Home TVEpisódio Crítica | The Walking Dead – 10X05: What It Always Is

Crítica | The Walking Dead – 10X05: What It Always Is

por Gabriel Carvalho
246 views (a partir de agosto de 2020)

“Eu vou bufar. Eu vou soprar.”

  • Observação: Há spoilers do episódio e da série. Leiam, aqui, as críticas de todas as demais temporadas, dos games e das HQs. E, aqui, da série spin-offFear the Walking Dead.

Como showrunner, Angela Kang restaurou virtudes que pareciam estar perdidas em The Walking Dead, após equívocos cometidos por Scott M. Gimple. Em primeiro lugar, o horror voltou a ser uma prioridade para o seu comando, retornando após temporadas nas quais a ação ganhara um espaço que não merecia. A própria confrontação aos mortos resgatou a nojeira de antes, como podemos notar em momentos daqui, visivelmente espirituosos no que tange à maquiagem e às próteses. Já o drama humano voltou a ser executado com qualidade, por parte de uma construção narrativa que investiu em textos convincentes e não se redundou como acontecia anteriormente. Nos momentos mais expressivos da série até o momento, portanto, ambas as iniciativas de Kang conseguiram estabelecer momentos impressionantes do show, como a primeira aparição dos Sussurradores e suas posteriores. Logo, quando mistura-se a tensão proveniente do gênero da série com os arcos narrativos dos personagens, os resultados são impulsionados pela capacidade dramática do terror. Ora, logo a primeira cena do quinto episódio dessa décima temporada traz Kelly (Angel Theory) precisando lidar com a sua perda auditiva progressiva, enquanto, ao mesmo tempo, zumbis se aproximam dela, mas sem a mulher notar. Mesmo que não seja o drama mais profundo da série, é curioso como, a partir de premissas simples, podem-se renovar os enredos de The Walking Dead.

Para um episódio que preocupa-se com os arcos pessoais de seus personagens – o que nunca foi esquecido pela série, porém, -, a sua execução ao menos não copia as repetições de Gimple. Negan (Jeffrey Dean Morgan), pelas mãos de Kang, tornou-se um personagem muito mais crível que a caricatura transportada das páginas de um quadrinho para a televisão, de quando o showrunner anterior era quem comandava. Nesse episódio, a escapada de Alexandria do ex-antagonista – não se sabe ainda quem soltou o personagem – é acompanhada por um resgate do seu passado, que concilia perfeitamente com o drama do homem. Conversa bastante com a perspectiva da nossa realidade, por sinal, o olhar perturbado de Brandon (Blaine Kern III) para Negan, enxergando o antigo chefe dos Salvadores como uma pessoa a ser cultuada. O core do personagem é revisado, no caso, ao passo que Brandon observa o seu ídolo como um símbolo que ele, na verdade, não é em essência. Que irritante é essa visão imbecilizada do garoto – por sinal, muito bem escalado – acerca dos confrontos do passado, que o jovem nem realmente viveu. Por conta de como as interações entre os dois caminham, a conclusão, por fim, é até previsível, sem alcançar completamente uma carga dramática – um episódio standalone quiçá ajudaria. Mesmo assim, com o pouco tempo que tem, Kang dá espaço para o bom roteiro de Eli Jorne principiar uma excelente conversa de Negan com o garoto que resgata, imprimida com sinceridade.

Depois de uma enorme fragilidade no âmbito do texto ter prejudicado os dramas dos personagens, os diálogos da série passam por uma de suas melhores fases. Por exemplo, a revelação acerca do câncer de Ezekiel (Khary Payton) é um destaque do capítulo, numa conversa com Siddiq (Avi Nash), também com seus problemas, que é revestida de verdade. Sem soar piegas ou abrupto demais, o personagem do Rei é redefinido por esta notícia chocante, que combina, novamente, com as percepções criativas que a série está tendo para pensar esse pós-apocalipse nos seu detalhes – vide o satélite que cai no primeiro episódio. Enquanto antes o Rei parecia estar suicida pelas razões que já conhecíamos – a perda de vários entes queridos -, Kang consegue resgatar um vínculo do espectador com o personagem por meio de tal reviravolta, que acrescenta nuances à dor de Ezekiel. Mas é a cena conclusiva de Negan que exemplifica o bom trabalho de Kang, revivendo aquele personagem de outrora, mas de uma maneira bem mais impactante que os monólogos entediantes do passado. E as expectativas para o embate presente nos quadrinhos entre ele e Alpha (Samantha Morton) não param de crescer, ao passo que Negan se depara com Beta (Ryan Hurst) no término. Embora exista a pressa por uma instância em se chegar a tal ponto, Angela, por outro lado, não para de renovar, mesmo nas minúcias, os status quo dos personagens.

O que acontece entre os tais Sussurradores, no mais, trata justamente desse ímpeto narrativo de Kang, que em pouco tempo retrabalha as dinâmicas entre tais antagonistas e os povos de demais comunidades. Lá, os planos dos vilões soam ameaçadores e parte de Gamma (Thora Birch) e o enfoque dado à personagem a nossa descoberta de que a água de Alexandria encontra-se sendo contaminada – o que o capítulo brevemente incita ao apontar o adoecimento de Rosita. Mesmo assim, o episódio avança sobre esta informação para já iniciar novas possibilidades dramáticas, por conta da interação da personagem com Aaron (Ross Marquand), bem rápida, mas igualmente precisa e instigante. No que tange rapidez auxiliada à qualidade, a aproximação de Daryl (Norman Reedus) à Connie (Lauren Ridloff) é notória em conversas, novamente, bem escritas – e bem encenadas também, pois há a barreira linguística entre estes personagens que é ultrapassada pelo carisma e química entre os dois. Até mesmo Magna (Nadia Hilker) consegue ser bem tratada pelo roteiro, por conta de uma cena entre ela e Yumiko (Eleanor Matsuura) que consegue contextualizar melhor as motivações da personagem e o que ela está sofrendo agora – continua a soar aleatório demais este enfoque, mas há virtudes aqui que o episódio anterior não possuía. Por isso, apesar de imperfeita, o que a série, em sua décima temporada, tem a oferecer é incrivelmente refrescante.

The Walking Dead – 10X05: What It Always Is — EUA, 3 de novembrode 2019
Showrunner: Angela Kang
Direção: Laura Belsey
Roteiro: Eli Jorne
Elenco: Norman Reedus, Ross Marquand, Jeffrey Dean Morgan, Avi Nash, Khary Payton, Samantha Morton, Ryan Hurst, Thora Birch, Lauren Ridloff, Angel Theory, Blaine Kern III, John Finn, Nadia Hilker, Eleanor Matsuura, Callan McAuliffe
Duração: 45 min.

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24 comentários

JC 2 de abril de 2020 - 20:26

Se fosse um episódio só do Negan com aquele carinha, teria sido bem interessante.
Realmente ele foi muito bem escalado, caiu como uma luva.
Não gostei de nenhum dos outros arcos desse episódio…achei entediante que só….

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Carlos Faria 12 de novembro de 2019 - 20:05

Esse Brandon é a cara do Ted Bundy. Deve ter sido intencional.

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Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:17

HAHAHAHAHHAHAHA

Excelente comparação!

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Huckleberry Hound 5 de novembro de 2019 - 20:04

Só faltou o maluco dizer “No exceptions!” kkk

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John Grass 5 de novembro de 2019 - 14:24

Tudo encaminha para um fan-service repetindo algumas coisas iguais aos quadrinhos… quem leu, acha meio chato.. quem não leu, fica surpreso ou na mega curiosidade de que aconteça no “spoiler” de q os quadrinhos fornecem. A série voltou a melhorar na nona temporada, mas as vezes essa ideia de imitar os quadrinhos, bom, minha opinião, acho que tinha que ser bemmm diferente.

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Stark de Ferro 6 de novembro de 2019 - 17:54

No caso, o que você gostaria que fosse diferente?

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John Grass 8 de novembro de 2019 - 16:30

diferente ao andar da carruagem da série ser uma coisa bem diferente (mas bem mesmo) … pois meio q se lê em todo o canto, que Negan vai matar a Alpha e tudo mais… como falei, a temporada está de boa pra ótima, mas esse “imitar” dos quadrinhos é q soa um pouco ruim. Por mais q a montagem nessa temporada esteja boa.

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Stark de Ferro 11 de novembro de 2019 - 21:30

Poxa, entendo que toda adaptação precisa ter suas inovações, pra surpreender o público, mas quando certos acontecimentos tem sintonia com o que aconteceu no matéria base (HQs) ai que me toca mesmo, igual esse ultimo ep, a montagem do Negan interagindo nos sussuradores, foi incrível, e foi mt parecido, eu estou em conflito, para querer ver logo a rendenção do Negan, e matando a Alpha, mas tb querendo adiar isso um pouco e ver mais do Negan com a Alpha, pq adaptação dela me conquistou, a da série está foda demais, e quero logo a morte e ao mesmo tempo mais dela HAUhUhau

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Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:22

Em algumas coisas, eu até prefiro essa Alpha do que a da HQ.

Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:17

Eu acho que vai ser diferente das HQs… É o meu pressentimento!

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Black Jack 5 de novembro de 2019 - 13:15

Superior ao episódio anterior.

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Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:22

Bastante!

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Jose Claudio Gomes de Souza 5 de novembro de 2019 - 10:18

Já estava me sentindo meio desanimado com a série na temporada passada mas confesso que esses episódios da atual me deram um novo ânimo. Só não entendi como a Kelly escapou do zumbi que a estava quase tocando. Ou será que perdi algo?

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Huckleberry Hound 5 de novembro de 2019 - 20:05

Foi uma temporada infinitamente superior a sétima e a oitava talvez a melhor até vermos se a décima é melhor ainda dependendo da sua opnião pois muita gente vai dizer que as primeiras foram melhores mas até eles confessam que a nona melhorou bastante com os novos showrunners:o arco de Rick,a primeira aparição e uns dois embates contra os Sussuradores e o miticismo que eles representam,a volta daquela atmosfera de terror e a cena das estacas não senti quase nenhuma lentidão e arrastamento na temporada passada com o que você ficou desanimado?

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Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:22

Poxa, mas a temporada passada é ótima.

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Junito Hartley 5 de novembro de 2019 - 10:04

O episodio foi muito bom, as melhores partes claro foi as do Negan, eu que li a HQ ja sabia o que ia acontecer, mas mesmo assim deu muita pena ver a mae e o filho mortos no final.

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Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:22

Sim… Queria que eles tivessem mais tempo de tela até.

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Mr.L 5 de novembro de 2019 - 09:09

Uma coisa que eu gostei do episódio foi a falta/regressão da tecnologia/ciência sendo sentida,onde um “simples” câncer de tireóide é praticamente uma sentença de morte.

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Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:22

Exatamente! Kang está dando atenção para coisas assim!

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Isac Marcos 4 de novembro de 2019 - 22:24

Tirando a parte da Magna e Yumiko que até agora achei sem sentido, tem sido muito bom o resgate dessa tensão e terror que você pontuou. Tinha até me esquecido como era virar a cara, às vezes, quando “matavam” um zumbi. E colocar a cena sem barulho (Kelly) é de uma agonia interessante, semelhante com a experiência ao assistir Um Lugar Silencioso. Algo que achei super acertado nessa nova fase do seriado.
Só espero que a descoberta da Gama sobre a Lydia não demore muito e que não mudem ou arrastem o desfecho da Alpha com o Negan.

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Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:22

E não demorou muito!

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Gabriel Carvalho 18 de novembro de 2019 - 19:22

Mas acho que vão mudar o desfecho da Alpha sim… E eu gosto que mudem.

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Gabriel Carvalho 4 de novembro de 2019 - 21:58

Melhor que “Titãs”.

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Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 4 de novembro de 2019 - 22:36

Celacanto provoca maremoto.

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