Crítica | Aventuras do 3º Doutor – 2ª Temporada

Localizado entre Planet of the Daleks e The Green Death, a primeira história do Ano 2 da série The Third Doctor Adventures tem um excelente começo e um final... não tão interessante assim. Na trama, o Doutor e Jo chegam ao moribundo planeta Ephros, onde a Galactux Power Inc segue em plena exploração dos recursos restantes do local. Mas algo ainda pior está se mexendo sob a superfície, e o Doutor e sua companheira terão que lidar com inimigos em diferentes espaços dessa sociedade. Plano Crítico.

Equipe: 3º Doutor, Jo
Espaço: Planeta Ephros
Tempo: Século XXVI

Localizado entre Planet of the DaleksThe Green Death, a primeira história do Ano 2 da série The Third Doctor Adventures tem um excelente começo e um final… não tão interessante assim. Na trama, o Doutor e Jo chegam ao moribundo planeta Ephros, onde a Galactux Power Inc segue em plena exploração dos recursos restantes do local. Mas algo ainda pior está se mexendo sob a superfície, e o Doutor e sua companheira terão que lidar com inimigos em diferentes espaços dessa sociedade.

O que me fez gostar tanto do roteiro de Guy Adams nesta The Transcendence of Ephros foi a comédia ligada a uma situação de perigo envolvendo a dupla da TARDIS. O Doutor faz uma promessa de mil maravilhas que Jo deverá encontrar em Ephros, mas ao se materializarem no local, o que encontram é algo completamente diferente do que o Time Lord conhecera anos atrás: em vez de florestas, deserto. Em vez e ar puro, poluição. Em vez de brisa refrescante, extremo calor. A situação é bem triste e serve como mais uma prova de que tanto a série televisionada quanto a Big Finish estão de olho em problemas contemporâneos e conseguem fazer críticas e trazer à tona esses mesmos problemas dentro de histórias onde é possível imaginar os terríveis resultados finais, o momento do grande desastre.

E está tudo aqui, nas primeiras cenas. Um planeta antes vibrante de vida agora vive os seus dias antes do colapso. Uma empresa está lá, buscando todos os lucros que ainda conseguir. E uma certa pessoa está guiando uma religião que faz os fiéis acreditarem que quando o planeta explodir eles vão… transcender. Então se entregam à destruição do planeta com perfeita alegria. E a coisa fica ainda mais trágica quando a gente descobre que essa religião é pura criação com o objetivo de ganhar algo às custas dos pobres crentes.

The Transcendence of Ephros plano critico

Apesar de gostar muito do início e um pouco menos da grande surpresa que Mother Finsey nos traz, minha visão geral da história acabou abalada pela maneira como o texto termina. Não é exatamente uma finalização abrupta, mas é absurdo o quanto o ritmo se torna menos interessante para o espectador (bagunçando as idas e vindas de um núcleo para outro) e também a qualidade da história, que ganha um porção de repetições, frases de efeito e partida para a ação que é muito corrida, algo que o texto poderia evitar cortando alguns excessos de conversas e cenas inúteis do miolo da história para então fazer um final sem muita pressa. Falamos aqui de uma trama sobre fanatismo religioso, sobre o fascínio que a maldade possui para alguns, sobre o lucro de corporações a qualquer custo e sobre destruição da natureza. Uma série de problemáticas em um episódio que, apesar dos problemas, vale a pena ser conferido. 3,5/5

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Em The Hidden Realm, o Doutor e Jo viajam para a vila de Bramfield New Town. O motivo da visita acontece porque Jo recebeu a notícia de que o esposo de sua prima desapareceu misteriosamente, circunstância que a faz desconfiar instintivamente de algo para além das forças da polícia, e então chama o Doutor para dar uma passada e checar algumas coisas. Mas dede os primeiros minutos a dupla da TARDIS percebe que os pegas (magpies) estão muito mais agitados e atacando muito mais do que deveriam (tem vídeos hilários e ao mesmo tempo assustadores de ataques desses pássaros na internet). E é aí que o Doutor descobre uma aterrorizante trama alienígena…

Talvez eu esteja demais com o Mestre na cabeça no momento, mas não pude deixar de lembrar do princípio de roubo/apropriação de corpos que o Mestre já fez algumas vezes, vendo o que se passa nessa saga. A trama é consideravelmente absurda, mas não totalmente num mal sentido. Trata-se de um terror sci-fi de construção curiosa, mesclando temores típicos de teorias da conspiração com Vampiros de Almas e (mais uma vez!) a tentativa de alguém lucrar com base na miséria ou morte alheia, tema que vimos abordado em escala planetária no episódio passado, The Transcendence of Ephros.

plano crítico Doctor Who - The Hidden Realm

E eu mais uma vez tenho problemas com um final de roteiro nessa série. A questão aqui é mais um tipo de esvaziamento que eu estou disposto a ver como quase puramente pessoal, no sentido de não ver nada de realmente interessante, memorável ou que valha a pena destacar. Eu não gostei tanto do início dessa história quanto o da anterior, mas a sensação me parece ser a mesma nas duas tramas: os primeiros passos merecem aplausos, enquanto os últimos são meio trôpegos, decepcionantes. E aqui a gente temos o infortúnio de uma problemática ainda mais intricada para se resolver, o que torna o fechamento do impasse bastante sem graça. É uma boa história, devo admitir, mas daquelas que por pouco não ficam apenas na média. 3/5

The Third Doctor Adventures – Vol.2: The Transcendence of Ephros + The Hidden Realm (Reino Unido, 3 de novembro de 2016)
Direção: Nicholas Briggs (The Transcendence of Ephros) e David Llewellyn (The Hidden Realm)
Roteiro: Guy Adams (The Transcendence of Ephros) e David Llewellyn (The Hidden Realm)
Elenco: Tim Treloar, Katy Manning, Simon Bubb, Richenda Carey, Bernard Holley, Nigel Peever, Karen Henson, Clare Buckfield, Robert Whitelock, Sandra Voe, Richard Earl, Alex Lanipekun, George Asprey
Duração: 158 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.