Crítica | The Handmaid’s Tale – 3X05: Unknown Caller

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Ao fim deste Unknown Caller meu coração estava em disparada e eu não consegui evitar a estranha sensação que também senti nos muitos passos para trás que o episódio The Word, Finale da 2ª Temporada, nos trouxe. Embora sejam situações bem distintas e originadas de diferentes contextos, o problema, no fim das contas, é o mesmo: o roteiro dá corda para um avanço considerável na série, abrindo as portas para que a trama cresça e visite outros espaços, mas ao cabo, corta praticamente todo o ganho conseguido. Como lidar com isso? O que foi que você fez, Marissa Jo Cerar?

Desde God Bless the Child nós estamos nos perguntando que tipo de drama passaria a marcar a série depois que Luke foi mostrado com Holly nos protestos. A resposta veio cedo demais e de uma forma nada interessante para o programa, a não ser que tenha implicações diretas nas mudanças propostas nesta 3ª Temporada. Algo como uma de bola de neve, onde o que parece que será positivo para o lado dos vilões acaba voltando-se contra eles. Aliás, o único motivo pelo qual essa decisão final teve um impacto menos negativo aqui foi o fato de ser apenas o quinto episódio da temporada, ou seja, ainda há muito caminho pela frente e possibilidades de ganho diante disso. Se estivesse posto como Finale, definitivamente estaríamos frente a uma decisão pior que em The Word, provando um congelamento da série em seu ciclo de desgraças.

Por um lado, é possível entender todo o drama envolvido. Emoções humanas são complexas e a gente sabe que terríveis decisões são tomadas por pessoas todos os dias, especialmente quando existe um fator sentimental em jogo. Assim, a traição de Serena em relação a June (é isso mesmo que aconteceu ou Serena “só” está dando esse passo para enfraquecer, de algum modo, Gilead?) tem uma explicação humana. Não é algo novo e nem impossível. A questão, porém, tem um peso consideravelmente negativo para a série. Não fosse a grandeza técnica em relação ao episódio, os bons diálogos e excelentes atuações (Elisabeth Moss segue incrível em seu papel) nós acabaríamos em um enredo bem menos positivo.

E isso se torna um pouco mais incômodo porque temática é o que não falta para se explorada na temporada. Só o comandante Lawrence, a nova parceira de compras de June, a tentativa de revolução dentro de Gilead e o desenvolvimento de Serena daria material de sobra para essa temporada inteira e ainda mais. Sem contar Tia Lydia e possibilidades organizacionais dentro dessa ditadura que claramente lida com forças sociais inesperadas e precisa de renovo. Então é irritante ver tantos bons recursos serem escanteados e esse giro em torno do próprio rabo ganhar espaço. Como disse antes, eu realmente espero que essa traição (ou não é traição?) e a tentativa de fazer Holly retornar a Gilead seja a porta de abertura para o enfraquecimento ou abalo do próprio país. Aí sim tudo fará sentido.

Caso contrário, temos aqui um indicativo de que a série não está evoluindo e está em perigo. Se for assim, é melhor que acabe. Mas ainda é cedo. Vamos torcer para que boas coisas sejam feitas dessa nova decisão colocada um episódio tão bom como este, mas com consequências que, dependendo da forma como forem trabalhadas, não farão nada bem ao show.

The Handmaid’s Tale – 3X05: Unknown Caller (19 de junho de 2019)
Direção: Colin Watkinson
Roteiro: Marissa Jo Cerar
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Amanda Brugel, Ann Dowd, O-T Fagbenle, Samira Wiley, Bradley Whitford, Sam Jaeger, Julie Dretzin, Stephen Kunken, Ashleigh LaThrop, Bahia Watson, Jonathan Watton, Marissa Kate Wilson
Duração: 53 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.