Crítica | The Handmaid’s Tale – 3X06: Household

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Confesso: eu não esperava nem metade do que The Handmaid’s Tale nos trouxe neste sexto episódio da 3ª Temporada. Como tem sido um ano de acontecimentos um pouco questionáveis para nós, especialmente depois de Unknown Caller, é realmente um choque se ver de frente para um capítulo tão bem escrito, dirigido de forma sublime (numa estrutura perfeitamente cinematográfica) e com um prosseguimento da trama que trabalha de maneira instigante com o que temos em mãos até o momento. O passo dado para trás no capítulo anterior se tornou um objeto de luta e a esperança se mantém viva, com June tentando de tudo para impedir que sua filha volte para Gilead. As coisas estão esquentando.

Uma das coisas que sempre me deixou feliz é quando a série explora lugares diferentes. Por conta do orçamento, o show procura centrar-se mais numa única cidade, então é interessante ver lugares dos ex-Estados Unidos, agora entregues à ditadura cristã extremista, modificados por esta nova ordem. A viagem à Washington tem uma imensa importância para nos mostrar como a hierarquia de Gilead funciona em outros locais, e também nos dá uma dimensão geopolítica muito importante, com algo que talvez não foi totalmente compreendido por uma parte do público, mas que é trazido aqui. Embora esta seja uma informação contextualmente óbvia, muita gente ainda tem se perguntado “por quê” alguns países não vão pra cima de Gilead. E a questão é simples: este é o mesmo território americano, com todos os armamentos incorporados à essa nova nação. Claro que os outros países terão medo. Gilead pode estar em crise em várias áreas, mas é uma potência bélica extremamente respeitável.

É por isso que as relações com o Canadá se dão de forma mais cuidadosa do que o normal e foi interessante ver como o roteiro de Dorothy Fortenberry coloca isso de maneira orgânica no enredo. Em meio a essas questões, vemos diversas coisas ganharem um relevo mais ou menos definitivo para a temporada. A primeira coisa que quero chamar a atenção é como o Comandante Winslow (Christopher Meloni) foi introduzido na série e como ele se comportou diante de Fred, naquela cena do bilhar. Ele está flertando de verdade com Fred ou o testando? Esse é um ponto interessante para se manter em vista. No mesmo bloco, temos uma demarcação do comportamento de Serena, que realmente parece ter traído June — embora aquilo que conversamos nos comentários do episódio anterior tenha de fato acontecido (ou está a caminho de acontecer), mas sendo arquitetado por June, algo que faz total sentido para a trajetória da personagem. No entanto, ainda fica a dúvida: Serena está agindo dessa forma porque sabe que está sendo observada ou realmente pirou de novo e está se submetendo ao jugo de Gilead?

Nesse episódio, a direção de Dearbhla Walsh dá grande dimensão a todos esses conflitos, com plongées lindíssimos e composições milimetricamente pensadas dentro de cada cena. A decupagem desse episódio é uma das melhores que eu já vi na série e é aplicada tanto nas cenas internas quanto nas externas, basta pegar os takes de ensaio para o vídeo e a aterradora cena de oração no final para ver como o rigor da diretora funciona em diferentes lugares. É coisa para se aplaudir.

Cenas terríveis e dolorosas como o castigo das aias com as argolas nos lábios e a discussão entre Serena e June no Memorial Lincoln, mais a tocante cena entre June e Tia Lydia colocaram ainda mais lenha na fogueira das nossas dúvidas ou raiva. Além disso, temos uma visão geral a respeito dos caminhos que a temporada pode tomar, sempre com interessantes surpresas como a abertura para o passado de Nick, algo que provavelmente deve retornar no próximo episódio. Não tenho certeza se vou curtir tanto o desenvolvido da temporada em torno do dilema de Nichole, mas uma coisa é certa: já temos o episódio candidato a primeiro lugar na lista de melhores deste ano. Bendito seja.

The Handmaid’s Tale – 3X06: Household (26 de junho de 2019)
Direção: Dearbhla Walsh
Roteiro: Dorothy Fortenberry
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Amanda Brugel, Ann Dowd, Max Minghella, Bradley Whitford, Christopher Meloni, Elizabeth Reaser
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.