Crítica | The Handmaid’s Tale – 3X12: Sacrifice

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Vacinado como estou com esta série, eu esperava que Sacrifice fosse o tipo de episódio-porrada que trouxesse punições diversas para “compensar” as “vitórias” obtidas no fantástico Liars. Mas eis que o roteiro de Eric Tuchman quebra as expectativas e resolve guiar o capítulo para um outro caminho, explorando coisas que aqui funcionam bem a maior parte do tempo (há problemas de ritmo, mas nada imensamente grave) e que me dão medo porque podem trazer um grande impasse para o final da temporada, algo que eu espero com todas as minhas forças que não se concretize: o desfazer de algumas ações tomadas nessa reta final.

Com a morte de Winslow e a prisão de Fred, The Handmaid’s Tale nos trouxe uma das mais sólidas vitórias e abertura de possibilidades para o plantio de uma mudança dentro dessa sociedade. As vozes mais sensatas e/ou influentes estão fora de cena e é interessante ver como um governo despreparado mete os pés pelas mãos e apodrece a si mesmo (se bem que a gente nem precisa de THT para ver isso, não é mesmo?), nesse caso, optando por sanções internacionais e incitações de guerra que certamente irão enfraquecer o país economicamente, ao menos é o que Lawrence analisa de toda a questão. Como não temos informações econômicas do país, não vimos mais as Colônias e a estrutura do governo não é de fato explorada na série, essas informações pontuais é o que temos para seguir analisando a conjuntura de Gilead, ao menos por enquanto.

De muitas formas, Sacrifice é um episódio visualmente muito elegante (apesar da tendência bem objetiva da diretora Deniz Gamze Ergüven filmar, principalmente cenas mais intimistas) e que avança um pouco naquilo que o capítulo anterior não avançou, chegando no ponto exato para o Finale. Como disse anteriormente, meu único medo agora é que desfaçam a prisão de Fred ou o plano de Serena, porque isso faria a série andar em círculos dentro de uma mesma premissa. Mas à parte essa possibilidade, o que a gente tem aqui é um bom conjunto de confrontos e preparações expostas em quantidade suficiente para nos deixar ansiosos pelo que vem pela frente, sendo a preparação para a fuga das crianças o que mais peso tem e o que provavelmente assumirá o maior tempo no Finale — se é que vai realmente acontecer.

Diferente de Liars, não temos aqui uma dualidade fotográfica e atmosférica entre os atos. O que vemos é um forte contraste de cores, mergulhando os personagens em um ambiente muito melancólico, às vezes contrastando com o seu estado de espírito no início, como a felicidade de June (há quanto tempo não a vemos sorrir genuinamente diante de uma conquista?) e de Serena. E aqui, chamo a atenção para a sequência de Fred com Luke, que foi onde tive o meu medo plantado. Me pareceu que o Comandante estava provocando Luke de propósito, como se quisesse ser filmado sendo agredido ou ficar com o material de Luke ali dentro da cela. Não deu para ler totalmente a intenção do personagem, mas não foi uma atitude gratuita. Tem algo aí. Da mesma forma temos a sequência de Serena enfim encontrando-se com a bebê e ouvindo um pouco do que merece ouvir de Moira. Também não acho que esse arranjo ficará constantemente dessa forma e, se os produtores não voltarem atrás com o avanço dos Waterford, penso que a próxima temporada terá muita coisa boa para desenvolver em torno desse núcleo.

E aí temos June, agora em uma mais uma (compreensível e esperada) ação moralmente impactante. Fred deu a letra certinho para Luke sobre como June está agora. De fato, Gilead transforma uma pessoa e June (olha só como é bom empreender uma mudança de maneira orgânica, justificável, narrativamente lógica dentro da série, da temporada e para a jornada da personagem… dá vontade, não é Unfit?) vem passado por remodelações intensas nessa temporada, sendo essa guinada final a que mais se encaixa coerentemente na personagem. E é esta mulher que está organizado uma fuga de crianças de Gilead, prestes a enfraquecer abertamente o sistema. A cena dela com Rita foi uma das coisas mais belas e delicadas do episódio e June está realmente assumindo o seu lugar de liderança. Que mulher, minha gente, que mulher! Que venha agora o final.

The Handmaid’s Tale – 3X12: Sacrifice (7 de agosto de 2019)
Direção: Deniz Gamze Ergüven
Roteiro: Eric Tuchman
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Amanda Brugel, Ann Dowd, O-T Fagbenle, Samira Wiley, Bradley Whitford, Ever Carradine, Stephen Kunken, Sam Jaeger, Elizabeth Reaser, Julie Dretzin, Nina Kiri, Kristen Gutoskie
Duração: 48 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.