Home TVEpisódio Crítica | The Mandalorian – Chapter 15: The Believer

Crítica | The Mandalorian – Chapter 15: The Believer

por Ritter Fan
3089 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Se alguém tinha alguma dúvida que o Bebê Yoda é muito mais do que apenas uma missão para Mando, The Believer vem para afastá-la completamente. O pequeno e guloso ser verde com muita personalidade e poderes especiais é efetivamente como se fosse filho do Mandaloriano que, até esse episódio, se recusava tirar seu capacete diante de qualquer outro ser vivo. Mesmo que já tenhamos visto o rosto de Pedro Pascal antes, as circunstâncias foram bem diferentes, já que ele não só estava ferido, como o personagem que o vê sem máscara foi IG-11 na versão babá, um robô portanto, com o momento podendo ser visto como uma “brecha” no credo do Mandaloriano.

Há inclusive outro paralelismo com IG-11. O sacrifício do robô pela criança ao final da temporada anterior é paralelizado pelo sacrifício de Mando aqui, primeiro trocando sua armadura pela de um Stormtrooper e, depois, mais relevantemente, retirando o capacete para ter seu rosto escaneado e continuando de face desnuda durante a sinistra conversa no bar dos oficiais do Império que parece muito cena semelhante em Bastardos Inglórios com Hans Landa, com Migs Mayfeld não sem querer referenciando a Operação Cinder, basicamente o equivalente do Decreto Nero, ordenado por Adolf Hitler. E as alusões ao nazismo e à cultura pop não param por aí, já que toda a sequência de Mando em cima do tanque é mais do que apenas remotamente semelhante ao mesmo momento em Indiana Jones e a Última Cruzada.

Portanto, o título do episódio, aqui, referencia não só a quebra do credo por Mando em razão de algo mais importante para ele, como também à vingança de Mayfeld, que fora um crente no Império, somente para ver seus colegas dizimados por um capricho do Imperador e, claro, ao vilanesco Valin Hess (repararam no sobrenome?), vivido por Richard Brake, ainda um crente de que o que o Império faz nada mais é que trazer ordem à galáxia. Rick Famuyiwa conseguiu escrever um roteiro que condensa referências com paralelismos relevantes sobre o Império e o Nazismo que nunca podemos deixar de ter em mente mesmo considerando a leveza de uma série como essa.

Por outro lado, o roteirista e diretor talvez tenha exagerado no contorcionismo necessário para fazer com que Mando tirasse o capacete. Se é razoável aceitarmos que o plano dele de infiltração passa por trocar de armadura com um Stormtrooper, a lógica da coisa começa a perder a coesão quando o terminal da sala de oficiais exige que “um” rosto seja escaneado, mesmo que esse rosto não esteja no banco de dados. Pode parecer bobagem, mas esse é o típico momento em que o espectador levanta a sobrancelha em sinal de incredulidade, percebendo de cara que Famuyiwa forçou a barra para alcançar seu objetivo. Não é o fim do mundo, pois os momentos que antecedem e sucedem essa pequena conveniência são muito boas, mas fica aquele gosto ruim na boca.

Se vermos o rosto de Pascal é uma raridade e, pelo momento, espero que continue assim, talvez mais raro ainda seja ganharmos um episódio sem o Bebê Yoda. Acho que estávamos precisando descobrir se The Mandalorian funciona sem as fofices do bichinho verde e a resposta, felizmente, é positiva, já que, temos que convir, esse artifício já estava começando a se tornar repetitivo e cansativo (sim, tenho coração de pedra, mas eu sinto conforto no fato – fato! – de que vocês todos também acham isso e só não têm é coragem de bater no peito e proclamar a mesma coisa, he, he, he…). Claro que a direção cuidadosa e elegante de Famuyiwa ajuda muito,  ainda que ele, justamente por trabalhar melhor com sutilezas e diálogos, não tem a mesma eficiência em sequências de pancadaria.

Mesmo tendo estranhado muito a armadura de Boba Fett com diversas demãos de tinta verde, mais parecendo um bonequ… digo… figura de ação lustrosa e zero quilômetro que encontramos em lojas para colecionadores adultos onde crianças não podem entrar e mesmo não chegando ao nível dos episódios imediatamente anteriores, The Believer foi uma eficiente preparação para o encerramento da temporada, mostrando que Mando está disposto a qualquer coisa para recuperar o Bebê Yoda. Façam suas apostas para o capítulo final!

The Mandalorian – Chapter 15: The Believer (EUA, 11 de dezembro de 2020)
Showrunner: Jon Favreau
Direção: Rick Famuyiwa
Roteiro: Rick Famuyiwa
Elenco: Pedro Pascal, Bill Burr, Temuera Morrison, Ming-Na Wen, Gina Carano, Giancarlo Esposito, Katy M. O’Brian, Donald Mills, Richard Brake
Duração: 39 min.

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33 comentários

Gabriel Leão 21 de janeiro de 2021 - 15:08

Bons diálogos nesse episódio.

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planocritico 21 de janeiro de 2021 - 15:08

Sim, especialmente na conversa com o oficial do ex-Império.

Abs,
Ritter.

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Gabriel Filipe 29 de dezembro de 2020 - 15:27

Assino embaixo com a presente crítica, principalmente na parte do rosto (nn fez menor sentido ser qlqr rosto. Ent se a Leia qser entrar lá, matar os soldados e pegar os dados ela pode???) e sobre o meu querido Baby Yoda, amo ele, mas reconheço o frescor de um episódio sem ele. Só discordo de uma coisa, a nota, eu daria 4,5 pro episódio pq pra mim os pontos positivos se sobressaem

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planocritico 29 de dezembro de 2020 - 15:28

A desculpa dada para o rosto dele ter que aparecer foi muito forçada mesmo. Destoou demais da temporada inteira até…

Abs,
Ritter.

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Giovani 15 de dezembro de 2020 - 00:45

É incrível como a gente pode ter a certeza que vai sentar e assistir um episódio divertido sempre! Nesses tempos loucos, fazer isso com os filhos é uma libertação…me impressiono como fazem tanto em um episódio com menos de 30min…

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planocritico 15 de dezembro de 2020 - 19:32

Exato. Criaram uma fórmula infalível!

Abs,
Ritter.

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Merlim 15 de dezembro de 2020 - 00:45

A minha parte racional – aquela que está preocupada com a coerência e com o peso da história – torce para o Mando não ficar tirando o capacete o tempo todo, porque eu gosto bastante do conceito que Mandalorian criou.

Mas a carne é fraca e meu lado apaixonado pela santíssima trindade latina de Star Wars (Pascal, Isaac e Luna) já quer que o Mando jogue fora aquele capacete e mostre aquela carinha em todos os episódios… hahahaha

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planocritico 15 de dezembro de 2020 - 19:32

He, he. Eu te entendo perfeitamente. Acho que chegará a hora lá para a frente em que Mando tirar o capacete será algo normal, mas ainda falta.

Abs,
Ritter.

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Guilherme Gomes 15 de dezembro de 2020 - 00:45

Baby Yoda é minha religião e nada me faltará, pode tacar Baby Yoda em tudo kkkkkkkkkkkkkkkk (contém doses de ironia para os desavisados)

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planocritico 15 de dezembro de 2020 - 00:45

He, he. Só imagina o bichinho algemado e torturado lá na cela do Moff Gideon para ficar feliz… HAHAHHAHAHAHAHHHAHAHA

Abs,
Ritter.

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Guilherme Gomes 15 de dezembro de 2020 - 19:33

Só imagino se vc imaginar a Razor Crest sendo destruída de novo e de novo… rs

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planocritico 15 de dezembro de 2020 - 19:33

NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Abs,
Ritter.

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Abrahão Juvencio 14 de dezembro de 2020 - 12:46

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH não curti o mando quebrar esse lance da máscara, até porque, esse lance é o que deixa mando diferente de outros heróis do universo Star Wars, por outro lado, achei legal essa parentalidade escancarada que mando tem por Droggo

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planocritico 14 de dezembro de 2020 - 12:46

Entendo, mas a questão do capacete era questão de tempo. E, aqui, houve uma razão muito forte para ele tirar e não acho que isso se tornará regra. Veremos!

Abs,
Ritter.

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Abrahão Juvencio 14 de dezembro de 2020 - 12:47

Amém! Que não se torne mesmo

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Gabriel Cabral 13 de dezembro de 2020 - 21:18

Operação Cinzas foi retratada no jogo Battlefront 2, com personagens e a visão de dentro do Império. Fica aí a referência.

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planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:25

Sim, estou sabendo. Valeu!

Abs,
Ritter.

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Bernardo Barroso Neto 13 de dezembro de 2020 - 21:17

Depois de 3 eps de tirar o folego nesse a gente teve um respiro. Mas é só uma preparação para o final da temporada que promete muito.

Responder
planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:17

Sim, promete mesmo!

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 12 de dezembro de 2020 - 14:32

Episódio bom da poxa, o roteirista fez a gente torcer um breve momento pelo império quando as duas naves salva o mando e o mayfeld, esse alias muito bom personagem, os diálogos dele dentro do veículo com o mando e com o oficial foram acima da média! Sobre o mando tirar a máscara de tanto eles falar no começo eu já previ que ele ia tirar, e o motivo dele tirar não achei forçado não. Sobre a armadura limpa do boba, também estranhei, do nada ela ficou nova, vai ver ele mandou ajeitar ela, aliás a lógica é essa já que ela tava toda gasta.

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planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:17

Sim, sim. A cena dos TIEs chegando para salvar o dia foi sensacional!

Tem lógica total o Boba mandar limpar a armadura, mas o problema é que ele, aparentemente, não fazia isso quando mais jovem, pois a armadura em Império Contra-Ataca era toda lascada…

Abs,
Ritter.

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Lucio Adriano Mendonça 13 de dezembro de 2020 - 21:25

Talvez a armadura reluzente do mando deixou ele com ciúmes,rs

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planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:25

He, he. Deve ter sido isso mesmo… Aí mandou a oficina que conserta a Slave I passar umas camadas de tinta…

Abs,
Ritter.

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Okido Pedro 14 de dezembro de 2020 - 21:58

Mas reparem que o velho amassado na testa ainda está lá

planocritico 14 de dezembro de 2020 - 22:13

Sim, esse o cara do “martelinho de ouro” não conseguiu arrumar…

Abs,
Ritter.

Filipe Isaías 12 de dezembro de 2020 - 14:32

Eu acho que por causa da falta de expectativas em relação a esse episódio, ele é o meu preferido dessa temporada até agora, magnífica.

1. O discurso do personagem do Bill Burr, de que não existe tanta diferença entre Império e República, é bem parecido com o do DJ de The Last Jedi, só que enquanto a visão do DJ referenciava os que estavam no topo da cadeia social, o Bill Burr fala dos “pé-rapados”, as classes mais baixas.
2. O Mando tem literalmente “plot armor” com aquela armadura de Beskar, por isso ele, com trajes de storm trooper, teve que mudar o estilo de luta na cena do caminhão. Digno de nota para a primeira vez na história que a gente ficou aliviado com a aparição de uma Tie Fighter.
3. A cena do refeitório pra mim já nasceu clássica. Aqui queria destacar o Pedro Pascal que sutilmente interpreta alguém que não pode se esconder atrás da máscara, envergonhado como se estivesse nu. Fico realmente ansioso pra quando ele atuar sem a máscara integralmente.
4. Sobre a cena do scan, você não entendeu aquilo era um captcha pra confirmar se o usuário não era um robô. Pode mudar a nota hahahaha

Abs.

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Here's Johnny 13 de dezembro de 2020 - 21:17

Essa do captcha foi muito boa kkkkkkkk

Pior que eu pensei numa versão séria desse argumento enquanto eu assistia, tipo aquela tecnologia ser remanescente da guerra contra os droides separatistas, mas aí eu acho que eu só tava sendo generoso demais com o roteiro.

Responder
planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:17

He, he. Bota generoso nisso!!!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:17

Belos apontamentos.

Sobre o ponto 4, você está defendendo demais o roteiro, mas eu gostei da sua lógica!!!!! HAHAHHAHHAHAHAHHAHAHAHAHAH

Abs,
Ritter.

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Here's Johnny 12 de dezembro de 2020 - 14:32

Rapaz, eu fiquei em dúvida se esse lance do Scan do rosto era um plottwist mostrando algum envolvimento do Mando com o império, ou se era só isso de qualquer rosto poder ser scaneado.

Mas pra ser honesto acho até melhor ser só um Scan aleatório de rosto, porque o Mando ter trabalhado pro império a ponto de tirar o capacete e deixar o rosto dele scaneado num banco de dados é meio ridículo.

O resto do episódio eu achei excelente, também achei que aquela perseguição teve um quê de Mad Max, especialmente por conta dos nativos gritando e sacudindo suas lanças em cima daqueles veículos.

A humanização do império também me chamou a atenção, assim como os paralelos com a república, não só os comentários, mas também a forma como algumas coisas foram feitas, achei interessante ver os Tie Fighters chegando como salvadores que nem os X-Wings e os Stormtroopers comemorando uma missão bem sucedida.

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planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:17

O lance do scan foi idiota mesmo, mas a gente perdoa…

E a humanização do Império foi demais. Os Troopers festejando a chegada do caminhão foi lindo!!!

Abs,
Ritter.

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John 12 de dezembro de 2020 - 14:32

Ótimo episódio mesmo, Mr. Ritter! Adorei a referência A Comboio do Medo. O único ponto negativo pra mim é que não me senti tão extasiado como no ep anterior. Só imagino o sofrimento pra ranquear essa temporada! Hahahahaha.

Responder
planocritico 13 de dezembro de 2020 - 21:17

Vai ser difícil ranquear mesmo. Mas só vou pensar nisso na semana que vem, pois ficar antecipando é tortura demais! HAHAHHAHAHAHHHAHAHA

Abs,
Ritter.

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