Crítica | The Handmaid’s Tale – 3X01: Night

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios da série.

The Word, o final da 2ª Temporada de The Handmaid’s Tale, me trouxe uma preocupação que até aquele momento eu não tinha tido com a série. A decisão final de June (Elisabeth Moss) em ficar em Gilead, mesmo tendo a oportunidade de escapar junto com a segunda filha, trouxe questionamentos sobre a condução dos showrunners diante do drama, especialmente após a insistência em uma linha narrativa da qual já se tinha tirado muita coisa boa. E a preocupação — que não era só minha, por sinal — gerou uma boa camada de mudanças no programa, algo que ouvimos dos criadores nas entrevistas de preparação e divulgação desta 3ª Temporada, que começa de forma muitíssimo satisfatória e com um episódio que mostra uma evidente alteração de tom na série.

Night (que também foi o título do Finale da 1ª Temporada, episódio onde Moira escapou para o Canadá — notem o flerte cíclico aí) abre este terceiro ano com um tom diferente. O roteiro é Bruce Miller, que repara seu encerramento da temporada anterior colocando a decisão de June em perspectiva, claramente abrindo possibilidades para mudanças no país e na vida de June. A primeira coisa que chama a atenção aqui é a leveza com que o episódio flui (acompanhado por uma pontual, mas incrível trilha sonora), mesmo contendo todos os horrores a que já estamos acostumados nessa ditadura patriarcal e cristã. A punição, os maus tratos às mulheres, o preconceito, tudo isso está aqui. No entanto, há algo diferente no ar. Esses elementos negativos não são mais “o fim em si“. Eles são a situação, o momento, o cenário. A atenção agora se volta para a luta.

Mike Barker aproveita o silêncio que marca vários pontos do roteiro e nos recoloca na vida desses personagens em um momento de crise. O estilo mais invasivo e íntino da direção se mantém (com todos aqueles closes e primeiros planos no rosto das atrizes, mais a constante movimentação de câmera) e isso também serve para nos mostrar algo um pouco diferente nas expressões, aquela marca de esperança que não víamos na série desde o fim do primeiro ano e o comecinho do segundo, onde o andamento das coisas, por piores que fossem, davam-nos um chão para pisar. E é exatamente este chão que é criado aqui. Como disse antes, a essência da série se mantém intacta, mas as mulheres estão partindo para a ação.

A linha de destaque se divide entre June e Serena (Yvonne Strahovski). A primeira tem a sua decisão colocada em perspectiva por Nick (Max Minghella) em uma cena rápida mas bastante eficiente e honesta. O roteiro econômico desse episódio está mais preocupado em lançar as ideias principais e nos fazer sentir, pela experiência, aquilo que os personagens sentem mais as decisões que tomam na noite da revolta que permitiu Emily (Alexis Bledel) e a bebê escaparem de Gilead. Já Serena sofre pelo conflito que a vimos passar ao longo de toda a temporada passada. Seu arco de mudança de pensamento (mas nem tanto…) foi bastante sólido no ano anterior e por isso suas ações aqui são rapidamente compreendidas e, pelo menos para mim, muito apreciadas. Imagino que ela será alguém em constante conflito de ideias, mas claramente indo em direção a uma mudança contra a sociedade opressora que ajudou a construir ao longo de todo este ano. Assim eu espero, pelo menos.

Ao iniciar a temporada criando um bom trampolim para ações e não uma reafirmação do sofrimento e das perdas pura e simplesmente, Bruce Miller consegue virar a chave de perigo no show para mais um ano inteiro de excelentes possibilidades. Se souber aproveitar bem essa deixa criada, podemos esperar mais uma jornada de tirar o fôlego. Bendito Seja.

The Handmaid’s Tale – 3X01: Night (5 de junho de 2019)
Direção: Mike Barker
Roteiro: Bruce Miller
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Alexis Bledel, Amanda Brugel, Julie Dretzin, O-T Fagbenle, Edie Inksetter, Carson Manning, Max Minghella, Yvonne Strahovski, Bradley Whitford, Samira Wiley
Duração: 53 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.