Crítica | The Mandalorian – Chapter 2: The Child

  • spoilers.

Para evitar spoilers, deixei de mencionar, na crítica anterior, a conexão imediata com o famoso mangá Lobo Solitário que a revelação do bebê da raça de Yoda (que ainda não tem nome na mitologia de Star Wars) trouxe à minha mente, algo que faz absolutamente todo sentido considerando que, além do faroeste, outras grandes inspirações de George Lucas para criar seu universo foram os samurais e ronins. Imaginar o silencioso mandaloriano tendo aventuras ao lado de uma criança em um carrinho flutuante foi automático e ver isso se materializar no segundo capítulo, que ganhou o singelo título The Child, foi sem dúvida muito divertido e gratificante.

Continuando quase que exatamente do ponto onde o episódio inaugural acabou, vemos o protagonista caminhando de volta para sua nave e sendo emboscado por trandoshanos (a mesma raça de Bossk, o caçador de recompensa reptiliano que vemos rapidamente na ponte do Destroyer de Darth Vader, em O Império Contra-Ataca) que, assim como IG-11, estão atrás do bebê. Despachados rapidamente, outro obstáculo tem que ser enfrentado: a bela (mas não tanto quanto a Slave I, claro) nave prateada do mandaloriano foi quase que completamente desmontada por irritantes Jawas que conseguem fugir com o butim depois de uma ótima sequência de ação que me lembrou Indianas Jones no tanque de guerra em Última Cruzada. Isso força uma nova reunião de “Mando” com Kuiil, aparentemente o alienígena mais solícito da galáxia, e uma aventura enlameada para recuperar um ovo cobiçado pelos Jawas e que revela que a criancinha já é extremamente poderosa no uso da Força, em mais uma surpresa interessante, mas não exatamente inesperada.

Ou seja, o episódio – de menos de meia hora, o que é, digamos, curto demais – é uma belíssima demonstração de proeza técnica. Reunindo efeitos práticos abundantes com CGI de excelente qualidade, além de uma direção eficiente de Rick Famuyiwa que, mesmo em meio à pancadaria, não se rende a cortes rápidos ou a invencionices desnorteadoras, não há o que reclamar no lado técnico de The Child que poderia ter sido facilmente fundido ao primeiro capítulo para fechar um arco narrativo logo de início. Apesar de muito cedo ainda para dizer com certeza, a divisão dessa breve história em duas partes parece indicar que a temporada, de apenas oito episódios, não irá muito longe e dificilmente expandirá a narrativa para além desse pequeno recorte ao redor do mandaloriano.

No entanto, mais problemático do que isso é o ponto que levantei no final da primeira crítica, de que parece faltar na série algo que seja um pouco mais profundo do que excitantes aventuras de um guerreiro sem nome e sem rosto em meio a mundos repletos de referências ao universo Star Wars. O risco é que, uma vez ultrapassada a fase da novidade, a coisa descambe para mais do mesmo. Não é, ainda, algo realmente sério, pois os 70 minutos de série até agora contaram um micro-arco envolvendo um particularmente valioso alvo para o caçador de recompensas vivido por Pedro Pascal. Mas, agora, ele acabou e espero fortemente que The Mandalorian tenha mais a oferecer do que apenas diversão descerebrada em doses homeopáticas semanais.

A grande vantagem da simplicidade extrema do episódio, devo confessar, é que isso abriu espaço para a apreciação da cada vez melhor trilha sonora composta por Ludwig Göransson que, aliás, tem sido disponibilizada nos serviços de streaming de música no dia de lançamento de cada episódio. É um trabalho muito diferente da grandiosidade do que John Williams compôs para a franquia, mas ele traz uma diversidade sonora para esse universo que eu não tinha ideia que eu queria tanto escutar. Será que esse é o nascimento de mais um clássico musical de Star Wars?

The Child é diversão do começo ao fim e um excelente veículo para mostrar a pegada mais “raiz” que a série sem dúvida preza, mas oferece menos ainda em termos de desenvolvimento de personagens que o primeiro episódio. Isso precisa ser corrigido com velocidade sob pena de The Mandalorian esgotar suas novidades muito rapidamente.

The Mandalorian – Chapter 2: The Child (EUA, 15 de novembro de 2019)
Showrunner: Jon Favreau
Direção: Rick Famuyiwa
Roteiro: Jon Favreau
Elenco: Pedro Pascal, Nick Nolte
Duração: 29 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.