Home TVEpisódio Crítica | The Walking Dead – 10X13: What We Become

Crítica | The Walking Dead – 10X13: What We Become

por Iann Jeliel
448 views (a partir de agosto de 2020)

What We Become

  • SPOILERS do episódio e da série. Leiam aqui as críticas das demais temporadas, games e HQs. E aqui, as críticas de Fear the Walking Dead.

Uma das maiores tristezas de quem ainda acompanha The Walking Dead é ter a cada temporada uma notícia prévia de abandono de alguém do elenco, consequentemente já criando uma expectativa para a sua despedida, que acaba tornando sem impacto o fato de que não iremos mais ver aquele personagem em ação. Foram várias as perdas desde a queda de audiência, a primeira e mais significativa foi Carl (Chandler Riggs) na oitava temporada, e felizmente, por mais questionável que fosse a decisão, foi a única que garantiu alguma surpresa por simplesmente ter acontecido sem o aviso prévio dessas notícias de bastidores, seguido de Maggie (Lauren Cohan), Rick (Andrew Lincoln), Jesus (Tom Payne) e agora Michonne (Danai Gurira), todas com datas premeditadas para acontecer, sem aquele elemento surpresa que faria essas perdas serem sentidas com mais alvoroço. Nisso, What We Become já começa problemático, pois sabemos exatamente que no final algo irá acontecer para distanciar a personagem do núcleo principal, uma vez que dentro do cenário apresentado, tempo e demais circunstâncias, a morte com certeza não viria.

Ele até ameaça com essa possibilidade, mas de forma muito rápida. Quando Virgil (Kevin Carroll) tranca Michonne naquele alçapão, bate uma rápida sensação de que ele poderia ser algum louco psicótico que iria torturá-la até a morte, mas é lógico que em um episódio de despedida, a série não teria culhões para isso (talvez em um outro momento e se acontecesse seria sensacional). Ao contrário, a “tortura” alucinógena foi apenas uma desculpa preguiçosa para se instaurar um clima romântico nostálgico e revisionista dos bons momentos da série em uma perspectiva invertida.  O propósito das sequências de Michonne viajando por destinos diferentes que ela poderia ter tido ao tomar diferentes atitudes, deixando Andrea (Laurie Holden) para morrer, juntando-se aos Salvadores, não acrescentam em nada à própria jornada individual da personagem que na finalidade (se não era a morte) seria iniciar uma busca verdadeira por Rick, a que já estava previamente decidida por acreditar que ele estava vivo. Então, fica aquele velho fan service gratuito e inserido às coxas, uma vez que fora Laurie Holden, nenhuma das outras participações especiais antigas trouxeram os atores novamente, só fizeram uma colagem por cima de cenas que já aconteceram e “tá valendo”.

Aliás, Virgil se demonstrou um personagem meramente descartável, sem qualquer carisma e motivações pouco plausíveis pela mutabilidade rápida, além de genéricas. O cara mente, sequestra a Michonne e inventa uma desculpa de misericórdia aceita com muitíssima facilidade, visando reforçar um espírito benevolente mais forte na personagem que já estava bem estabelecido. Sua conexão em fornecer a motivação de Michonne para viajar é meramente uma coincidência, pelo menos é o que dá a entender, já que o episódio não busca estabelecer uma clareza maior de como aquele celular com a imagem de Carl e as botas do Rick foram parar ali. É um gancho final aleatório que poderia muito bem ter sido o mote inicial do capítulo, mas prefere-se enrolar todo o caminho até lá com uma subtrama de um personagem que no fim das contas nunca mais aparecerá na série.

E aí retomo a dívida orçamentária, pensando nesse mini arco como uma forma de tentar contornar o que o episódio planejadamente poderia ter sido em expansão de universo, mas não pode, graças a essa economia exacerbada de orçamento. Não é o ideal criticar algo pelo que deveria acontecer e não pelo que de fato ocorreu, mas diante de como surgiu esse arco, a idealização de uma nova comunidade buscando novamente armas para ajudar numa nova guerra, por mais repetitivo que fosse, teria fins diferentes. Supondo que realmente existisse essa comunidade, Michonne a conheceria e o tempo que levaria para tentar convencer uma aliança… Judith (Cailey Fleming) por ligação avisaria sobre o fim da guerra, ao mesmo tempo Michonne descobriria esse possível paradeiro de Rick, e junto a essa nova comunidade começaria uma nova busca que poderia já fazer link direto com os filmes ou World Beyond a depender da questão do planejamento dessa expansão do mundo zumbi.

Aí é que tá, creio eu que não existe esse planejamento, e que a série vem nas coxas, plantando possibilidades dentro da obrigação de se livrar do elenco, para no futuro resolver essas pendências de alguma forma que ela ainda não sabe. Entristece ver que a série chegou a esse ponto, porque no papel, acho que qualquer um é a favor dessa expansão, desde que haja engajamento para sua construção, algo que para a AMC parece ser uma eterna promessa, que dura faz um tempo. Esse engasgo da necessidade engole qualquer possibilidade de uma relação mais próxima com esses futuros possíveis, assim, a gloriosa cena da chamada de rádio só não é tão artificial porque existe uma entrega verdadeira de ambos os lados atuantes. Até que ponto aquilo não foi mais um remendo do que um destino plantado com convicção e ao menos um norte bem definido para onde ir? Convenhamos, se não tivesse a informação antes de que Danai Gurira iria sair, What We Become não funcionaria emocionalmente e o destino dessa missão expansiva seria severamente mais questionado.

The Walking Dead – 10X13: What We Become — EUA, 22 de março de 2020
Direção: Sharat Raju
Roteiro: Vivian Tse
Elenco: Norman Reedus, Danai Gurira, Jeffrey Dean Morgan, Avi Nash, Cailey Fleming, Kevin Carroll, Eve Gordon, Taylor Nichols, Olivia Stambouliah, Lindsley Register, Breeda Wool, Andrew Bachelor, Antony Azor, Matt Mangum
Duração: 45min.

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28 comentários

Massy Andrade 29 de março de 2020 - 11:00

O que mais me incomodou foi a Michonne abandonar os filhos pequenos num mundo apocalíptico para ir atrás de um homem que ela nem sabe se está vivo com certeza.

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Iann Jeliel Pinto Lima 30 de março de 2020 - 12:34

Ela foi bem “gado” do Rick mesmo, por isso que acho que era essencial as motivações serem melhor construídas e não parecerem decididas de uma hora pra outra.

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José Fábio 24 de março de 2020 - 18:10

Quem bombou mesmo neste episódio foi a atriz mirim
Cailey Fleming (Judith Crimes). Um talento e tanto.

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 01:47

Isso é indiscutível. Carregando a série!

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Sussurrador 24 de março de 2020 - 18:10

Eu gostei desse episódio dou 3,5 estrelas só porque foi bem previsível!

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 00:56

Previsível mesmo.

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Carlos Faria 24 de março de 2020 - 17:10

Jovem, acho que está com muito hate no coração e sonhando com a série que tem na cabeça. Para mim esse foi um dos melhores episódios fechados de toda a série. Sendo mais exato o 3°, ficando abaixo apenas do The Grove da 4° temporada e o season finale da 9°.

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King 24 de março de 2020 - 19:39

Concordo.

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S0mBRa 24 de março de 2020 - 21:56

Tmb acho q no mínimo merecia um 3.5…

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 00:56

Pode ter certeza que a única pessoa que não tem hate com a série sou eu, elogio quando preciso e crítico quando necessário (e sempre com um sentimento bem ruim em mim, já que gosto bastante da série). Os episódios que mencionou são excelentes, esse não.

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Márcio Lima Varão 25 de janeiro de 2021 - 00:54

Você quer dizer o episodio 15 da nona neh? pq a seasion finale da nona é bem fraquinha.
O epi 15 é o das estacas.

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Carlos Faria 27 de janeiro de 2021 - 12:36

Cara, eu amo o episodio final da 9°! Além de ter uma história fechada e nova para o que havia sido trabalhado antes na série, faz avançar a história com a reintegração do Negan, personagem que será central no plano para derrotar os Sussurradores na 10°

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Isac Marcos 24 de março de 2020 - 12:44

Para mim, foi a despedida mais frustante. Achei o episódio ruim e bem preguiçoso/conivente no tocante à motivação (mãe largar seus 2 filhos numa guerra contra um grupo muito maior x procurar o quiçá companheiro vivo) para a saída da personagem.
Tbm, não curti a escuridão excessiva mais uma vez.

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 00:56

Concordo plenamente!

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Mr.L 24 de março de 2020 - 08:39

Tbm não gostei dessas alucinações da Michonne,eles tinham a chance de desconstruir por completo o psicológico dela mas preferiram fazer um “what if… Michonne fosse salva pelo Negan” . A cena que ela achou a bota e começou a chorar,eu fiquei sem entender, só vim me ligar que era do Rick depois que ela encontra o celular.
E não vou mentir,a cena final da peregrinação me deu um arrepio, e sei que com essa pandemia todas as produções tão sendo canceladas e tal,mas já faz quase um ano que anunciaram o filme e não revelaram nada além daquele teaser vagabundo.

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S0mBRa 24 de março de 2020 - 17:10

Eles ainda estão nos fucking rascunhos… eu n confio nem um pouco no Scott Gimple. O pior é prometer 3 filmes velho, no mínimo 1 década a mais pra finalizar tudo. Pra mim um único filme já bastava, se não só retornar eles na última temporada de TWD mesmo e finalizava, n precisava nem de filme. Mas vamos lá né… aguardar e torcer pra que alguma coisa funcione.

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 01:07

Scoot é bom, mas não sabe a hora de parar. Concordo que ele deveria fazer um filme só.

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 01:07

Também demorei pra me tocar e foi completamente aleatório. Essa cena foi boa, mas é aquilo, tá muito na promessa.

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S0mBRa 24 de março de 2020 - 02:02

A atriz pediu pra sair, já que quer aproveitar e seguir sua carreira nova de roteirista. Infelizmente os atores (Rick, Maggie, Michonne, Jesus) todos esses que você citou sendo personagens realmente de grande peso, tiveram uma saída que poderia sem dúvidas ser melhor e bem planejada ou não haver saída. Mas como foi o caso, todos pediram pra sair da série e a Angela Kang teve que colaborar fazendo as pressas esses roteiros de despedida. Pode não justificar a vida externa da obra, mas são vidas que diferente das HQs, influenciam no rumo da história e em muitos fatores desde a produção até os pontos abertos caso eles decidam retornar (caso do Rick/Maggie/Michonne).

Enfim, gostei do episódio mas pra uma despedida da minha personagem FAVORITA esperava BEM mais.

Concordo com seus pontos, não senti impacto algum com 60% do que foi apresentado, foi meio que jogado pra ela sair as pressas. Eu queria muito me acabar no choro. Os únicos pontos que me fizeram gostar do episódio foi a alucinação, algo bastante poético mostrar que uma ação (a de não salvar Andrea) mudaria todo o rumo da vida dela, desde não conhecer o grupo do Rick até se tornar seu rival – que felizmente os temos na “realidade” como um casal – e tudo isso foi moldado por aquela decisão. Foi assim que interpretei e gostei. Também consegui sorrir pensando no possível reencontro dela com Rick, então pra mim alguma coisa funcionou.

Se ela reencontrar futuramente o Rick e ele tiver outra família eu vou ficar muito puto.

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Iann Jeliel Pinto Lima 24 de março de 2020 - 10:18

Concordo plenamente. Inclusive, essa pra mim foi a despedida mais fraca das precoces que mencionou (Maggie por exemplo, nem teve despedida, mas o anuncio de sua saída), coitada de Kang pra ajeitar esses roteiros e ainda tentar mesclar com uma expansão de universo. Não gostei tanto da questão dos flashbacks, por que fica essa sensação meio fake e desnecessária do ter que ter um revisionismo por conta que será a despedida.

Enfim, o que funcionou pra mim é mais a questão da cena final ali mesmo, pela entrega das atrizes, mas é um episodio bem abaixo da média. Fico contigo nesse comentario final. Rick, não traia a Michonne!

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S0mBRa 24 de março de 2020 - 17:10

Ah, só um adicional: Aquelas cenas da Michonne matando os zumbis em câmera lenta é sempre maravilhoso, algo que não ocorreu aqui, uma pena. Tinha a oportunidade de haver naquela cena em que ela limpa um cômodo cheio de zumbis protegendo o Virgil… mas simplesmente cortaram a matança, poxa queria tanto ter visto. T_T

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 00:56

Cena de zumbis desse episódio foi bem vagabunda.

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Junito Hartley 24 de março de 2020 - 01:10

Eu gostei pra caramba desse episodio, e a guerra nao acabou, mesmo se a judith falasse da alfa morta ainda tem o beta pra matar, entao no caso as “armas” que ela foi buscar ainda tinha sentido. A forma como fizeram pra ele sair da serie pra mim foi coerente, os itens do Rick aparecer ali so vamos saber de como foi parar la no vindouro filme dele.

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Mr.L 24 de março de 2020 - 08:46

Beta vai segurar esse finale nas costas,oq eu vou achar ótimo.

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 00:56

Finale que nem está pronta ainda, tamanha a falta de planejamento da série, acabando de ser adiada pelo Coronga.

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Mr.L 25 de março de 2020 - 07:56

É foda mesmo, começam a preparar as gravações da próxima temporada e deixam pra terminar o ep finale faltando umas 3 semanas pra exibição,pqp. Mas eu fico pensando, será que não vão reeditar pra fazer algum link com o novo derivado? Da AMC eu não duvido nada.

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Iann Jeliel Pinto Lima 25 de março de 2020 - 13:38

Se for por isso, só provará minha tese de que essa construção de universo tá sendo feito as coxas.

Iann Jeliel Pinto Lima 24 de março de 2020 - 10:36

Sim, a guerra não acabou, mas falo mais no imaginário da Judith e das pessoas em geral com a morte de Alfa, eles pensariam no imediato que acabou e tranquilizariam a Michonne no buscar das armas. Enfim, foi coerente, mas aquela coerência pra desviar para outra coisa. Episodio sem impacto pra mim, infelizmente.

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