Home TVEpisódio Crítica | The Handmaid’s Tale – 3X03: Useful

Crítica | The Handmaid’s Tale – 3X03: Useful

por Luiz Santiago
178 views (a partir de agosto de 2020)
HANDMAIDS TALE 2 Watch Out PLANO CRITICO

  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

E neste terceiro episódio disponibilizado logo na semana de sua 3ª Temporada, temos um cenário bastante sólido, eu diria, do que será este ano de The Handmaid’s Tale. Mesmo sabendo que decepções, tristezas e horrores estão nos esperando nas esquinas dos capítulos seguintes — e não é como se não tivéssemos experimentado um pouco deles aqui também –, está muito claro que o show mudou. E mudou para um estágio de enfrentamento que nos coloca para pensar sobre o futuro da série, nos trazendo duas possibilidades, uma positiva e outra negativa. A positiva (embora triste) seria o futuro encerramento do programa, nesta ou na próxima temporada, após a vitória da [possível?] revolução que agora se planeja. A negativa seria a enrolação pura e simples, com os showrunners estendo ao máximo a trama quando na verdade nada mais há para se tirar dela.

Eu quero crer que um time de produção tão bom como o desta série não irá se deixar levar pelo absurdo da segunda opção e preferirá encerrar o show em alta, mas nunca sabe. Por hora, é seguro falar das coisas apresentadas até aqui. Neste Useful, por exemplo, delineou-se ainda mais o papel de June neste novo grande movimento, e de uma maneira ainda mais interessante: ao lado do Comandante Joseph Lawrence. É impossível não aproveitar cada segundo de Bradley Whitford em cena. Seu alinhamento moral parece se tornar mais difícil de ler a cada vez que o vemos, e suas ações no presente episódio acenam para algo realmente perigoso e interessante. Vamos teorizar.

Ele parece ser a grande mente por trás do funcionamento de Gilead, e já foi dito que é um dos chefes de sua economia (e criador das Colônias, ou seja, o trabalho nas terras radioativas). Pela maneira como ele tem se comportado e pelas poucas frases ditas diretamente a June em meio a uma discussão, me parece que ele realmente está interessado em construir “um novo mundo“. Mas sendo uma pessoa infame, ele não se importou em aceitar um período de transição neste tipo de ditadura que é Gilead para criar as condições necessárias que permitissem ao seu “mundo modelo” vir à tona. Uma coisa é certa: ele tem uma pauta ideológica e política bastante definida e está jogando um jogo do qual tem total controle. Minha curiosidade é como os roteiros vão trabalhar isso no futuro. Um excelente material para trabalhar os escritores já têm.

A direção de Amma Asante nesse episódio deixa um pouco a contemplação de lado e parte para um acompanhamento mais ativo e flertando diretamente com o suspense. Isso nós já tínhamos observado em Mary and Martha e agora essa marca parece vir de maneira oficial para os enredos. A impressão de que algo horrível irá acontecer a qualquer minuto é uma sensação que torna a experiência ainda mais instigante e nos faz perguntar: em que momento uma peça do plano de ataque a Gilead irá sair do controle e punições e mais mortes virão para as inocentes? Vejam que aqui June precisou fazer uma escolha moral pesada e esta é uma indicação de que esta relação com o sistema, por dentro, pode fazer com que ela ou suas atitudes possam se tornar, a longo prazo, “alinhadas demais” aos valores de Gilead, como se fosse possível jogar tranquilamente por dentro para conseguir algo maior no futuro. Uma premissa maquiavélica que é interessante como drama, mas pode trazer uma curiosa mudança de valores para a personagem.

As possibilidades de mudança na trama geral desta série ganhou um novo fôlego nessa temporada, algo ainda melhor do que no ano anterior, simplesmente porque divide a opressão com um pouco mais de vitórias e paz. Isso já acalanta um pouco o nosso coração e mostra todo o trabalho dramático com essas mulheres dando frutos. Se o que vier a seguir estiver nessa linha de mudanças, excelente fotografia, direção e dramaturgia destes três episódios iniciais, então teremos mais uma grande temporada em mãos. Que o Senhor Possa Abri-la.

The Handmaid’s Tale – 3X03: Useful (5 de junho de 2019)
Direção: Amma Asante
Roteiro: Yahlin Chang
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Sandra Battaglini, Madeline Brewer, Amanda Brugel, Cyndy Day, Carson Manning, Jason Martorino, Max Minghella, Kathleen Pollard, Bradley Whitford
Duração: 53 min.

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25 comentários

Gabriel Leão Buendía 26 de março de 2020 - 22:54

A conduta do commander mackenzie me fez lembrar o arquiteto de matrix, e a função de zion no filme.

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Gabriel Leão Buendía 26 de março de 2020 - 22:54

Em alguns momentos a diretora filma a june solitária em quadro e depois passa pra serena, tbm solitária em cena. Ao meu ver, tudo indica a conexão entre as mulheres oprimidas

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de março de 2020 - 03:16

Sim, apesar das posições e ideais distintos.

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Memphis Sousa 31 de julho de 2019 - 16:50

Pra mim o ponto alto foi o final do ep, quando Serena sai da água e passa pelo Comandante Waterford ignorando-o totalmente, é um indício de que pelo menos internamente a ficha está começando a cair.. Quanto ao Lawrence que ator maravilhoso, ele lembra bastante os nossos políticos..

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Acepipe Satã🐂GADO, O PARCIAL 31 de julho de 2019 - 17:25

O elenco dessa série é coisa de louco. Mandam bem demais!

Quanto à postura da Serena, só digo uma coisa: bota tua barba de molho! Vem coisa aí!

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TOMAZ DASI 13 de junho de 2019 - 18:02

A cena da June com a Serena foi comovente. Realmente, só uma mãe faria o que elas fizeram e farão.

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Luiz Santi🐂GADO 13 de junho de 2019 - 20:01

De fato. E você vai ver que essa temática volta forte no capítulo 4.

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Rodrigo Rocha Vaz 13 de junho de 2019 - 13:33

Esse episódio me deixou particularmente entusiasmado com as possibilidades futuras. O fato de Lawrence, um personagem altamente dúbio “permitir” uma revolução na cozinha de casa mostra outro tipo de controle. Só acontece o que ele permite, e o fato das Aias e Marthas flertarem com a possibilidade da revolução pode trazer incríveis desdobramentos. Só aguardando.
Serena, levante e sacode a poeira…

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Luiz Santi🐂GADO 13 de junho de 2019 - 14:29

O negócio está cada vez melhor. O episódio seguinte também tem uma marca sensacional nessa noção de mudança.

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Rodrigo Rocha Vaz 13 de junho de 2019 - 20:43

Já estou preparando o psicológico. Em tempo: Bradley Whitford é fantástico. Adoro odiar esse cara!!!

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Luiz Santi🐂GADO 13 de junho de 2019 - 21:04

Somos dois!

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Laura Oliveira 7 de junho de 2019 - 12:59

Que a luta comece! Acho que é a união de todas (aias, martas e esposas) que vai trazer a queda de Gileade, e acredito que as esposas vão despertar para o fato de não serem pessoas nessa sociedade, e o quanto o “conforto” e a “segurança” que elas tem é uma ilusão. Serena parece está despertando e é uma líder, quem sabe quantas ela não trás para a causa?
O quadro da casa Waterford é uma pista? Já que ele é uma lenda de quando homens tentaram tomar o poder da líder de seu povo e oprimir as mulheres mas elas não aguentaram os maus tratos e causaram uma revolução.

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Luiz Santi🐂GADO 7 de junho de 2019 - 13:26

É uma baita pista! E essa reunião de forças que você aponta, @disqus_dLuibt4tFe:disqus, é excelente. Também estou fazendo a leitura por esse caminho aí. Eu só fico temeroso porque a gente sabe que algo ruim deve vir pelo caminho e esse novo comandante da June não me cheira nada bem. Será que os planos dele REALMENTE está contando com a reunião ou ele espera e dá cordas para que ela aconteça a fim de “cortar o mal pela raiz”?

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Maria Moraes 7 de junho de 2019 - 12:49

Porque não passa em TV aberta?

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Luiz Santi🐂GADO 7 de junho de 2019 - 12:59

Custo de produção e contratos.

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Maria Moraes 7 de junho de 2019 - 18:27

Não falo ingles

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Luiz Santi🐂GADO 7 de junho de 2019 - 18:42

Que pena.

Já eu, não falo mandarim.

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Cahê Gündel 10 de junho de 2019 - 21:44

AHAHAHAHAHAH sensacional!

Matheus DCnauta 7 de junho de 2019 - 10:36

Esse Comandante ainda não me convenceu, acho que ele será uma pedra no sapato futuramente. Sobre a June, foi torturante aquela cena dela em meio aos comandantes machistas, que ódio.

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Luiz Santi🐂GADO 7 de junho de 2019 - 12:59

E aquela frase final do Comandante também…

Agora acho que Serena deve entrar, pouco a pouco, na parada…

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Matheus DCnauta 7 de junho de 2019 - 12:59

Sim, ela já está de saco cheio dessa parada toda.

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Luiz Santi🐂GADO 7 de junho de 2019 - 13:18

E o corte do dedo foi a gota d’água. Agora com a influência da June — e estando elas em casas separadas — isso pode ter um peso interessante. Eu realmente estou gostando dos novos rumos da série. Tu tá gostando, @MatheusEira:disqus?

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Matheus DCnauta 7 de junho de 2019 - 13:26

Sim, adorei os três primeiros episódios. Eles souberam trabalhar melhor as nuances dessas personagens que já não aguentam mais a passividade. Depois do final da segunda temporada ter sido tão decepcionante, eu achava que essa temporada seria bomba, fico feliz por estar errado.

Luiz Santi🐂GADO 7 de junho de 2019 - 13:37

Somos dois! Fiquei bem feliz com os novos rumos e também estava achando que seria um terceiro ano meio pombo… Queimei a língua.

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