Crítica | The Mandalorian – Chapter 7: The Reckoning

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

The Mandalorian finalmente retorna para a história principal em um episódio que, ao começar lentamente, bem mais do que o ritmo normalmente acelerado da temporada, deixa logo evidente que ele é a primeira parte de um encerramento duplo. E não há nada de errado nisso, pois, novamente sob a batuta de Deborah Chow, responsável por The Sin, a narrativa ganha compasso e ritmo para Mando reunir os amigos que fez pela galáxia.

Recebendo uma proposta holográfica de Greef Karga com toda cara de armadilha para eliminar o misterioso cliente que originalmente contratara os serviços do caçador de recompensas e que envolve usar o bebê Yoda como isca, Mando parte para recrutar a ajuda de Cara Dune e, percebendo que precisa de uma babá, também Kuiil que, por sua vez, insiste não só em levar consigo três blurrgs, como também ninguém menos do que IG-11, agora um dócil serviçal depois de ser resgatado pelo engenhoso ugnaught. Com isso, os quatro partem para Nevarro para encerrar o assunto de uma vez por todas.

O retorno dos personagens anteriormente apresentados já automaticamente traz estofo e qualidade ao episódio, algo que a direção de Chow, mesmo trabalhando com um roteiro padrão, que não procurar arriscar (a não ser na cena final, se ela for mantida), amplifica sensacionalmente ao trabalhar uma decupagem precisa, com sequências relevantes para o estabelecimento da conexão necessária entre os três heróis que embarcam na Razor Crest. Mesmo acusando lentidão no começo, como mencionado, a montagem prepara a ação na medida certa e constrói um bom suspense em relação às dúvidas de Mando sobre IG-11 e surpreende na sequência noturna em que mynocks de tamanho avantajado atacam o grupo acampamento nos arredores da cidade onde o confronto será realizado.

Pessoalmente, tenho problemas com os diálogos de Karga, que não passam de frases de efeitos costuradas juntas e faladas por um ator que tem dificuldade em mostrar qualquer tipo de habilidade dramática. Carl Weathers funciona bem como personagem de segundo ou terceiro plano, mas, ao ser colocado em primeiro plano, sua imponência torna-se quase cômica, o que não é lá um problema enorme, lógico, já que seu papel não é muito mais profundo do que um recorte de cartolina (como basicamente todos na série, diga-se de passagem), mas que poderia ter sido suavizado com um pouco mais de carinho no texto de Jon Favreau.

A composição cênica do vilarejo tomado de Stormtroopers e dois Scout Troopers com speeder bikes foi nostalgia de boa safra na veia, assim como a ação no quartel general do cliente e a imponente chegada dos Death Troopers (os únicos soldados imperiais que acertam o alvo, pelo visto!) e, claro, do esperado Moff Gideon, vivido por ninguém menos do que o próprio Gus Fring, Giancarlo Esposito, em seu belo Outland TIE fighter. No entanto, achei desnecessário que o Cliente fosse chacinado no tiroteio, considerando que o personagem de Werner Herzog tinha potencial para ser mais explorado, mas o que posso fazer a não ser torcer para que ele tenha sobrevivido, não é mesmo?

Logicamente que o destaque do episódio vai para angustiante sequência final em montagem paralela, com Cara e Mando cercados como nos melhores faroestes e Kuiil desesperado para chegar até a nave e à segurança. É aqui que Deborah Chow mostra toda sua categoria ao usar cortes precisos fazendo micro-elipses e quase nenhum diálogo para esconder os efetivos acontecimentos e só nos mostrar a tragédia, com o bebê Yoda, depois de novamente cair no chão (só fico me lembrando do Sloth, dos Goonies!), ser capturado pelos Scout Troopers e a câmera então se levantar, com pouca profundidade de campo, para lentamente mostrar Kuiil alvejado próximo à Razor Crest. Um momento solene e muito bem trabalhado que, ao contrário da cena do Cliente, que se aparecer vivo é lucro, pede que Kuiil permaneça morto para que todo o efeito dramático seja realizado com dividendos, provavelmente permitindo que IG-11 seja usado como um anjo robótico vingador.

Talvez tivesse sido melhor esperar o episódio final para julgar os dois conjuntamente, mas não há mal algum em abordá-los separadamente como faço aqui, mesmo sendo evidente que eles são uma coisa só. The Reckoning faz a temporada retornar ao mais alto nível de qualidade, preparando um encerramento de arco potencialmente digno, capaz de sedimentar The Mandalorian de vez no imaginário popular.

Obs (com spoilers do novo filme da saga Star Wars): O episódio teve seu lançamento antecipado para o dia anterior da estreia de A Ascensão Skywalker nos EUA e, curiosamente, há uma conexão entre as duas obras, ainda que indireta. O bebê Yoda, que já havia tentado tocar na ferida de Mando em The Child, efetivamente cura uma ferida grave em Greef Karga, exatamente como Rey e Ben Solo fazem no filme.

The Mandalorian – Chapter 7: The Reckoning (EUA, 18 de dezembro de 2019)
Showrunner: Jon Favreau
Direção: Deborah Chow
Roteiro: Jon Favreau
Elenco: Pedro Pascal, Carl Weathers, Gina Carano, Nick Nolte, Taika Waititi, Werner Herzog, Giancarlo Esposito, Adam Pally, Dave Reaves, Chris Bartlett, Drew Hale
Duração: 40 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.