Crítica | The Key to Reserva

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estrelas 4,5

Existem duas formas de olharmos o curta-metragem The Key to Reserva. A primeira delas é como um curioso filme de Martin Scorsese sobre um projeto que era para ter sido filmado por Alfred Hitchcock mas, por algum motivo, nunca saiu do papel. Como parte de seu projeto de preservação de obras cinematográficas (aliado à nossa particular forma de ver o filme), Scorsese resolveu mostrar para o público as únicas páginas do roteiro original e filmá-las “como se fosse Hitchcock“. A segunda forma é ver The Key to Reserva como um excelente comercial para o cava da Freixenet, empresa espanhola que financiou o projeto.

Independente do modo como for visto, o curta tem um grande valor, primeiro, porque as páginas desse roteiro de fato foram encontradas e filmadas seguindo fielmente o estilo de Hitchcock. Segundo, porque Scorsese realiza um imperdível diálogo metalinguístico entre o documento histórico, a empresa Freixenet e o seu projeto de preservação de material da sétima arte. É uma reunião de mídias e concepções que simplesmente não deve passar batido.

O filme começa com uma apresentação básica do cineasta, mostrando para a câmera as páginas do roteiro encontrado. Em seguida, ele manifesta o desejo de filmar as cenas ali escritas e faz isso brincando com diversas obras do Mestre do Suspense. Facilmente reconhecemos elementos estéticos de Um Corpo Que Cai, Festim Diabólico e O Homem Que Sabia Demais. É evidente que a filmagem é demasiado curta, porque o diretor não tinha intenção nenhuma de seguir além do roteiro encontrado. Na trama, Scorsese consegue ainda inserir a propaganda da Freixenet que, mesmo destoando do todo, pode-se dizer que foi contextualizada da melhor forma possível.

A cena “final” é interrompida abruptamente e então vemos Scorsese e sua amiga de longa data, a editora Thelma Schoonmaker conversando sobre as sequências. Um último take nos é mostrado e uma reunião encenada de Scorsese e equipe falando sobre a produção de The Key to Reserva surge na tela, juntamente com a brincadeira citando o “espírito de Hitchcock”. A câmera se distancia do local e mais dois filmes do britânico são homenageados: Janela Indiscreta e Os Pássaros. Ao brincar com várias camadas de realização e, nessa perspectiva metalinguística, nos apresentar as filmagens de um roteiro perdido destinado a Hitchcock, Scorsese logra um resultado nostálgico, divertido e muito fiel ao estilo do colega realizador.

O espectador não deve procurar significados ocultos e analisar isoladamente o filme dentro do filme. The Key to Reserva é um todo, parte documentário, parte ficção, uma dualidade com as cores e a genialidade de dois grandes mestres do cinema, tendo como bônus a poderosa música de Bernard Herrmann acompanhando a instigante sequência teatral. Ao término de tudo, é impossível ao espectador não se perguntar o por quê Hitchcock não realizou o filme e, claro, como seria toda a história. Eis aí mais um motivo para ver The Key to Reserva: imaginar detalhes sobre um filme jamais realizado por uma lenda do cinema.

The Key to Reserva (Espanha, 2007)
Direção:
Martin Scorsese
Roteiro: Ted Griffin
Elenco: Martin Scorsese, Simon Baker, Kelli O’Hara, Michael Stuhlbarg, Christopher Denham, Richard Easton, Ted Griffin, Nellie Sciutto, Ralph Farris, William Hill, Thelma Schoonmaker
Duração: 10 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.