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Crítica | The Morning Show – 2X06: A Private Person

Invasão de privacidade.

por Ritter Fan
1.756 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as demais críticas da série.

Já na segunda metade de seu segundo ano, The Morning Show continua com problemas ao lidar com frentes demais ao mesmo tempo, sem que nenhuma delas realmente ganhe a abordagem profunda que deveria ter, em  uma espécie de antítese do que foi a sensacional 1ª temporada. É como ver uma variação sofisticada e com ótimas atuações da antiquada estrutura de “caso da semana”, só que com “assuntos do momento” substituindo determinada situação periclitante que os protagonistas precisam enfrentar.

Como nos dias de hoje é importante deixar tudo bem claro, não estou eu aqui dizendo que o assunto discutido em A Private Person – a revelação, por terceiros e em público, sobre a sexualidade de alguém – não é importante, não merece atenção ou qualquer coisa do gênero. Muito, mas muito ao contrário, sou exatamente o que o título diz, uma “pessoa privada” (tanto que vocês, caros leitores, sequer sabem meu nome ou meu rosto) e abomino qualquer tipo de invasão da esfera privativa de quem quer que seja e não consigo sequer imaginar o trauma que deve ser ver sua sexualidade descortinada online como acontece com Bradley Jackson.

O problema não está no assunto, mas sim na maneira como ele é trabalhado. O que na 1ª temporada foi uma aula sobre o movimento #metoo, com o caminho sendo inteligentemente pavimentado ao longo dos 10 episódios, aqui o que vem acontecendo é o derramamento de assuntos atuais e relevantes sem uma costura invisível por trás que dê fluidez à temporada e que permita que o espectador tire o máximo proveito da série e, de quebra, ainda absorva algumas boas lições para a vida.

Comecemos então pelas extremas conveniências do roteiro de Rachel Morrison que preparam o terreno para a grande revelação que, reconheço, foi preparada ao final de Ghosts de forma inteligente e maquiavélica, com Cory perguntando – sem dizer – se Bradley concorda que vale qualquer coisa para evitar que a reputação de Hannah fosse manchada. A primeira delas é a escalação de Laura para ser a co-âncora do TMS a partir de uma ideia de Chip, para sacudir Alex, encampada pelo CEO. A segunda – e bem pior – conveniência é o aparecimento de Hal (Joe Tippett), irmão de Bradley, na porta de seu quarto de hotel de forma que o assunto de sua família conservadora (e caipira, vamos falar português claro) retornasse à pauta e que a notícia pudesse, então, repercutir em outro nível.

O que deveria ser algo natural, tornou-se completamente artificial, tão artificial que os diálogos são quase que formados por frases de efeito, como quando o novo “cara do tempo” é destruído por Daniel quando ele comenta que o entrevistador não gostou da revelação porque ele queria “ser o único gay” do programa. E olha que eu sou o primeiro a dizer que um pouco de didatismo é sadio, já que tem muita gente incapaz de ver ou, pior ainda, que se recusa a enxergar o que está diante de seus olhos, mas o episódio parece ter sido escrito como uma apresentação de PowerPoint sobre o assunto, daquelas que o apresentador basicamente lê o que está escrito, sem exatamente acrescentar nada diferente daquilo que está na tela.

Por outro lado, assim como Jennifer Aniston teve espaço para trabalhar sua personagem no episódio anterior, agora foi a vez de Reese Witherspoon fazer o mesmo com sua Bradley. Não gosto da atriz – e nunca escondi isso – mas admito com tranquilidade que ela mais do que cumpriu sua tarefa aqui, imediatamente fazendo com que a jornalista entrasse em uma espiral sufocante e desesperadora, como se as paredes estivessem se fechando ao seu redor. Julianna Margulies consegue o mesmo, mas de maneira bem diferente, em razão de sua personagem já ter sofrido isso e já ter erigido uma parede psicológica para aguentar esse tipo de impacto, quase que como Laura fosse a versão “mais evoluída” de Bradley tamanho o contraste entre as duas.

A única coisa que eu espero a essa altura do campeonato é que o assunto abordado em A Private Person não seja milagrosamente esquecido, pois seria a prova absoluta de que The Morning Show não tem mais rumo e passou a ser um mostruário raso de uma miríade de assuntos importantes que acabam se auto sabotando e se diluindo. Ainda há um bom caminho pela frente – mas não tão longo assim – e uma correção de rumo ainda é possível, mesmo que talvez não seja mais possível fazer a temporada chegar ao nível da primeira. Vamos torcer pelo melhor, mas é bom também nos prepararmos para o pior.

The Morning Show – 2X06: A Private Person (EUA – 22 de outubro de 2021)
Criação: Jay Carson (baseado em obra de Brian Stelter)
Desenvolvimento: Kerry Ehrin
Direção: Rachel Morrison
Roteiro: Torrey Speer, Stacy Osei-Kuffour
Elenco: Jennifer Aniston, Reese Witherspoon, Billy Crudup, Mark Duplass, Néstor Carbonell, Karen Pittman, Greta Lee, Desean Terry, Hasan Minhaj, Steve Carell, Valeria Golino, Holland Taylor, Tom Irwin, Will Arnett, Patrick Fabian, Julianna Margulies, Joe Tippett
Duração: 58 min.

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