Home TVEpisódio Crítica | The Walking Dead – 11X07: Promises Broken

Crítica | The Walking Dead – 11X07: Promises Broken

por Iann Jeliel
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Promises Broken

  • SPOILERS do episódio e da série. Leiam aqui as críticas das demais temporadas, games e HQs. E aqui, as críticas de Fear the Walking Dead. 

Depois de uma sequência de episódios inventando mil maneiras para protelar ao máximo o confronto de Maggie (Lauren Cohan) e remanescentes de Alexandria com o terciário grupo dos Reapers, era mais do que óbvio, conhecendo The Walking Dead estruturalmente, que Promises Broken iria fazer a mesma coisa, só que disfarçando mais a enrolação com a premissa de estar preparando o terreno para o “grande” confronto. E como irá se desenhar esse milanesíssimo “épico” embate entre comunidades? Simples: os mocinhos, como diria o saudoso Harvey Dent, viveram o bastante para verem a si mesmos tornando-se vilões, ou nesse caso, pegando a máscara dos vilões da temporada passada para usar de estratégia de vitória por vantagem numérica. Mesmo que cada grupo proporcionalmente tenha quase a mesma quantidade de pessoas, considerando os super-heróis com poder de protagonismo de um lado, que conta com um deles infiltrado no outro.

Me espanta Maggie ter sugerido tal ideia. E, mais ainda que o roteiro – que já havia resolvido com Negan (Jeffrey Dean Morgan) imageticamente nos dois episódios iniciais, pelo menos, na minha cabeça, e certamente na intenção de Kevin Dowling, diretor daqueles episódios – a compre a ponto de colocar Negan ensinando a Maggie como ser uma “sussurradora”, como uma situação unificadora definitiva entre os desentendidos. Já não basta nesse treino, de novo, termos que aturar outra rodada dos mesmos diálogos e atritos entre os dois, numa execução ainda mais pobre em termos visuais, com uma simples troca de planos, focados individualmente em cada personagem, ao invés de um plano simples com os dois enquadrados para, no mínimo, termos um senso de conversa. A fraca condução do cineasta Sharat Raju só potencializa a fraqueza do texto em apelar para devaneios de memórias onde personagens pensam que poderiam ter feito coisas diferentes para evidenciar a dificuldade do momento, como se isso acrescentasse um aspecto de substância à narrativa.

O pior é que essa parte, considerando o calibre do elenco, é consideravelmente a menos chata, porque de resto, esse núcleo foca em coisas ainda mais irrelevantes, como a investida de Padre Gabriel (Seth Gilliam) observando o local em que Reapers se alocam, sendo que whatever quando eles entrarem com zumbis e tudo; Maggie consolando o Ninja/Elijah (Okea Eme-Akwari) ao ficar triste em ver familiares/companheiros zumbificados, sendo que ninguém se importa; Daryl (Norman Reedus) e Leah (Lynn Collins) encontrando uma familia aleatória na floresta, só para deixar Leah sentida com a ordem absolutamente gratuita de ter que matá-la, mostrando que ela tem bom coração e pode trocar de lado facilmente no confronto, ao contrário de Daryl, fazendo o serviço a sangue-frio para ganhar confiança no grupo a troco de quase nada, porque o “chefe” já sabe que ele é traíra. Aliás, Promises Broken se diz tanto um episódio de preparar terreno, mas não tem nem coragem de terminar com um gancho de Pope (Ritchie Coster) – que de frio e psicótico, como pareceu quando foi introduzido, não tem nada, só é outro vilão genérico e berrante – jogando na cara de Daryl que sabe de tal verdade, ou menos que isso, nem levanta uma tensão sobre essa circunstância que foi gancho do episódio anterior.

Não dá para entender essa teimosia da série em querer jogar as coisas tudo para a mid-season e quando chegar nela, nem ter público para assistir, sem saco das protelações, ou nem ter tempo de resolver tudo direito, levando a uma nova protelação de alguns eventos para a próxima mid-season em abertura. Pelo menos, sabemos que há chances de uma boa cena de ação nessa linha de história ser recompensadora a toda essa enrolação, diferentemente da parte de Commonwealth, que até agora nem introduzida foi. Nem conhecemos os prefácios particulares da cidade e já estamos goela abaixo na trama carcerária de Eugene (Josh McDermitt), encrencado com o filho da governadora Sebastian (Teo Rapp-Olsson). Até acho que, como adaptação do material-fonte, aquela cena dos zumbis é bacana, mas não deixa de ser uma sobreposição de um conflito que em episódios passados parecia atropelado pelo avanço rápido, e agora é repetido subindo de nível, um que “valesse” a interferência das pessoas de poder.

A primeira prisão da tríade acaba como um fato/recurso de passagem de tempo absolutamente preguiçoso e incongruente, pois se passaram semanas com Ezequiel (Khary Payton), Princesa (Paola Lázaro) – coitada da atriz e seu carisma nessa bagunça –, Eugene e Stephanie (Margot Bingham) trabalhando naquela limpeza dos arredores, e é difícil comprar que Yumiko (Eleanor Matsuura) tenha demorado tanto para reagir e tentar resolver a situação dos amigos com problemas. Tudo bem que ela tinha era muito o que conversar com o familiar que estava ali, ou aproveitar a hospedagem com sua função social privilegiada, mas que ao menos isso fosse mostrado em tela. A conversa xoxa entre ela e Tomi (Ian Anthony Dale) comendo bolinho em Out of the Ashes é pouquíssimo. Os diálogos entre Eugene e Stephanie também são pouquíssimos, ainda nem tentaram puxar um pouco da química que eles tinham via rádio. Já passou da hora de Mercer (Michael James Shaw) ganhar suas falas ou cenas próprias, enquanto a caricatura de Lance (Josh Hamilton), aquele do vídeo de apresentação da cidade, interage como se fosse um personagem de longa data, sendo que ele nem foi introduzido também.

Juntando essas preposições faltantes, já dava para preencher esse e outros dois episódios de coisas realmente relevantes acontecendo e se desenvolvendo. Infelizmente, Promises Broken opta por fingir que está contando muita coisa, enquanto nós fingimos que valerá a pena esse fingimento quando vier um episódio de meio de final bombástico. Já digo logo, se vier, não ignorarei a mediocridade da enrolaconstrução até ele.

The Walking Dead – 11X07: Promises Broken | EUA, 03 de Outubro de 2021
Diretor: Sharat Raju
Roteiro: Julia Ruchman
Elenco: Norman Reedus, Lauren Cohan, Josh McDermitt, Seth Gilliam, Khary Payton, Jeffrey Dean Morgan, Eleanor Matsuura, Paola Lázaro, Michael James Shaw, Lynn Collins, Josh Hamilton, Margot Bingham, Ritchie Coster, Ian Anthony Dale, Chelle Ramos, Okea Eme-Akwari, Teo Rapp-Olsson, Burke Brown, Dikran Tulaine, Branton Box, Eric LeBlanc, Ethan McDowell, Robert Hayes, Lex Lauletta, Dane Davenport, Courtney Dietz, Jason Turner, Liz McGeever, Brisco De Poalo
Duração: 42 minutos.

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