Home TVEpisódio Crítica | The Mandalorian – Chapter 7: The Reckoning

Crítica | The Mandalorian – Chapter 7: The Reckoning

por Ritter Fan
658 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

The Mandalorian finalmente retorna para a história principal em um episódio que, ao começar lentamente, bem mais do que o ritmo normalmente acelerado da temporada, deixa logo evidente que ele é a primeira parte de um encerramento duplo. E não há nada de errado nisso, pois, novamente sob a batuta de Deborah Chow, responsável por The Sin, a narrativa ganha compasso e ritmo para Mando reunir os amigos que fez pela galáxia.

Recebendo uma proposta holográfica de Greef Karga com toda cara de armadilha para eliminar o misterioso cliente que originalmente contratara os serviços do caçador de recompensas e que envolve usar o bebê Yoda como isca, Mando parte para recrutar a ajuda de Cara Dune e, percebendo que precisa de uma babá, também Kuiil que, por sua vez, insiste não só em levar consigo três blurrgs, como também ninguém menos do que IG-11, agora um dócil serviçal depois de ser resgatado pelo engenhoso ugnaught. Com isso, os quatro partem para Nevarro para encerrar o assunto de uma vez por todas.

O retorno dos personagens anteriormente apresentados já automaticamente traz estofo e qualidade ao episódio, algo que a direção de Chow, mesmo trabalhando com um roteiro padrão, que não procurar arriscar (a não ser na cena final, se ela for mantida), amplifica sensacionalmente ao trabalhar uma decupagem precisa, com sequências relevantes para o estabelecimento da conexão necessária entre os três heróis que embarcam na Razor Crest. Mesmo acusando lentidão no começo, como mencionado, a montagem prepara a ação na medida certa e constrói um bom suspense em relação às dúvidas de Mando sobre IG-11 e surpreende na sequência noturna em que mynocks de tamanho avantajado atacam o grupo acampamento nos arredores da cidade onde o confronto será realizado.

Pessoalmente, tenho problemas com os diálogos de Karga, que não passam de frases de efeitos costuradas juntas e faladas por um ator que tem dificuldade em mostrar qualquer tipo de habilidade dramática. Carl Weathers funciona bem como personagem de segundo ou terceiro plano, mas, ao ser colocado em primeiro plano, sua imponência torna-se quase cômica, o que não é lá um problema enorme, lógico, já que seu papel não é muito mais profundo do que um recorte de cartolina (como basicamente todos na série, diga-se de passagem), mas que poderia ter sido suavizado com um pouco mais de carinho no texto de Jon Favreau.

A composição cênica do vilarejo tomado de Stormtroopers e dois Scout Troopers com speeder bikes foi nostalgia de boa safra na veia, assim como a ação no quartel general do cliente e a imponente chegada dos Death Troopers (os únicos soldados imperiais que acertam o alvo, pelo visto!) e, claro, do esperado Moff Gideon, vivido por ninguém menos do que o próprio Gus Fring, Giancarlo Esposito, em seu belo Outland TIE fighter. No entanto, achei desnecessário que o Cliente fosse chacinado no tiroteio, considerando que o personagem de Werner Herzog tinha potencial para ser mais explorado, mas o que posso fazer a não ser torcer para que ele tenha sobrevivido, não é mesmo?

Logicamente que o destaque do episódio vai para angustiante sequência final em montagem paralela, com Cara e Mando cercados como nos melhores faroestes e Kuiil desesperado para chegar até a nave e à segurança. É aqui que Deborah Chow mostra toda sua categoria ao usar cortes precisos fazendo micro-elipses e quase nenhum diálogo para esconder os efetivos acontecimentos e só nos mostrar a tragédia, com o bebê Yoda, depois de novamente cair no chão (só fico me lembrando do Sloth, dos Goonies!), ser capturado pelos Scout Troopers e a câmera então se levantar, com pouca profundidade de campo, para lentamente mostrar Kuiil alvejado próximo à Razor Crest. Um momento solene e muito bem trabalhado que, ao contrário da cena do Cliente, que se aparecer vivo é lucro, pede que Kuiil permaneça morto para que todo o efeito dramático seja realizado com dividendos, provavelmente permitindo que IG-11 seja usado como um anjo robótico vingador.

Talvez tivesse sido melhor esperar o episódio final para julgar os dois conjuntamente, mas não há mal algum em abordá-los separadamente como faço aqui, mesmo sendo evidente que eles são uma coisa só. The Reckoning faz a temporada retornar ao mais alto nível de qualidade, preparando um encerramento de arco potencialmente digno, capaz de sedimentar The Mandalorian de vez no imaginário popular.

Obs (com spoilers do novo filme da saga Star Wars): O episódio teve seu lançamento antecipado para o dia anterior da estreia de A Ascensão Skywalker nos EUA e, curiosamente, há uma conexão entre as duas obras, ainda que indireta. O bebê Yoda, que já havia tentado tocar na ferida de Mando em The Child, efetivamente cura uma ferida grave em Greef Karga, exatamente como Rey e Ben Solo fazem no filme.

The Mandalorian – Chapter 7: The Reckoning (EUA, 18 de dezembro de 2019)
Showrunner: Jon Favreau
Direção: Deborah Chow
Roteiro: Jon Favreau
Elenco: Pedro Pascal, Carl Weathers, Gina Carano, Nick Nolte, Taika Waititi, Werner Herzog, Giancarlo Esposito, Adam Pally, Dave Reaves, Chris Bartlett, Drew Hale
Duração: 40 min.

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38 comentários

joshua david 27 de dezembro de 2019 - 18:38

Episódio excelente. Particularmente o melhor dessa temporada, e tenho dito!

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planocritico 27 de dezembro de 2019 - 22:41

Acho que eu gostei mais do episódio 3.

Abs,
Ritter.

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Pedrinho Rude Boy 23 de dezembro de 2019 - 13:42

Episódio sensacional. Era disso que eu estava falando.

Responder
Pedrinho Rude Boy 23 de dezembro de 2019 - 13:32

Episódio sensacional. Era isso que eu queria.

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Snyder Deus 23 de dezembro de 2019 - 03:48

Quando vai sair critica do seriado The Witcher?

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 23 de dezembro de 2019 - 04:01

Esta semana. Eu que vou fazer mas tem muita coisa pra escrever e estruturar esses dias, por isso tá difícil maratonar.

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Nellio Vinicius 22 de dezembro de 2019 - 21:30

Um momento solene e muito bem trabalhado que, ao contrário da cena do Cliente, que se aparecer vivo é lucro, pede que Kuiil permaneça morto para que todo o efeito dramático seja realizado com dividendos, provavelmente permitindo que IG-11 seja usado como um anjo robótico vingador.
É só eu quero essa cena no próximo episódio?acredito que o kuiil sobrevive só o suficiente pra programar o androide pra salvar o resto da equipe.
Baby Yoda já pode ser escalado pra restaurar a Ordem Jedi, bebê, e o guri já consegue esganar as pessoas estilo Vader e curar ferimentos, adolescente e adulto vai ser nível Palpatine.

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planocritico 24 de dezembro de 2019 - 11:02

Do jeito que tacam o bebê Yoda no chão todo episódio, o sujeito vai crescer revoltado e vai se tornar um Sith!

Abs,
Ritter.

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Bernardo Barroso Neto 22 de dezembro de 2019 - 13:04

Um belíssimo episodio. A série voltou a ser empolgante como foi no início.

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planocritico 22 de dezembro de 2019 - 13:07

Sim! Tomara que fechem a temporada com chave de ouro!

Abs,
Ritter.

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Here's Johnny 22 de dezembro de 2019 - 12:13

Pelo que eu entendi, Rey e Kylo Ren tem o poder de curar pois são uma díade da força.

Será que o Baby Yoda é uma díade com alguém também? Ou eles só ignoraram esse fato.

Aliás, agora que sabemos que o Imperador estava vivo, e que o Baby Yoda tinha o poder de curar, e os caras do império estão atrás dele, será que a série vai se conectar na história do filme e tornar esse o motivo pelo qual o império está atrás do pobre Yodinha?

Realmente um episódio muito bom, apesar de eu já ter achado o último divertido.

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planocritico 22 de dezembro de 2019 - 13:09

Não sei se esse poder vem dessa circunstância específica.

Abs,
Ritter.

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JGPRIME25 21 de dezembro de 2019 - 21:43

Deborah Chow é a melhor diretora da série.
Obi Wan é o melhor Jedi.

Sinto cheiro de produção boa vindo aí.

Responder
planocritico 21 de dezembro de 2019 - 21:43

Tomara!

Abs,
Ritter.

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Lucio Adriano Mendonça 21 de dezembro de 2019 - 21:40

Vocês não acham um furo em Star Wars eles terem androides com capacidades incríveis e as naves serem tão simples? Por que as naves não podem ter inteligência? Por exemplo em caso de emergência a nave não poderia decolar sozinha e ir ao encontro do seu dono?

Responder
planocritico 21 de dezembro de 2019 - 21:43

Não é um furo e sim uma escolha. É a regra desse universo.

Abs,
Ritter.

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Lucio Adriano Mendonça 21 de dezembro de 2019 - 22:18

O único motivo que vislumbro é que ninguém quer correr o risco de ser deixado pra trás em caso de uma briga com sua nave. Tem também que pode ser proibido visto a grande quantidade de naves existentes no universo e colocar inteligência nelas pode ser um risco muito grande pra navegação.

Responder
planocritico 21 de dezembro de 2019 - 23:45

É uma forma de racionalizar a coisa.

Abs,
Ritter.

Responder
Lucio Adriano Mendonça 25 de dezembro de 2019 - 10:57

Só pra encerrar o assunto. Estava assistindo the Rick no Amazon prime e tem uma nave que é apaixonada no personagem Arthur. É muito problemático mesmo nave com inteligência.rsrs

planocritico 6 de janeiro de 2020 - 06:56

Viu o tipo de problema que isso pode dar?

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter.

Careca de Capa 21 de dezembro de 2019 - 18:53

Ótimo episódio e eu achando que a trama não iria evoluir, mas se o Mando conseguir escapar de mais uma emboscada, ele deve mudar o nome para MacGyverloriano.

Ps.: Mais um episódio de Baby Yoda se esparramando pelo chão.

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planocritico 21 de dezembro de 2019 - 18:54

Depois não poderão culpar o Yodinha se ele for para o Lado Negro da Força!

Abs,
Ritter.

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skypeln 21 de dezembro de 2019 - 12:59

Deborah Chow é a melhor diretora dessa série. Pena que ela não deve dirigir o último episódio.

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planocritico 21 de dezembro de 2019 - 13:31

Mas será o Taika Waititi. Ele manda bem também!

Abs,
Ritter.

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Bruno de Luca 23 de dezembro de 2019 - 13:01

Torcer pra ele não pesar a mão na comédia, como fez em Ragnarok (Mesmo eu reconhecendo que ele manda MUITO bem nessa área) não é o que eu quero pra uma season finale. Nem encaixaria, logo após um episódio anterior tão tenso.

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planocritico 24 de dezembro de 2019 - 01:20

Não vejo razão para temer isso.

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo Rocha Vaz 21 de dezembro de 2019 - 11:53

Excelente episódio, bem melhor que o “Esquadrão Suicida” da semana anterior. Aqui o senso de perigo e urgência é latente, em especial, nos momentos finais do capitulo. Toda vez que The Mandalorian emula o western a série cresce exponencialmente. Bem que poderiam assumir logo a natureza high-tech western do show, e começar a próxima temporada com o pé na porta…
ABS

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planocritico 21 de dezembro de 2019 - 13:31

Faz toda a diferença mesmo!

Abs,
Ritter.

Responder
Filipe Isaías 21 de dezembro de 2019 - 11:06

Realmente, excelente episódio. Sempre bom ver o Giancarlo Esposito nas telas, demonstrando uma ameaçadora imponência. Espero que ele sobreviva a essa temporada.

Altas expectativas para o próximo, dirigido pelo Taika Waititi.

Abs.

Responder
planocritico 21 de dezembro de 2019 - 13:31

Tomara que ele sobreviva mesmo! Mas não o Kuiil!

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 21 de dezembro de 2019 - 10:37

O episodio foi um dos melhores da serie, também torço pra que o Kuiil permaneça morto (acho difícil). Nao vi ainda o filme novo de SW, mas acredito que o baby yoda deve morrer ja que ele nao aparece nessa trilogia nova.

Responder
planocritico 21 de dezembro de 2019 - 13:31

Não é impossível, mas acho difícil o bebê Yoda morrer.

Abs,
Ritter.

Responder
Danilovsk 21 de dezembro de 2019 - 09:10

Foi uma delícia ver todas as pontas da série se amarrando, só por isso este foi meu episódio preferido até agora.

Responder
planocritico 21 de dezembro de 2019 - 13:31

O terceiro capítulo ainda ganha em razão daquela batalha cheia de mandalorianos no final!

Abs,
Ritter.

Responder
Jadiel 21 de dezembro de 2019 - 08:41

Acho que nesse episódio consegui me importar mais com o Kuiil do que com o Mando na série toda. Houve um bom desenvolvimento de personagem para ele e um fechamento de arco (espero) digno e muito bom. Deborah Chow é muito boa mesmo, os dois episódios que ela dirigiu foram os melhores da temporada. Jon Favreau deve saber da qualidade dos seus próprios roteiros e com certeza confia suas melhores partes aos melhores diretores. Considero ela como parte da elite dos diretores e diretoras de TV.

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planocritico 21 de dezembro de 2019 - 14:34

Engraçado. Kuiil é um personagem que gostei imediatamente. Mas concordo que o arco dele deveria acabar aqui. Se ele sobreviver, perde o impacto.

Sobre Chow, concordo. Ela é o que me faz ter curiosidade de ver a série live-action do Obi-Wan já que o personagem em si não me atrai para algo solo.

Abs,
Ritter.

Responder
Jadiel 21 de dezembro de 2019 - 14:35

Sim, o Kuiil também é meu personagem favorito, pelo menos nessa 1ª temporada.

E sobre a série do Obi-Wan, se a proposta da série não parece ser das melhores, os nomes por trás dão alguma segurança. Por enquanto também tem a minha curiosidade. E tenho dito.

Responder
planocritico 21 de dezembro de 2019 - 15:01

Exato!

Abs,
Ritter.

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