. E infelizmente, muito real.

Responder
Luiz Santiago 27 de abril de 2018 - 11:45

Temos a mesma impressão. O mundo pré-Gilead realmente mostra como gradativamente — e sempre com uma suposta “ação legal” — os direitos e as liberdades individuais foram sendo abocanhadas. Acho que isso é o que mais assusta, e é pior ainda quando consideramos que em pleno século XXI a gente ainda tenha que se preocupar com esse tipo de coisa. Achei interessante a cena em que o reitor da Universidade fala para Emily que ele achou que tinha sido “a última geração a lidar com aquele tipo de merda”. Mas é impressionante como horrores do passado voltam a assombrar. E essas revisões acabam regerando padrões sociais imensamente tenebrosos. A História está aí pra provar.

Responder
Felipe José de Lima 27 de abril de 2018 - 11:33

The Handmaid’s Tale dá-me calafrios como nenhuma outra obra consegue, especialmente as cenas que retratam o mundo pré-Gilead. De fato “uma coisa assim não acontece do dia para noite” e aquelas cenas que retratam as gradativas restrições dos direitos individuais – sem um rompimento brusco do Estado então vigente – são agoniantes.
Quanto à passagem do Livro do Gênesis que fundamenta a “Cerimônia”, esta é apenas uma das muitas bizarrices do Velho Testamento. As histórias de Abraão e de Jó, por exemplo, deixam qualquer pessoa de bom senso horrorizadas e indignadas.

Responder
bre.ribeiro 27 de abril de 2018 - 00:50

Essa série e assustadora, so co ro !!!

Responder
Luiz Santiago 27 de abril de 2018 - 01:08

Assustadora demais! Especialmente pelas semelhanças com o nosso mundo…

Responder
bre.ribeiro 6 de maio de 2018 - 15:28

Pois é isso mesmo que mais assusta… Dá perfeitamente pra imaginar tudo isso acontecendo muito em breve.

Responder
Elton Miranda 26 de abril de 2018 - 21:18

Série Linda de se ver; aprende ai Netflix

Responder
Luiz Santiago 26 de abril de 2018 - 23:21

Putz, Netflix não vai aprender uma lição como essa não. Infelizmente…

Responder
Stella 27 de abril de 2018 - 23:31

Infelizmente Hulu não tem no Brasil não adianta KKKKKKKKKKK

Responder
Luiz Santiago 28 de abril de 2018 - 02:01

Para nossa mais profunda tristeza!

Responder
Luiz Santiago 28 de abril de 2018 - 02:01

Para nossa mais profunda tristeza!

Responder
Stella 27 de abril de 2018 - 23:31

Infelizmente Hulu não tem no Brasil não adianta KKKKKKKKKKK

Responder
Cristhian Lopes 16 de maio de 2018 - 12:41

Muito maldoso, Netflix tem series excelentes, não vou enumerar pois são tantas, enquanto a Hulu tem somente uma serie que eu conheça ou assisto.

Responder
Gabriel 26 de abril de 2018 - 21:08

Heey Luiz!

Não li a crítica porque ainda não assisti aos episódios, mas já adianto que não me surpreendi com a nota.

Posso estar ficando louco, entretanto creio que The Handmaid’s Tale caminha para se tornar uma série clássica no futuro. Volto depois

Abs!

Responder
Luiz Santiago 26 de abril de 2018 - 23:22

Hey, @disqus_Kl3XkcNRYW:disqus!

Se continuar desse jeito, é com certeza uma série que caminha para a glória. Não sei quantas temporadas os produtores estão planejando, mas se tudo for mantido de maneira sóbria e a série durar o tempo necessário para contar todo o drama sem firulas…. nossa, só coisa boa há de vir.

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 26 de abril de 2018 - 20:13

A primeira e magnifica temporada foi uma obra tremendamente corajosa e atual, fazendo-nos vislumbrar um futuro sombrio, porém plausível, construído sob o arbitrário e nefasto pilar da moral e bons costumes. Me arrepio só de ouvir nossos políticos bradando sobre os bons costumes como plataforma de governo.
PS: ainda não vi os novos episódios, agora a empolgação só aumentou. Excelente critica.

Responder
Luiz Santiago 26 de abril de 2018 - 23:26

@rodrigorochavaz:disqus compartilhamos o mesmo mal-estar quando personas políticas falam abertamente coisas que apontam para um cenário desse tipo e tem uma horda de gente atrás… aplaudindo. E pior ainda é ver que a ala já conservadora do cristianismo do Brasil é a que mais gente ganha para sua gordura de ódio a tudo o que não faz parte do suposto “ciclo de salvação” do qual fazem parte. Como estava falando com o Ritter aqui embaixo: é torturante ver essa série e isso é muito pela proximidade que todas as coisas têm com o nosso atual mundo.

Responder
Luiz Santiago 26 de abril de 2018 - 23:26

@rodrigorochavaz:disqus compartilhamos o mesmo mal-estar quando personas políticas falam abertamente coisas que apontam para um cenário desse tipo e tem uma horda de gente atrás… aplaudindo. E pior ainda é ver que a ala já conservadora do cristianismo do Brasil é a que mais gente ganha para sua gordura de ódio a tudo o que não faz parte do suposto “ciclo de salvação” do qual fazem parte. Como estava falando com o Ritter aqui embaixo: é torturante ver essa série e isso é muito pela proximidade que todas as coisas têm com o nosso atual mundo.

Responder
Gabriel 26 de abril de 2018 - 21:08

Heey Luiz!

Não li a crítica porque ainda não assisti aos episódios, mas já adianto que não me surpreendi com a nota.

Posso estar ficando louco, entretanto creio que The Handmaid’s Tale caminha para se tornar uma série clássica no futuro. Volto depois

Abs!

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 26 de abril de 2018 - 20:13

A primeira e magnifica temporada foi uma obra tremendamente corajosa e atual, fazendo-nos vislumbrar um futuro sombrio, porém plausível, construído sob o arbitrário e nefasto pilar da moral e bons costumes. Me arrepio só de ouvir nossos políticos bradando sobre os bons costumes como plataforma de governo.
PS: ainda não vi os novos episódios, agora a empolgação só aumentou. Excelente critica.

Responder
planocritico 26 de abril de 2018 - 14:41

Pelo visto, a Hulu está conseguindo fazer um bom trabalho de “extrapolação” do livro original. Bom saber!

Bela crítica!

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Santiago 26 de abril de 2018 - 16:52

O episódio nas Colônias foi foda demais. Ampliou o Universo e aumentou o nível de horror. Vai ser uma temporada difícil de assistir, se continuar assim hehehehehe.

Valeu!
😀

Responder
planocritico 26 de abril de 2018 - 17:19

Já foi complicado assistir a primeira… Na verdade, até o livro foi meio torturante. É uma daquelas leituras “desagradáveis”, mas pela temática e não pelo forma como ele foi escrito, claro.

Abs,
Ritter.

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planocritico 26 de abril de 2018 - 17:19

Já foi complicado assistir a primeira… Na verdade, até o livro foi meio torturante. É uma daquelas leituras “desagradáveis”, mas pela temática e não pelo forma como ele foi escrito, claro.

Abs,
Ritter.

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Luiz Santiago 26 de abril de 2018 - 23:26

Exato! Eu fiquei muito curioso para ler o livro. Não é algo que pretendo fazer por agora, mas com certeza é uma obra que quero ler um dia.

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Stella 27 de abril de 2018 - 23:32

Concordo, ta horror puro. Não consigo ver esperanças pra nenhuma fora June.

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Luiz Santiago 28 de abril de 2018 - 02:00

Também não. E nessas condições fica ainda mais interessante a base do drama, porque é tudo imprevisível!

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Stella 27 de abril de 2018 - 23:32

Concordo, ta horror puro. Não consigo ver esperanças pra nenhuma fora June.

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planocritico 26 de abril de 2018 - 14:41

Pelo visto, a Hulu está conseguindo fazer um bom trabalho de “extrapolação” do livro original. Bom saber!

Bela crítica!

Abs,
Ritter.

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