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Crítica | The Walking Dead – 11X08: For Blood

por Iann Jeliel
1.253 views (a partir de agosto de 2020)

For Blood

  • SPOILERS do episódio e da série. Leiam aqui as críticas das demais temporadas, games e HQs. E aqui, as críticas de Fear the Walking Dead. 

For Blood é um episódio que confirma esse arco dos Reapers (ceifadores) como o pior da história de The Walking Dead, para mim. Não basta ele já ter durado MUITO além do necessário para um grupo terciário e genérico como tantos outros que os heróis da série enfrentaram ao longo do caminho e se sobressaíram com alguma facilidade durante uma ÚLTIMA TEMPORADA. Incrivelmente, ele ainda não acabou e nem conseguiu entregar um clímax satisfatório de midseason com o derradeiro confronto entre as “comunidades”.

Começo mencionando o fato extremamente broxante deles simplesmente descartarem o gancho de On the Inside, em que Pope (Ritchie Coster) aparentemente descobre o paradeiro de Daryl (Norman Reedus) como espião, ao mencionar que matou um dos colegas (Branton Box) da Maggie (Lauren Cohan) porque já tinha “todas as informações que ele precisava”. Ora, quais informações seriam essas, se não o fato de Daryl e ele serem do outro grupo? Ele até faz “carinha” para o personagem, daquelas de quem já sacou tudo. Coisa nenhuma. Se existe alguma tensão no capítulo, ela vem dessa falsa impressão de que, pelo menos nos primeiros minutos, há uma incerteza do que o personagem pode vir a fazer com Daryl. Ele não o deixa conduzir a onda dos zumbis controladas por Maggie e Negan (Jeffrey Dean Morgan) na cena inicial. E vem com toda aquela história do cachorro que lambe ou morde, já em tom de ameaça. Daryl também, tem cara de quem estava ligado na intimidação, só esperando Pope tomar alguma atitude para fazer um contragolpe. Acaba não sendo nada disso.

Preferia bem mais que fosse admitido esse joguinho, ao invés do verdadeiro intuito dessas cenas. Por mais desnecessário que ele seja, afinal – vou falar novamente –, o Daryl sozinho cuidava dele e dos demais oito ou dez membros restantes dos Reapers e Pope não tinha nenhum motivo para não matar Daryl assim que descobrisse que ele era um traidor. Tanto não tinha, que essa “lengalenga” do início, no fim das contas, era só para dizer que ele era psicótico a ponto de sacrificar gratuitamente qualquer membro do grupo. Algo que já estava óbvio desde o primeiro momento em que apareceu com o discurso religioso distorcido – possivelmente os “ceifadores” têm poucas pessoas no grupo por causa disso –, mas só no finalzinho do episódio, com ele apontando a arma de fogos de artifício para o resto do seu grupo, é que Leah (Lynn Collins) percebe. Parabéns para ela! Pelo menos, depois disso, não pensou duas vezes em matá-lo. Contudo, ela não pensou duas vezes também quando decidiu se revelar como a “grande vilã” do arco.

A ideia já é ruim, mas a falta de desenvolvimento entre ela e Daryl ao longo dos demais episódios a torna pior ainda. Não funciona colocá-la contra o amante, porque se não compramos o relacionamento dos dois antes, quem dirá o desenvolvimento particular dela com os demais Reapers a ponto de acreditarmos que ela trocaria o grupo por Daryl ou vice-versa. Pelo menos depois dessa virada a ação fica mais interessante… Quer dizer, vai ficar… né? Infelizmente, só saberemos no próximo episódio. Porque sim, o confronto REAL entre os “ceifadores” vs. Maggie, Daryl e companhia ainda não aconteceu. A ação ocorrida é basicamente furtiva, com Daryl matando o seu companheiro dos cigarros (Eric LeBlanc) para dar passagem a Padre Gabriel (Seth Gilliam) e Maggie, que menciona: “vamos só pegar as comidas e ir embora”. Ou seja, a tática “sussurradora” era apenas uma distração para evitar o confronto direto, já que eles estavam em “menor número”.

Entretanto, somente o Padre vai buscar os suprimentos – e nem vai mesmo, fica “camperando” de sniper –, enquanto Maggie (e não foi por impulso, fazia parte do plano), pega uma caminhonete e arromba o portão dos mascarados (que desistiram de usar máscara de Uma Noite de Crime não sei por quê) para os zumbis invadirem. Sem contar que o Ninja (Okea Eme-Akwari) e Negan estavam no meio da horda que já havia sido conduzida em direção ao portão e poderiam facilmente morrer de graça ali, pisando numa mina terrestre. Como isso era um plano de distração? Só se fosse para distrair eles próprios, justamente como ocorre. Eles batalham com os próprios zumbis que atraíram e alguns Reapers em campo aberto, expostos, em vez de irem escondidos e direto para roubar os recursos e ir embora, enquanto os vilões iriam gastar seus esforços com os zumbis.

Faltou combinar com o Daryl, porque se ele não conta a verdade para Leah e não tem Ninja e Negan no meio dos zumbis, mas sim com Maggie e Padre Gabriel nos fundos, os quatro faziam a limpa e ninguém ficava sabendo que estavam ali. Claro, seria super anticlimático – principalmente porque, ainda mais escondidos e sem o Pope saber de Daryl, eles poderiam massacrar os “ceifadores” facilmente – mas ao menos seria coerente. O plano acaba não fazendo sentido nenhum. A situação colocada para o gancho do episódio, com a hwacha apontada por Leah para o centro da batalha, só ocorre por mil e uma conveniências. Por sorte, o episódio não é só focado neste núcleo, mas em outro, numa noite chuvosa torrencial em Alexandria.

São essas situações que fazem a série respirar por aparelhos, ultimamente, e é o que se salva desse capítulo. Podem reparar, a maioria dos melhores episódios e/ou cenas da entressafra da nona temporada até aqui são aqueles que conseguem inovar nas situações com zumbis, quando nos colocam em circunstâncias de diferentes cenários ou climas. Cemitério com névoa, nevasca, caverna, estação de trem, casa “mal-assombrada” e agora, uma tempestade. inda que seja na zona segura que conhecemos, é com suas paredes em estado de decadência, que não suportariam a tormenta, logo, permitindo a entrada dos zumbis na comunidade. Por mais que seja meio tosca a maneira como episódio faz imaginar que os últimos remanescentes de Alexandria estão na mesma casa de Aaron (Ross Marquand), gosto de como o ambiente é pontualmente reduzido conforme o avanço dos desdobramentos da situação com os zumbis, gerando um clima de claustrofobia com muita autenticidade e sem perder o peso, apesar de estar entrecortado com a parte dos Reapers.

Colocar os personagens mais fortes para ir resolvendo os problemas na casa, sem mostrar o que eles estão fazendo, traz mais vulnerabilidade para os que estão lá dentro , fazendo o possível  para não deixar nenhum zumbi entrar. O enfoque em Judith (Cailey Fleming) ajuda bastante a situação ter força emocional. A cena em que Rosita (Christian Serratos) sai matando um bolo de zumbis que estavam cercando a casa, só tem peso por conta do olhar da menina. Ela, em episódios atrás, foi consolada pela “tia”, logo, sentimos o medo da perda da personagem mais por conta de Judith do que exatamente por nos importarmos com Rosita a esta altura da história – uma pena, porque é uma personagem com casca que poderia ter sido mais explorada. No entanto, temos que dar mérito à construção da cena, na utilização certeira da câmera lenta, que no primeiro momento parece ser para confirmar a morte épica da personagem, mas, na verdade, está potencializando seu momento badass.

Mesmo sendo minha cena favorita do episódio, a atitude de Rosita não adianta muito. Novos zumbis inevitavelmente chegam e uma hora conseguem entrar num contexto bem desfavorável, em que os personagens estão separados. Mesmo que provavelmente eles devam ser resgatados por quem ficou resolvendo as coisas fora, o episódio traz um gancho desesperador, muito melhor do que o gancho anterior: Judith e Gracie (Anabelle Holloway) presas sozinhas no sótão inundando, com somente a porta segurando os zumbis. Funciona pelo clima de terror implantado pela tempestade: os raios e trovoadas, aquela clássica cena em que os braços dos zumbis quebram as janelas e tentam agarrar os personagens. A atmosfera está toda ali. Uma pena que, no fim das contas, seja pouco tempo de tela destinado para esse núcleo. Entre uma parte muito boa e outra muito ruim, sendo essa ruim a que prevalece por mais tempo, For Blood acaba sendo uma das midseasons mais decepcionantes de The Walking Dead.

The Walking Dead – 11X08: For Blood | EUA, 10 de Outubro de 2021
Diretor: Sharat Raju
Roteiro: Erik Mountain
Elenco: Norman Reedus, Melissa McBride, Lauren Cohan, Christian Serratos, Seth Gilliam, Ross Marquand, Jeffrey Dean Morgan, Nadia Hilker, Cailey Fleming, Cassady McClincy, Lauren Ridloff, Lynn Collins, Kevin Carroll, Ritchie Coster, Angel Theory, Alex Meraz, Okea Eme-Akwari, Kerry Cahill, Nadine Marissa, Branton Box, Jacob Young, Mandi Christine Ker, Anabelle Holloway, Antony Azor, Kien Michael Spiller, Zac Zedalis, Eric LeBlanc, Robert Hayes, Lex Lauletta, Dane Davenport
Duração: 42 minutos

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