Crítica | The Mandalorian – Chapter 8: Redemption

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

Eis que o imparável Taika Waititi foi escalado para dirigir o episódio final desta temporada de The Mandalorian, e eu não poderia estar mais feliz com isso, especialmente porque o resultado obtido foi sensacional. Pegando exatamente de onde a gente parou em The Reckoning, o Finale se desenvolveu a partir de um princípio de real perigo para os personagens, mantendo a morte de Kuiil e encomendando diversas outras — além, é claro, de deixar a gente roendo unhas por conta do Baby Yoda agora nas mãos dos Scout Troopers.

Por conhecer muito bem o estilo em que Waititi trabalha e consegue fazer muita coisa boa como diretor, Jon Favreau escreveu um roteiro muitíssimo bem equilibrado entre a comédia, a fofura e as ações de batalha do Baby Yoda e dos personagens principais e ainda situações com boas consequências, com a trama em si mesma servindo de fonte para novas informações sobre os personagens, um jeito interessante de aprofundar-se em temas da série sem usar o jeito simplesmente didático para isso. É por este motivo que o discurso de Moff Gideon (Giancarlo Esposito) se encaixa de maneira muito fluída na cena em que Mando (que descobrimos se chamar Din Djarin e que, para surpresa de todos, tem o seu rosto revelado… tudo sem showzinho ou melodrama: é um take rápido, funcional, mas de significado enorme), Cara (ou Carasynthia Dune, que é natural de Alderaan!) e Greef Karga (que certamente retornará na próxima temporada) estão encurralados. Não se trata apenas da ameaça, do problema crescendo e das opções diminuindo para os mocinhos. Trata-se de um bom uso de uma situação crítica para acrescentar novidades à série.

Paralelamente vemos os Scout Troopers esperarem a confirmação para se aproximarem com o bebê, e se eu já queria a morte dos infelizes, o sentimento cresceu ainda mais quando eles esmurraram a pequeno verdinho. No entanto, a conversa entre os dois ali é ótima, genuinamente engraçada e fica ainda melhor quando tentam acertar um alvo a poucos metros de distância e não conseguem de jeito nenhum — parece até uma sequência-paródia de Star Wars, mas está bem colocada e ainda faz o papel de humanizar o vilão, dando a esses personagens uma função diferente além de só ser uma bucha de canhão malvada. Isso pelo menos até a chegada triunfal de IG-11, para dar o que eles realmente mereciam. Esse droide foi fascinante desde o momento em que apareceu lá em Chapter 1 e tem um fim aplaudível no presente episódio. Confesso que eu adoraria vê-lo na próxima temporada, mas se é para ir embora, que vá com um baita propósito e dentro de um bom contexto, como foi no caso (e o de Kuiil também!).

A cena em que IG-11 vai salvar o mandaloriano e amigos é muito bem dirigida, com direito até um primeiro plano no rosto sapeca do Baby Yoda que claramente gosta de aventuras perigosas. Junto à cena impagável da armeira mandaloriana badass que luta contra os Stormtroopers, esta cena figura entre as minhas cenas favoritas da temporada. E vale dizer que aqui, uma parte das reclamações que Ritter (e eu, nos comentários) vinha fazendo sobre alguns roteiros é definitivamente dissipada, já que nos é possível ver um propósito a curto prazo (o compromisso de Doutrina que Djarin tem com o bebê… não apenas para ficar vagando à toa com ele) e as possibilidades de expansão disso para outros cantos do Universo Star Wars, tirando o ar bairrista que alguns enredos deixaram transparecer. E a prova de que conexões e expansões interessantes serão feitas está na aparição do darksaber nas mãos de Moff Gideon, na cena final do episódio.

Ancestralmente ligado aos mandalorianos — por ter sido criado por Tarre Vizsla, o primeiro desse grupo a entrar para a Ordem Jedi, mais de mil anos antes de Yavin — e tendo aparecido sem exatamente muita coisa de sua história pregressa nas Guerras Clônicas e em Rebels (quem não surtou com Trials of the Darksaber, hum?), a indicação que temos aqui é que o título da série será levado realmente a sério pelos produtores a partir de agora, fortalecendo canonicamente e em live-action a trajetória dos mandalorianos, ou seja, coisa boa e muitas novidades nos aguardam no futuro. Exceto por alguns diálogos de Cara que achei meio bobos e pela estrutura de montagem um pouco antes de o bicho pegar fogo (literalmente), o episódio foi um verdadeiro evento para mim, e certamente se tornou o melhor da temporada. The Mandalorian encerra o ano de maneira sólida e com um olhar extremamente promissor para o futuro. Muito obrigado por isso, Jon Favreau!

The Mandalorian – Chapter 8:  (EUA, 27 de dezembro de 2019)
Showrunner: Jon Favreau
Direção: Taika Waititi
Roteiro: Jon Favreau
Elenco: Pedro Pascal, Gina Carano, Carl Weathers, Rio Hackford, Giancarlo Esposito
Duração: 40 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.