Crítica | The Handmaid’s Tale – 3X13: Mayday

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia aqui as críticas dos outros episódios.

Para uma temporada parcialmente preguiçosa como foi esta 3ª Temporada de The Handmaid’s Tale, é basicamente um milagre que Mayday, o Finale, tenha sido um bom episódio. Um daqueles capítulos compensadores, coerentes com a promessa central da temporada na maioria das linhas narrativas e principalmente, disposto a arriscar bastante coisa a fim de fazer com que trama realmente ande. Se você esteve comigo nessa jornada (aliás, muito obrigado pela companhia!), certamente sabe que eu temia muito que os showrunners voltassem atrás em decisões importantes ou não entregassem de fato aquilo que passaram construindo do meio da temporada para cá, especialmente após o pior arco da temporada, que foi o de Nathalie, em cujo bojo estava uma não-June.

Meus temores, no entanto, mostraram-se infundados. Sim, a temporada ainda tem a sua carga de inconstância — fora a preguiça do miolo –, mas o final foi simplesmente arrebatador, e mesmo que algumas partes sugiram mudanças “de última hora” na condução do texto (convenhamos: nenhum diretor filma uma troca de olhares como aquela entre Lawrence e June para no episódio seguinte as coisas simplesmente seguirem no mesmo patamar de antes…), nada do que foi apresentado aqui teve a capacidade de tirar o brilho de tudo o que nos foi apresentado. E não, isso não está unicamente ligado ao final catártico com o avião cheio de crianças chegando ao Canadá, a cena que me fez chorar feito… gente grande. Estou falando de um episódio também excelente no escopo do suspense. E isso é algo para se aplaudir de pé.

Mike Barker (direção) e Bruce Miller (roteiro) dão a maior atenção possível para a preparação da fuga, elencando obstáculos de diferentes tamanhos vindo dos mais diversos lugares. Migalhas de informações negativas vão sendo dadas ao passo que coisas positivas vão acontecendo, e esse ritmo se intensifica e se dinamiza à medida que os minutos passam. Notem como o bloco de Gilead está o tempo inteiro marcado por movimentos e novidades, do doloroso flashback inicial até o momento da fuga. Estou certo de que alguns espectadores não gostarão da execução final, jogando a carta da alta suspensão da descrença na maneira como as aias e marthas desviaram a atenção do soldado solitário ali no aeroporto. Bem… pode ser. Mas nem eu, que sou o ápice da chatice em termos de cobrança para coesão narrativa (alô alô Unfit!) tive problemas com isso. E o motivo é porque, por mais improvável que seja, não é impossível. E num enredo onde esse tipo de baixa probabilidade cabe e é bem executado, um plano como este não pode ser chamado de “forçado” ou qualquer outro adjetivo depreciativo.

Todas as cenas com as crianças aqui foram filmadas com um cuidado paternal por Barker, o que acabou aumentando ainda mais a nossa angústia, uma vez que não estamos acostumados com muita coisa bonita e muita vitória acontecendo ao mesmo tempo. Do momento em que vemos June recebendo os sabonetes das aias em diante, meu coração começou a bater em um ritmo completamente maluco e só voltou ao normal quando o episódio terminou, porque daí eu precisava lidar com as lágrimas, claro. A linha narrativa com a fuga das crianças e de Rita de Gilead foi uma das coisas mais emotivas, belas e feel good que eu já vi na TV, e se este não ganha, para mim, o posto de melhor episódio da temporada, em conjunção entre técnica e narrativa, certamente ganha o de mais emotivo, destruidor, acalentador e marcante.

No Canadá, Fred vira a mesa para cima de Serena, e isso me surpreendeu demais. Eu não botava nem fé que fossem manter esse núcleo fixo, quem dirá uma intensificação da justiça diante desse casal infernal. As coisas para a próxima temporada realmente ganham um patamar interessante, independente do lugar que a gente olhe. Muita coisa está em jogo: as consequências para aias e marthas que ajudaram na fuga; a ação do Comandante Lawrence nessa nova fase da série; o já prenunciado enfraquecimento de Gilead e a justiça sendo aplicada para Serena e Fred, de onde podem sair coisas muito boas, agora que o núcleo do Canadá realmente cresceu. Por um lado, este episódio tem total a cara de Series Finale, e não apenas de Season Finale. Por outro, é curioso imaginar uma “sequência definitiva” para para tudo isso. Agora eu realmente espero que a 4ª Temporada seja a última da série. Mas deixemos isso de lado. Cruzaremos esta ponte quando chegarmos lá. Fiquemos agora com o nosso coração aquecido e a felicidade de saber que mais de 50 crianças escaparam do horror de Gilead. Uma vitória estupenda. Viva as mulheres! Viva June!

The Handmaid’s Tale – 3X13: Mayday (14 de julho de 2019)
Direção: Mike Barker
Roteiro: Bruce Miller
Elenco: Elisabeth Moss, Joseph Fiennes, Yvonne Strahovski, Alexis Bledel, Madeline Brewer, Amanda Brugel, Ann Dowd, O-T Fagbenle, Samira Wiley, Bradley Whitford, Sam Jaeger, Kate Moyer, Kristen Gutoskie, Nina Kiri, Bahia Watson
Duração: 45 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.