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Crítica | The Night Of 1X04: The Art of War

por Luiz Santiago
41 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

spoilers! Confira as críticas para os outros episódios da série aqui.

Sun Tzu ficaria muito orgulhoso de Richard Price pela forma como A Arte da Guerra foi aplicada a um sistema prisional viciado e a um sistema jurídico marcado por acordos de bastidores e cercamento bastante arbitrário da Lei. Estejamos falando de um verdadeiro culpado ou não, é evidente que a discussão sobre “Justiça” e “Política”, em suas formas menos óbvias, são duas das coisas mais fortemente exploradas no roteiro desta Parte 4 de The Night Of.

Pergunta número um: o que de fato aconteceu naquele dia? Pela primeira vez desde o insano The Beach, tivemos um pequeno vislumbre, sob um outro ponto de vista, da fatídica noite. A rigor, os planos diagonais, capturados um pouco fora de foco e quase como um exercício psicológico de Naz, que sob pressão, rememora rapidamente aqueles eventos, não nos dizem nada verdadeiramente relevante, mas colocam lenha na fogueira das especulações. A respiração ofegante de alguém subindo a escada seria de Andrea ou outra pessoa? Se foi de Andrea, onde está o sangue no chão, próximo à escada? Nós perdemos alguma coisa ou estamos falando de um assassino extremamente cuidadoso? Foi nesse momento que o sangue foi parar próximo ao olho do cervo, na parede?

Existe, claro, a possibilidade de ser outra pessoa ou o próprio Naz — o primeiro impulso que temos é de atribuir a cena à ida dele da cozinha até o quarto, mas quando sobe, após acordar, ele não está ofegante e o efeito das drogas já havia passado… — e isso é bom, porque mantém ativa a sensação de suspeita de todos e dá a possibilidade dos roteiros futuros investirem nessa ideia de “não confio em ninguém“.

Pergunta número dois: Freddy (uma interpretação cada vez mais espantosa de Michael K. Williams) quer apenas o “cérebro” de Naz? Seria inocente demais acreditar naquela conversa do “Chefão”, mas o que Naz pode fazer por Freddy que este já não tenha quem o faça? Essa pergunta é importante porque coloca em perspectiva a importância do protagonista e a forma como ele deverá se comportar na prisão a partir de agora, que está protegido.

Um ponto “menor” no episódio foi a ideia de fazer do ‘companheiro de prisão’ de Naz um tipo de portador de A Arte da Guerra, reconhecendo o terreno, usando de subterfúgios e atacando em um momento de fraqueza, surpreendendo o inimigo. Não que ESTAS ações sejam o ponto “menor”. A ideia de adaptação do conceito do manual de guerra é louvável em todos os aspectos nesse episódio. O que se coloca de maneira pouco convincente é o fato de ser guiada por um personagem novo, que se aproxima de Naz e faz dele um exemplo de vingança pessoal, um bode expiatório conveniente. Isto não é despropositado, porque o bloco teve o seu contexto bem montado, mas foi importância demais para um personagem novo com uma ação narrativa de peso como esta.

A diferença acertada de ritmo impresso pela montagem torna The Art of War um episódio de acertos e consequências para diferentes lados da moeda, seja na esfera pessoal, na esfera ligada ao caso do assassinato ou em ambas as esferas. A segunda parte é mais expansiva, com cenas fora da cela conjunta e as sempre interessantes sequências de tentativa de acordo, no tribunal. A qualidade do elenco ajuda a tornar tudo ainda mais intenso e aparecem coisas que nos fazem questionar posturas como a conversa entre o Detetive Box e a Promotora; o acerto mudo entre Stone e a nova advogada de Naz; e a misteriosa conversa do padrasto de Andrea  no cemitério.

Um pouco menos sombrio em cor (pelas cenas no tribunal), mais ágil na montagem, mais dinâmico no figurino e aprofundando-se ainda mais nas consequências de uma acusação para todos os que estão ligados ao acusado — notadamente em um caso grave e de conhecimento público — The Art of War mantém o nível dos episódios anteriores e segue nos fazendo queimar neurônios para ler [segundas] intenções e encontrar vilões no meio de tantos suspeitos.

The Night Of  1X04: The Art of War  (EUA, 31 de Julho de 2016)
Direção: James Marsh
Roteiro: Richard Price
Elenco: Riz Ahmed, John Turturro, Bill Camp, Peyman Moaadi, Poorna Jagannathan, Jeannie Berlin, Sofia Black-D’Elia, Paul Sparks, Michael Kenneth Williams, Chandra Kapoor
Duração: 60 min.

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