Home TVEpisódio Crítica | The Mandalorian – Chapter 15: The Believer

Crítica | The Mandalorian – Chapter 15: The Believer

por Ritter Fan
3.473 (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Se alguém tinha alguma dúvida que o Bebê Yoda é muito mais do que apenas uma missão para Mando, The Believer vem para afastá-la completamente. O pequeno e guloso ser verde com muita personalidade e poderes especiais é efetivamente como se fosse filho do Mandaloriano que, até esse episódio, se recusava tirar seu capacete diante de qualquer outro ser vivo. Mesmo que já tenhamos visto o rosto de Pedro Pascal antes, as circunstâncias foram bem diferentes, já que ele não só estava ferido, como o personagem que o vê sem máscara foi IG-11 na versão babá, um robô portanto, com o momento podendo ser visto como uma “brecha” no credo do Mandaloriano.

Há inclusive outro paralelismo com IG-11. O sacrifício do robô pela criança ao final da temporada anterior é paralelizado pelo sacrifício de Mando aqui, primeiro trocando sua armadura pela de um Stormtrooper e, depois, mais relevantemente, retirando o capacete para ter seu rosto escaneado e continuando de face desnuda durante a sinistra conversa no bar dos oficiais do Império que parece muito cena semelhante em Bastardos Inglórios com Hans Landa, com Migs Mayfeld não sem querer referenciando a Operação Cinder, basicamente o equivalente do Decreto Nero, ordenado por Adolf Hitler. E as alusões ao nazismo e à cultura pop não param por aí, já que toda a sequência de Mando em cima do tanque é mais do que apenas remotamente semelhante ao mesmo momento em Indiana Jones e a Última Cruzada.

Portanto, o título do episódio, aqui, referencia não só a quebra do credo por Mando em razão de algo mais importante para ele, como também à vingança de Mayfeld, que fora um crente no Império, somente para ver seus colegas dizimados por um capricho do Imperador e, claro, ao vilanesco Valin Hess (repararam no sobrenome?), vivido por Richard Brake, ainda um crente de que o que o Império faz nada mais é que trazer ordem à galáxia. Rick Famuyiwa conseguiu escrever um roteiro que condensa referências com paralelismos relevantes sobre o Império e o Nazismo que nunca podemos deixar de ter em mente mesmo considerando a leveza de uma série como essa.

Por outro lado, o roteirista e diretor talvez tenha exagerado no contorcionismo necessário para fazer com que Mando tirasse o capacete. Se é razoável aceitarmos que o plano dele de infiltração passa por trocar de armadura com um Stormtrooper, a lógica da coisa começa a perder a coesão quando o terminal da sala de oficiais exige que “um” rosto seja escaneado, mesmo que esse rosto não esteja no banco de dados. Pode parecer bobagem, mas esse é o típico momento em que o espectador levanta a sobrancelha em sinal de incredulidade, percebendo de cara que Famuyiwa forçou a barra para alcançar seu objetivo. Não é o fim do mundo, pois os momentos que antecedem e sucedem essa pequena conveniência são muito boas, mas fica aquele gosto ruim na boca.

Se vermos o rosto de Pascal é uma raridade e, pelo momento, espero que continue assim, talvez mais raro ainda seja ganharmos um episódio sem o Bebê Yoda. Acho que estávamos precisando descobrir se The Mandalorian funciona sem as fofices do bichinho verde e a resposta, felizmente, é positiva, já que, temos que convir, esse artifício já estava começando a se tornar repetitivo e cansativo (sim, tenho coração de pedra, mas eu sinto conforto no fato – fato! – de que vocês todos também acham isso e só não têm é coragem de bater no peito e proclamar a mesma coisa, he, he, he…). Claro que a direção cuidadosa e elegante de Famuyiwa ajuda muito,  ainda que ele, justamente por trabalhar melhor com sutilezas e diálogos, não tem a mesma eficiência em sequências de pancadaria.

Mesmo tendo estranhado muito a armadura de Boba Fett com diversas demãos de tinta verde, mais parecendo um bonequ… digo… figura de ação lustrosa e zero quilômetro que encontramos em lojas para colecionadores adultos onde crianças não podem entrar e mesmo não chegando ao nível dos episódios imediatamente anteriores, The Believer foi uma eficiente preparação para o encerramento da temporada, mostrando que Mando está disposto a qualquer coisa para recuperar o Bebê Yoda. Façam suas apostas para o capítulo final!

The Mandalorian – Chapter 15: The Believer (EUA, 11 de dezembro de 2020)
Showrunner: Jon Favreau
Direção: Rick Famuyiwa
Roteiro: Rick Famuyiwa
Elenco: Pedro Pascal, Bill Burr, Temuera Morrison, Ming-Na Wen, Gina Carano, Giancarlo Esposito, Katy M. O’Brian, Donald Mills, Richard Brake
Duração: 39 min.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais